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Gestão

Gerenciamento torna-se prioridade em storage

Conceitos como Information Lifecicle Management (ILM) e Hierarchical Storage Management (HSM) compõem o arsenal de ferramentas que permitem às empresas tratar adequadamente aos recursos armazenados.

19 de dezembro de 2003 - 13h04
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Tatiana Ângelo

 

À medida que os equipamentos de armazenamento ficam mais baratos, a infra-estrutura fica mais complexa de gerenciar. O crescimento excessivo e dinâmico das informações e das aplicações torna difícil de definir e acompanhar a política de gerenciamento. Existe uma lacuna entre as operações de armazenamento e o gerenciamento dos dados. Estimativas sugerem que 75% das informações na rede ou em ambientes distribuídos não são efetivamente administrados, significando que não estão armazenados adequadamente ou de forma a serem recuperados facilmente.

 

Hoje, uma rede típica de storage (Unix, Win2k e Linux) tem cerca de 2 a 5 terabytes de armazenamento de discos, enquanto a capacidade de gerenciamento de cada storage é de 400 a 500 gigabytes, de acordo com o Manifesto de Storage, produzido pela Horison Information Strategies, uma consultoria especializada em estratégias e desenvolvimento de negócios para empresas de storage.

 

Programas internos

 

“No fundo, toda empresa faz alguma espécie de organização dos dados, a partir do momento em que tem uma informação importante”, diz Bruno Lobo, country manager da Veritas no Brasil. Algumas plataformas de sistemas operacionais, como o OS/390 e o AS/400 (iSeries) oferecem ferramentas de gerenciamento de storage, mas não tão completas quanto a situação exige, avalia o executivo. É nesse estágio que estão as companhias, usando programas internos para administrar os dados e finalizando projetos de centralização de infra-estrutura. Enquanto isso, fabricantes investem cada vez mais em software e conceitos de gerenciamento. Tudo para reduzir custos.

 

Foi-se a época em que as empresas compravam equipamentos com capacidade superior, prevendo necessidades futuras. Como não se pode gerenciar o que não se conhece, o primeiro erro das empresas antes de comprar um produto de armazenagem é não parar para refletir sobre as informações que têm. É muito caro para uma empresa deixar informação em mídia errada. Segundo a Horison, um gigabyte num disco online custa US$ 70 a US$ 90; numa mídia intermediária, de US$ 30 a US$ 40; e o gigabyte nas fitas sai por US$ 1,25 a US$ 4,50. Surgem, então, conceitos e programas para o cliente analisar a rede e guardar cada dado no devido local. Apesar das várias siglas, no fundo, a mensagem é a mesma: classificar e mover os dados para uma mídia ideal.

 

O gerenciamento da rede de storage acontece com soluções de SRM (storage resource management), que mostram o comportamento de cada dispositivo conectado na rede, quanto de dado e de que tipo está guardando, qual a origem das informações, qual o espaço livre e se há algum problema nos discos. É possível criar regras para cada tipo de arquivo e fazer com que seja transferido automaticamente para o disco certo. Com um software desse, a empresa pode bloquear arquivos MP3, ou mandar uma mensagem para alertar o usuário que está sendo monitorado. O conceito vale para pequenas e médias empresas, cada qual com a proporção de seus dados. A Veritas, por exemplo, tem um software de SRM para pequena empresa, que custa menos de US$ 1 mil.

 

Mas isso ainda não é suficiente para tamanha informação. Com um crescimento de dados de 34% ao ano, dois velhos conceitos da época dos mainframe estão ressurgindo: o Information Lifecicle Management (ILM) e o Hierarchical Storage Management (HSM). O primeiro nada mais é do que classificar os dados armazenados em uma empresa conforme a periodicidade que são acessados e a data do armazenamento.

 

O software faz automaticamente as mudanças de acordo com as regras criadas: informações com mais de dois anos vão para um storage secundário, por exemplo. Para o usuário, tudo isso é transparente.

 

Alguns especialistas de mercado sugerem que um dado não pode ser administrado apenas pelo tempo de vida. Ele deve ser classificado pela sua importância, pela sua hierarquia dentro dos negócios. Vem então o conceito da hierarquização das informações (HSM). Ele estabelece limite para cada usuário armazenar arquivo, variando conforme a atividade e o cargo de cada um.

