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Gestão

Soluções corporativas móveis ganham aceitação

O uso de aplicações móveis utilizando redes 1xRTT, Wi-Fi e GPRS começa a se tornar uma prática comum entre corporações de vários setores da economia.

Por Computerworld

29 de março de 2004 - 14h45
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O aquecimento do mercado de soluções corporativas móveis reflete-se nos números das empresas do segmento. Nos últimos dois anos, companhias como Spring Wireless, Pekus, Mitsca e MoWa vêm registrando aumentos substanciais nas suas bases de clientes. “No fim de 2001, tínhamos três clientes. Fechamos 2003 com 35, que deverão saltar para 55 no fim deste ano”, calcula Marcelo Condé, presidente da Spring Wireless.

Entre as contas de peso conquistadas pela Spring no ano passado, destacam-se a distribuidora de produtos gráficos SSP-Nemo, do grupo Suzano, e a fabricante de bebidas AmBev. “Essas empresas equiparam seus vendedores externos com PDAs conectados à rede celular 2,5G, permitindo acesso em tempo real aos sistemas corporativos de vendas”, diz Condé.

Segundo Alexandre Baccarin, diretor executivo da Pekus, um dos segmentos que mais demanda soluções móveis é o de pequenas e médias empresas. “Com apenas R$ 20 mil, pode-se montar uma rede Wi-Fi num pequeno restaurante, incluindo quatro aparelhos móveis e software”, calcula Baccarin.

Confira, a seguir, casos de aplicações móveis utilizando as tecnologias 1xRTT, Wi-Fi e GPRS.

Votorantim Celulose e Papel

O ano de 2003 pode ser considerado um marco para a Votorantim Celulose e Papel (VCP). A empresa aumentou seu lucro líquido em 201%, para R$ 853 milhões, e sua força de vendas comercializou 1,17 milhão de toneladas de papel e celulose. “Foi o melhor ano da história da VCP”, admitiu a companhia, em comunicado oficial.

O cenário de crescimento, no entanto, não impediu a empresa de enxergar falhas no seu processo de vendas. “Havia uma forte dependência dos nossos executivos de negócios em relação à área operacional, constantemente acionada por meio de telefonemas para prover dados sobre clientes”, diz Marcelo de Matheus, gerente de eBusiness da VCP. 

A solução encontrada foi dotar a força externa de total mobilidade, traduzida pelo uso de PDAs que permitem acesso “always on” a funções do sistema SAP. “Optamos pela tecnologia 2,5G oferecida pela Vivo, porque naquele momento se revelou a mais estável e aderente, além de cobrir as regiões que nos interessam”, explica Matheus.

A VCP reservou US$ 30 mil para o projeto, que foi encomendado à brasileira MoWa, especializada no desenvolvimento de soluções móveis corporativas. “Por ser uma demanda específica, descartamos os pacotes modulares e desenvolvemos uma solução exclusiva, com recursos que permitem ao vendedor fechar o negócio na casa do cliente”, diz Célia Sousa, diretora de projetos da MoWa. 

O trabalho da MoWa incluiu a integração com o back-office e reconfigurações necessárias para adaptação às dimensões reduzidas da tela do PDA. Para diminuir o retrabalho, no caso de eventuais instabilidades da rede celular, foi incluído recurso que armazena no dispositivo todas as consultas do usuário.

Em outubro do ano passado, 16 executivos de vendas receberam aparelhos Audiovox Thera, cedidos pela Vivo em regime de comodato. Com tecnologia CDMA 1xRTT, sistema operacional Windows for Pocket PC 2002 e processador Intel, os PDAs permitem acesso em tempo real a oito funções do SAP, incluindo cadastro de clientes, estoques, notas fiscais, duplicatas e histórico de pedidos, além de consultas a e-mails. A VCP adquiriu da Vivo pacote de serviços que inclui voz e um número definido de bytes trafegados.

O gerente da VCP relata os benefícios já visíveis: aumento de visitas (o número de consultas virtuais chegou a 200 só no primeiro mês de funcionamento); redução do número de consultas à área operacional; menos retrabalho na emissão de pedidos. A VCP já estuda a implantação de rede Wi-Fi, para aumentar a produtividade interna.

