Publicidade

Gestão

Nicholas Carr esclarece o real papel do CIO

Em entrevista exclusiva ao Computerworld , o polêmico jornalista, autor do artigo publicado na revista Harvard Business Review, discute o sentimento de frustração que assola CIOs de todo o mundo. Carr estará no Brasil no dia 4 de dezembro para participar do seminário O Futuro da TI nas Corporações, organizado pelo IDG Brasil.

Por Luciana Coen

19 de novembro de 2003 - 11h53
página 1 de 1

Luciana Coen

Em entrevista exclusiva ao Computerworld , o polêmico jornalista, autor do artigo publicado na revista Harvard Business Review, discute o sentimento de frustração que assola CIOs de todo o mundo. Segundo Nicholas Carr, que estará no Brasil no dia 4 de dezembro para participar do seminário O Futuro da TI nas Corporações, organizado pelo IDG Brasil, as empresas precisam voltar a pisar no chão e reconhecer que as expectativas fantásticas provenientes de inovações tecnológicas jamais serão alcançadas e não têm a menor importância se o assunto é competitividade.

Computerworld – As suas afirmações no artigo IT Doesn’t Matter (TI não importa) causaram impacto enorme na comunidade de tecnologia da informação do mundo todo, inclusive no Brasil. O que o senhor achou disso? Era essa mesma a intenção?
Nicholas Carr – Eu acho que isso foi muito bom. Eu iniciei uma discussão sobre o tema. Para mim é muito gratificante que tenha iniciado um debate sobre este assunto. É uma questão construtiva e acredito que é muito importante falar sobre tecnologia da informação de uma maneira diferente.

CW – O que o senhor acha das opiniões das pessoas com quem conversa nos eventos dos quais tem participado?
Nicholas Carr – Como em todos os debates, as pessoas têm diferentes opiniões. Alguns executivos de empresas de software e hardware não ficaram muito felizes com o que leram no meu artigo. Mas alguns CIOs acharam que essa foi uma boa maneira de começar uma discussão sobre a própria função deles e sobre o futuro de tecnologia da informação. O que percebi é que muitos CIOs não estão felizes com o que têm realizado, com o caminho que suas áreas têm tomado e também com a responsabilidade que as empresas têm colocado para eles.

CW – Muitos CIOs no Brasil acharam que todo o raciocínio do texto está correto, mas que a conclusão é exagerada. Eles acreditam que TI não é só hardware e software, mas informação e pessoas também. Muitos até afirmaram que a idéia era apenas chamar atenção para o seu artigo, causar polêmica. Como o senhor se posiciona diante disso?
Nicholas Carr – Acredito que deixei bastante claro no meu artigo que estou falando apenas de tecnologia – hardware e software. Claro que pessoas e informações importam para que uma empresa tenha vantagem competitiva em relação às outras. Informações e pessoas sempre importaram, e espero que continuem importando.

CW
– Qual o senhor acredita ser o verdadeiro papel do CIO no futuro?
Nicholas Carr – Os CIOs não estão felizes. À medida que tecnologia da informação perde importância estratégica, vejo que muitos deles acabam ficando sem saber qual é realmente o seu papel dentro da companhia. Mas é claro que os sistemas ainda importam. E uma equipe talentosa continua e sempre será muito importante. As habilidades técnicas são importantes também. Não se deve deixá-las de lado. Elas são mais importantes do que habilidades estratégicas. Nos anos 90, muitas empresas acreditaram que era ideal colocar seus CIOs em posições estratégicas. E isto foi muito frustrante, tanto para as companhias, quanto para os CIOs. Nos últimos anos as empresas começaram a ter uma visão mais realista dessas limitações.

CW – O senhor acredita, então, que foram atribuídas mais responsabilidades aos CIOs do que eles deveriam ter?
Nicholas Carr – Exato. Agora, o papel do CIO começa a ficar mais claro. Segundo artigo publicado na revista The Economist, muitas empresas têm gasto metade de seu orçamento com investimentos em tecnologia da informação. Ora, isso pode levar a desvantagem tecnológica e não a vantagem. Se elas gastarem demais, isso se torna uma inferioridade tecnológica. Portanto, acho que as expectativas em cima dos CIOs estiveram muito altas. A crise dos últimos anos e o meu artigo vão servir para eles entenderem qual é o seu papel, qual é realmente o papel da TI. O que TI tem e o que faz dentro de uma corporação.

CW – O senhor mudaria alguma coisa no seu artigo?
Nicholas Carr – Acho que muitos pontos não foram bem compreendidos. É muito bom ter a oportunidade de escrever um livro, em que vou poder estender o assunto e me aprofundar mais. Por exemplo, quando digo que TI não importa, quero dizer hardware e software. É claro que informação e pessoas talentosas serão sempre importantes. Mas acho que hardware e software estão se transformando mais e mais em infra-estrutura. E precisa ser gerenciado e usado como tal. Não é uma área estratégica.

