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Gestão

SarbOx impulsiona serviços em TI

Após adaptarem estruturas e processos às necessidades dos clientes para Sarbanes-Oxley, consultorias e fornecedores têm como desafio aproveitar a onda para beneficiar negócios futuros.

Por COMPUTERWORLD

22 de setembro de 2005 - 15h58
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Quando foi assinada em 2002, a lei de responsabilidade fiscal Sarbanes-Oxley significou para grande parte das companhias listadas nas bolsas norte-americanas mais uma incógnita na equação que envolve processos, gestão e custos.

A primeira impressão foi de que as novas normas trariam trabalho adicional frente àquilo que já estava previsto nos orçamentos, resultando em dores de cabeça extras para CIOs, CEOs e CFOs.

Pelo lado dos consultores e fornecedores de soluções para TI, a assinatura da lei significou crescimento das oportunidades de negócio, embora a percepção sobre como atuar nesses serviços não tenha sido propriamente considerada céu de brigadeiro. A missão mais árdua esteve no processo de aprendizado pelo qual os fornecedores precisaram passar para entender as reais necessidades das companhias e ter a visão nítida das exigências da lei.

"Cumprir com todas as exigências da Sarbanes-Oxley exigiu dos fornecedores e consultorias de TI uma visão integrada sobre governança corporativa, desempenho financeiro e tecnologia. Não seria possível, por exemplo, prestar serviços na área de SarbOx sem que estivessem claros esses conceitos e sem que profissionais devidamente qualificados estivessem à disposição do cliente", declara Christine Adams, vice-presidente de pesquisas para a área de serviços de consultoria do Gartner.

Na avaliação da especialista, a SarbOx representou ao mesmo tempo um lado positivo e outro negativo para as fornecedoras de serviços e consultorias. Positivo porque, obviamente, aumentou a demanda por soluções, enquanto foi negativo em virtude de aumentar o tempo do ciclo de fornecimento, uma vez que mais executivos dentro do cliente precisariam estar envolvidos no processo de tomada da decisão.

Já de acordo com Maurício Monteiro, analista sênior de mercado para serviços de TI na América Latina da IDC, a SarbOx fez com que muitos fornecedores e consultorias voltassem às origens. "Quinze anos atrás, consultorias que hoje atuam em outros ramos se originaram em processos. A SarbOx ajudou a fazer com que elas exatamente retomassem às suas origens. Isso foi favorecido pelo ?boom? de implementações, integrações e processos, a fim de adaptar os sistemas dos clientes às novas leis".

Para os dois analistas, em geral, as fornecedoras fizeram bem a tarefa de casa, que era justamente de entender as exigências da lei e auxiliarem seus clientes na implantação. A missão dos fornecedores em adequar suas estruturas internas às demandas da Sarbox, porém, não foram simples.

A Storagetek no Brasil, por exemplo, sentiu a necessidade de contratar profissionais com visão mais abrangente de negócios do que simplesmente técnicos em TI. "A mudança mais significativa favorecida pela lei foi a contratação de um time com essa competência. Reunir profissionais de tecnologia com eficiência na parte de negócios, que conseguissem, ao mesmo tempo, falar sobre tecnologia e conseguir atingir o conceito de adequação exigido pela SEC", afirma Márcio Venzi, consultor da companhia.

A Computer Associates, por sua vez, também passou por adaptações e fez com que a reorganização interna direcionasse a companhia para a prestação de serviços e oferta de soluções para a lei. "A reorganização das linhas de negócios da CA em dois grandes grupos - gerenciamento de sistemas e segurança - favoreceu o trabalho da companhia mais como unidades de negócios, oferecendo consultores, assessores de alianças e profissionais que fizessem o alinhamento com TI. Para isso trouxemos executivos com visão corporativa e negócios, atendendo as demandas de mercado", informa Leonardo Scudere, diretor para América Latina da divisão de Segurança da Computer Associates.

Emplacando a solução

De acordo com Christine Adams, do Gartner, o maior desafio das fornecedoras de TI desde a assinatura da SarbOx tem sido justamente mostrar para o cliente a real necessidade de determinadas soluções. "Mostrar para o cliente sua visão corporativa é um fator dominante e permite a contextualização de determinada solução e serviço. As fornecedoras devem estar aptas a demonstrar como e onde as soluções pontuais podem ser incorporadas pelas companhias", afirma.