GOL

Quando as redes Wi-Fi ficaram mais conhecidas no Brasil, os executivos de TI da Gol Transportes Aéreos começaram a imaginar de que forma a inovação poderia ser usada para combater um dos principais aborrecimentos apontados por usuários de grandes aeroportos: as longas filas de check-in, sobretudo onde há serviço de ponte-aérea. A idéia da Gol era prover atendimento rápido e desburocratizado aos passageiros que viajam apenas com bagagem de mão, beneficiando de quebra os demais passageiros, com a redução das filas. Em dezembro de 2003, a empresa contratou a brasileira Underconstruction e a norte-americana Cirond para tocarem o projeto. Menos de dois meses depois, o serviço entrou em operação nos aeroportos de Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio de Janeiro).

Em Congonhas, quatro funcionários da Gol, uniformizados, circulam pelo saguão e parte do corredor, carregando um iPaq Pocket PC da HP. Por meio desse equipamento, o funcionário realiza o check-in e imprime o cartão de embarque em uma impressora térmica Seiko, conectada ao PDA por tecnologia de infravermelho. “Já estamos estudando o uso de Bluetooth para esse tipo de conexão”, informa Adriano Martins Pereira, gerente de processamento de dados da Gol. No Santos Dumont, três funcionários fazem o serviço, que em breve deverá chegar a outros dois grandes aeroportos.

A rede Wi-Fi implantada pela Gol utiliza a tecnologia 802.11b. O desenvolvimento e a escolha dos equipamentos ficam sob a responsabilidade da Underconstruction, enquanto a Cirond entra com a solução Winc Manager, para segurança e gerenciamento da rede. Em tempo: os passageiros da Gol sem bagagem a despachar também podem fazer check-in pela web, acessando o site da empresa aérea.

SPTrans

As tecnologias móveis de geração 2,5 vêm expandindo expressivamente o conceito de localização automática de veículos (AVL). Exemplo disso é o Matrix TP, uma solução para gestão de frotas criada pela integradora brasileira Mitsca. O Matrix TP foi desenvolvido com exclusividade para a São Paulo Transporte S.A (SPTrans), empresa pública gerenciadora do transporte coletivo de São Paulo. Ela partiu do conceito simples de AVL, mas incorporou funcionalidades sofisticadas capazes de que gerar um volume significativo de informações, além de permitir, em tempo real, a comunicação entre motoristas e o centro de operações.

De acordo com Iara Segatti, coordenadora de projetos da Mitsca, o que está por trás dessa evolução do AVL é o protocolo de telefonia móvel GPRS (General Packet Radio System). “Trata-se de tecnologia dominante, com cobertura nacional, que permite facilmente a integração e conexão always on”, diz a executiva. No caso do Matrix TP, a rede GPRS utilizada é a da operadora TIM, que atinge taxa média de transmissão de dados de 40 Kbps.

A executiva explica que foi desenvolvido para a SPTrans um computador de bordo que integra modem, protocolo GPRS, GPS (posicionamento global por satélite), botão de alarme, painel de comunicações de dados para mensagens de texto livre ou pré-programadas e sistema de voz. A tecnologia já está embarcada em 160 ônibus que transitam pela rota conhecida como corredor de Pirituba.

Entre as diversas funcionalidades do sistema, destaca-se análise do comportamento do motorista e de sua forma de condução, por meio de acompanhamento de velocidade, tempo de parada e de trajeto, desvios de percursos, movimentações não autorizadas etc. Uma das mais curiosas inovações, em fase de teste, é o contador de passageiros. “Poderemos chegar ao nível de saber quando e onde um passageiro subiu e desceu do ônibus, instalando nas portas dos veículos sensores que identificam peso, altura e dimensões de braços, pernas e cabeça de cada indivíduo”, diz Iara. De acordo com a executiva, essa e outras informações geram um banco de dados precioso, usado para planejamento, gestão e estratégias tanto pelas empresas operadoras quanto pela autoridade municipal.

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