CW – Qual o senhor acredita ser o futuro de TI?
Nicholas Carr – Acho que cada vez mais empresas vão usar TI como um centro de custo para o negócio. Não é uma área estratégica. É preciso reduzir os riscos envolvidos nessa área. Não se pode mais ser agressivo, criativo, inovador, adotar as tecnologias mais novas. É preciso fazer gerenciamento de riscos.

CW
– Como TI se compara com serviços? Por uma rede de energia, passa eletricidade, por uma rede de computadores, passam informações, pensamentos, capital intelectual. Não é diferente?
Nicholas Carr – TI está cada vez mais próxima de utilidades. As tecnologias são parecidas, basta olhar o padrão de comportamento. O padrão de “comoditização” é o mesmo. Claro que uma é diferente da outra, mas o modelo de evolução é o mesmo. Grandes fornecedores, como HP, IBM, Sun Microsystems ou Microsoft, estão se promovendo a provedores de serviços, à medida que se posicionam com suas estratégias “sob medida”. Essas estratégias se parecem com as de provedores de commodities. As pessoas dizem que não há limites nos software. Eu concordo. Mas há limite nos custos.

CW – Diante desse cenário, como CIOs devem se preparar?
Nicholas Carr – A chave do sucesso é fazer uma infra-estrutura confiável, funcional, concentrar-se em gerenciamento de riscos e não em inovações. Estamos em um ponto em que empresas querem mais por menos.

CW – O que o senhor acha de tendências como terceirização?
Nicholas Carr – Os software e processos de TI estão se tornando tão padronizados que podem ser feitos por outras empresas, ou em países em que a mão-de-obra é mais barata. Essa tendência é mais um aviso de que TI está virando commodity. O que eu tenho dito está realmente acontecendo. O que leva à terceirização é a diminuição de custo. O desafio é conseguir a tecnologia que você precisa, pelo menor preço. De novo: as pessoas são a diferença. TI não é mais um fator diferencial entre uma empresa e outra. Então empresas deveriam ver isto como commodity.

CW – Como o senhor acredita que empresas latino-americanas deveriam conduzir suas áreas de TI?
Nicholas Carr – Não sou um expert em América Latina. E creio que, em geral, as empresas têm práticas distintas em diferentes países. Mas acredito que o desperdício de dinheiro em TI em países da América Latina não tenha sido tão grande. Uma grande vantagem também é o fato de que é possível observar o que empresas norte-americanas têm feito e aprender com os erros delas. A parte boa da comoditização é que há mais padrão e por isso a tecnologia fica mais barata. Com isso, muitos países terão a oportunidade de criar sistemas mais eficientes aprendendo com o que outros países fizeram. As empresas que entenderem isso poderão usar TI mais estrategicamente.

CW – Qual foi o impacto da polêmica na sua vida profissional?
Nicholas Carr – Logo depois que escrevi o artigo, eu comecei a escrever um livro. Então passei alguns meses ocupado com a publicação, no qual vou ter a chance de aprofundar minhas idéias a respeito da área de TI. O meu livro será lançado em abril nos Estados Unidos, sob o título “Does IT matter?”, pela Harvard Business School Press. Agora, comecei a viajar bastante, dando palestras e participando de seminários e eventos sobre tecnologia da informação em diversas partes do mundo, entre elas várias cidades nos Estados Unidos, como Nova York, Denver e Texas. Tive a chance de ir para Londres também, na Europa. E agora vou expor minhas idéias em São Paulo, no Brasil. Serviço: O Futuro da TI nas Corporações Data: 4 de dezembro de 2003 Local: Meliá Confort ITC Nova Faria Lima (Rua Fidêncio Ramos, 420 – Vila Olímpia – São Paulo – SP) Mais informações: (11) 3038.6106 ou clique para conhecer a programação completa.

Opinião do Leitor
Não há comentários para essa notícia
Publicidade
Publicidade
As mais lidas
60 melhores empresas de TI e Telecom para trabalhar

A elite do RH de TI e Telecom no Brasil

Computerworld e Instituto GPTW apresentam as Melhores Empresas de TI e Telecom para Trabalhar 2009.

Veja o Especial

Confira o ranking:

  1. Chemtech
  2. Kaizen
  3. Microsoft
  4. Cisco do Brasil
  5. Google Brasil
Veja o ranking completo com as 60 empresas

SLIDE SHOWS

Publicidade
coluna tv
Newsletters
Assine a Computerworld