O HSM pode ser usado não só nos dados, mas também dentro de aplicações, como e-mail e banco de dados. “Expandindo para aplicações, o ganho é maior, a classificação mais detalhada”, diz Mauricio Massa, especialista de sistemas na área de pré-vendas da IBM.

 

Apesar dos discursos otimistas dos fornecedores, apenas agora os clientes começam a implantar o HSM. É o que a Bunge Alimentos está fazendo. Arquivos de imagem e aqueles não acessados há mais de cinco anos vão para fitas. Arquivos do presidente, no storage caro. “Nenhum usuário quer apagar seu e-mail. Na nossa estrutura atual, todos estão no storage caro. Com o novo modelo pretendemos passar as mensagens com mais de um ano para uma máquina mais barata”, explica Walter Sanches, gerente de tecnologia e infra-estrutura da companhia. Sendo conservador, ele diz, a expectativa da empresa é reduzir o custo da operação que tem hoje em 35%.

 

Classificar as informações é a maior dificuldade das empresas, já que para cada departamento e para cada pessoa todos os arquivos são importantes. Segundo a GPlus, integradora especializada em storage, o início do projeto de gerenciamento é entender como funciona o negócio e quais são as informações fundamentais. Entrevistas com nível gerencial são feitas até perceber o que é cada área da companhia e de que tipo de informações realmente precisa. O trabalho também deve incluir a participação do departamento judiciário, pois alguns documentos precisam ser guardados por questões legais.

 

Falando a mesma língua

 

Normalmente uma empresa tem várias marcas de storage na rede, mas um não fala com o outro – se existem três discos de um gigabyte cada, a companhia tem três discos de um gigabyte cada, e não um total de três gigabytes. Isso muitas vezes faz com que um disco fique saturado, enquanto outro está com baixo uso.

 

A administração de dados fica mais complicada. “Nenhum fabricante tem uma ferramenta que gerencie por completo os equipamentos da concorrência. Ele faz, mas em parte. Jamais é tão aprofundado como administrar o hardware da própria marca”, comenta Arnaldo Tavares, engenheiro de sistemas da integradora GPlus. Isso acontece porque as fornecedoras não trocam instruções que permitem gerenciar completamente o produto de outra fabricante – ou API (application program interface), um conjunto de rotinas, protocolos e ferramentas para a construção do software.

 

Fabricantes falam de virtualização, mas esse é um conceito para ajudar o aproveitamento de recursos e facilitar o acesso às informações, não é uma forma de gerenciamento. Cada empresa tem um conceito de virtualização, mas o básico diz que, não importa o servidor e qual sistema operacional, ele terá acesso ao dado. Antes disso cada sistema operacional tinha de acessar a informação pela sua porta proprietária. A IBM diz que a virtualização cria uma camada intermediaria dos dados que serão acessados.

 

“Às vezes a empresa tem uma cópia da mesma informação porque ela precisa ser acessada por diferentes plataformas. Com a virtualização, os clientes podem criar camadas de armazenamento entre sistemas de diferentes fabricantes, possibilitando uma visão unificada e consolidada da capacidade total de storage. Em vez de acessar a informação diretamente da base, acessa pelo servidor de virtualização. Eliminando as cópias, elimina espaço livre em disco”, esclarece a gerente de marketing para América Latina da IBM, Jeni Shih, destacando que o servidor de virtualização é composto por software, equipamento de storage e exige que os dados estejam numa rede SAN (storage area network).

 

Gerenciamento de dados envolve ainda backup, restore e business continuity. “A empresa precisa saber o que fazer para recuperar o dado que foi gravado há cinco minutos ou dez meses. É preciso metodologia e política, além de testes periódicos”, lembra Armando Andrade, presidente da StorageTek.

 

As empresas que ainda não fazem gerenciamento dos dados estão perdendo dinheiro. Lobo, da Veritas, garante que a economia de disco e, por conseqüência, de custo, com o SRM é de 30% a 40%, eliminando arquivos repetidos, redundantes ou antigos.

 

Custo de gerenciamento - ou da falta dele - vem principalmente da equipe técnica. Uma administração mal feita gasta horas de trabalho do profissional, além do risco de perder a informação para sempre. Software de gerenciamento resolve esse problema: eles automatizam a operação de backup e diminuem a necessidade de manutenção.


|Computerworld - Edição 397 - 03/12/2003|                                                                                   

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