Gestão
Vivo ainda está em fase de reestruturação
Depois de um ano e oito meses de operação , operadora ainda passa por inúmeras transformações em sua área de TI, departamento que hoje gerencia, simultaneamente, mais de 160 projetos.
Por Computerworld
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André Borges
Dá para contar nos dedos o número de empresas que hoje, no Brasil, esteja passando por mudanças tecnológicas tão complexas quanto a operadora de telefonia celular Vivo. Dona de uma carteira de 23,5 milhões de usuários, o que atualmente representa quase 45% do mercado nacional, a companhia vem consolidando, há mais de um ano e meio, um volume incontável de operações e processos herdados de suas empresas-mãe, os grupos Portugal Telecom e Telefónica Móviles.
Não poderia ser diferente. A Vivo, ao menos até hoje, existe apenas enquanto marca. Na hora de faturar uma despesa, por exemplo, a conta tem que ser dividida entre as seis operadoras que pertencem aos grupos: Telesp Celular, Tele Leste Celular, Tele Sudeste Celular, Celular CRT e Tele Centro-Oeste Celular.
Responsabilidades distintas, sistemas também. Hilton Mendes, diretor de inovação de terminais e plataformas, lembra que o processo de consolidação da Vivo teve início antes de seu lançamento oficial no mercado. Houve um movimento de integração muito forte tanto em sistemas quanto de pessoal, lembra.
Mas esta era uma luta sem data para acabar. Quem já sabia muito bem disso era Antonio Carlos Gonçalves, diretor de planejamento e infra-estrutura de sistemas da operadora. A Telefônica já tinha iniciado esse processo, co um sistema SAP consolidado, mas mesmo assim se tratava de seis empresas diferentes. Cada uma tinha seu modelo de gestão, desde sistemas de e-mail a datawarehouse, diz.
Essa história começou a mudar no primeiro semestre do ano passado, quando a diretoria de TI se debruçou sobre um cronograma para direcionar o processo de consolidação. Pela frente, milhares de operações por minuto rodando em oito data center espalhados pelo País, além de dois sites backup, um no Paraná e outro em Brasília. O que fazer? Decidimos criar um novo data center, que passou a abrigar os sistemas já consolidados da Vivo, comenta Gonçalves.
O mesmo prédio que hoje concentra a administração da Vivo na avenida Eng. Luis Carlos Berrini, nova área comercial de São Paulo, começou a abrigar as operações já integradas da operadora. No último carnaval, a equipe de TI cumpriu a missão crítica de retirar de um antigo data center na região da avenida Paulista, todo o sistema responsável pela base de pré-pagos. Como a operação não podia parar, sincronizamos as informações nos dois data centers um mês antes. Então, em apenas três horas, transportamos tudo, hardware e software, lembra. Tanto cuidado tem uma simples razão de ser. Hoje, os clientes do pré-pago representam nada menos que 75% da base de usuários da operadora.
A tendência, segundo o executivo, é de que o número de data center caia conforme a consolidação de diferentes sistemas vá se ampliando. Já aconteceu com as aplicações de billing, que rodavam em um CPD em Campinas, interior de São Paulo. Uma outra unidade localizada no bairro do Tatuapé, na capital Paulista, também foi desligada. Nenhuma de nossas regionais tinha capacidade para absorver as outras regionais. Por isso decidimos criar uma nova unidade, capaz de absorver as demais operações.
Tudo é prioridade
Envolvido com o gerenciamento simultâneo de mais de 160 projetos, Gonçalves afirma que não há prioridades em sua agenda, embora o peso de determinadas operações teime em desmentir o executivo. É o caso do sistema de mediação da empresa, produto desenvolvido internamente e que estreou recentemente, com o objetivo de controlar os processos de geração de receita da Vivo. Antes cada um tinha um sistema desses, agora estamos em fase consolidação, diz.
Com cerca de 300 milhões de eventos diários, entre voz, SMS e dados, a solução permitirá que operadora analise cada tráfego e possa distribuí-lo entre diversas áreas como faturamento, interconexão, sistema antifraude e roaming nacional e internacional.
Para armazenar essa massa de informação, a Vivo também está mergulhada em um projeto gigantesco de datawarehouse, iniciativa que envolve banco de dados da Teradata e ferramentas das empresas PowerCenter, SuperGlue e MicroStrategy. Com capacidade inicial de guardar 30 terabytes de dados (o que equivale à capacidade de 50 mil CDs), o programa deve ter sua primeira etapa concluída em outubro, com finalização prevista para o primeiro trimestre de 2005.
Paralelamente, Gonçalves se apressa para concluir a integração do sistema de gestão da SAP e padronizá-lo em todas operações da Vivo. O mesmo acontece com a área de Recursos Humanos, por meio de software da Peoplesoft e FPW, para folha de pagamento. Já na arena do relacionamento com o cliente, o desenvolvimento está a cargo dos cerca de 200 profissionais de equipe de TI.
O objetivo, afirma o executivo, é padronizar um front end em todas as operações de contato direto com os usuários. Todos esses projetos envolvem grandes aquisições. Já adquirimos uma grande quantidade discos, além de servidores de empresas como HP, IBM, Fujitsu, NCR e Sun, afirma Gonçalves, sem revelar quanto a empresa já investiu nesta saga tecnológica.
Enquanto isso, a operadora busca a padronização de seu parque de micro informática, hoje com 13 mil máquinas. As mudanças que envolvem desde ferramentas de segurança a sistema operacional, prometem sugar mais um ano de trabalho. Quando olha para frente, o diretor de planejamento não se engana. Sei que não chegamos à metade do caminho, mas estamos próximos disso. Depois da tempestade, a bonança.
O que é a Vivo
A operadora de telefonia celular é resultado de parceria entre a Portugal Telecom e a Telefónica Móviles. Atualmente, a Vivo só existe enquanto marca, isto é, suas operações são de responsabilidade direta dos acionistas. A atuação da companhia abrange 19 estados e o Distrito Federal, numa área de cobertura que chega a 86% do território nacional. Em 2003, faturou aproximadamente R$ 10 bilhões. Hoje a operadora conta com 23,5 milhões de usuários, concentra 6,7 mil funcionários e gera mais de 50 mil empregos indiretos.
|Computerworld - Edição 414 - 04/08/2004|
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