Um grande ponto comum entre StorageTek, EMC, Computer Associates e também a HP, está no fato de que todas elas têm como aliadas consultorias e auditorias externas, como Delloite (veja quadro abaixo), Bearing Point e Accenture para fazer o mapeamento das necessidades dos clientes para a adequação.

"Nunca vamos ao mercado com proposta de valor de entrega de consultoria. Isso faz com que o cliente se sinta confortável na análise das necessidades", ressalta Scudere, da CA. No entanto, além da consultoria externa favorecer a confiabilidade de determinada solução, a CA adotou um modelo de serviço nos Estados Unidos - e que foi anunciado há algumas semanas no Brasil - que permite aos clientes mapear suas necessidades e optar somente por aquilo que pretende implantar, sem a necessidade da compra de um pacote completo de soluções.

"Trata-se do modelo de maturidade. Este é um serviço de consultoria que leva de duas a seis semanas na fase inicial. Ele mostra onde está a empresa e aonde ela quer chegar. O ponto forte está no fato de que o CFO pode não optar por todos os modelos de componentes. Ele escolhe aqueles que mais se adequam às suas necessidades naquele momento, o que pode ser bastante útil quando falamos em SarbOx", ressalta.

Ainda segundo a CA - que geralmente utiliza como métricas o ITIL (IT Infrastructure Library) e o Cobit (Control Objectives for Information and Related. Technology) - o formato do serviço apresenta ao cliente uma visão de médio e longo prazos sobre a solução de gestão de segurança agregada aos negócios.

Já a HP aposta na experiência própria para transmitir ao cliente a necessidade de adequação à Sarbanes. "A experiência prática da HP tem contado muito no fornecimento de soluções para SarbOx. Não somos daqueles que têm uma visão mais romântica da realidade, principalmente porque vivenciamos Sarbanes Oxley. Já temos soluções prontas e comprovadas que podem ser aplicadas aos clientes, não somos teóricos", afirma João Cerqueira, diretor da área de Consultoria e Integração da HP Brasil.

De acordo com o executivo, as principais demandas das empresas no País que necessitam estar adequadas à Sarbanes em virtude dos papéis listados na NYSE e Nasdaq dizem respeito aos processos de TI, seguidos por segurança e continuidade de negócios.
"As demandas por soluções de TI dizem respeito a 50% de nossos projetos de Sarbanes, enquanto 30% são relativos a segurança e 20% a continuidade de negócios", diz, ressaltando que as diretrizes normalmente são ITIL e Cobit, utilizados de maneira combinada.

 A HP não revela quais clientes já atendeu para soluções relacionadas a Sarbanes, apenas limita-se a dizer que quatro projetos já foram concluídos no Brasil desde o início das atividades relacionadas com a lei no início de 2004. Atualmente, outros 20 projetos estão em andamento.

Compasso de espera

Os fornecedores globais de TI e também os do Brasil adaptaram-se bem às exigências de Sarbanes no que diz respeito ao entendimento das necessidades dos clientes e viram, ainda que em parte, suas receitas aumentarem em virtude das demandas da lei, de acordo com o Gartner. No entanto, o desafio para o futuro está justamente em como aproveitar a onda de demandas para continuar fornecendo soluções.

"Os provedores se adaptaram bem ao entendimento das regulamentações e têm manifestado isso aos clientes. A grande missão está em descobrir como essa onda pode ser aproveitável no futuro. A grande pergunta a ser respondida está em: como essas tecnologias fornecidas hoje podem ainda ser quentes em longo prazo?", diz Christine Adams.

Na avaliação da EMC Brasil, uma grande chance para os fornecedores está justamente em aproveitar a versatilidade das soluções. "A partir dos projetos de Sarbanes Oxley podemos partir para outros projetos de integração de informação de várias aplicações, análises inteligentes e outros projetos que enderecem outras necessidades, como as referentes à Basiléia 2", diz Hermann Pais, diretor de inovação da EMC Brasil.

Para Leonardo Scudere, da CA, o rigor com que a SEC vai punir as empresas que não se adequarem às exigências de processos vai servir como um fator determinante para que os próprios fornecedores de TI adaptem ou, se necessário, reestruturem seus serviços frente a SarbOx.

"Se a SEC realmente agir com rigor, vai haver uma corrida por parte das empresas listadas em bolsa para se fazer uma readequação. Os fornecedores, por sua vez, poderão avaliar esse resultado justamente para adaptar suas estratégias", declara.
O prazo inicial para que as empresas norte-americanas se adaptassem à primeira fase das determinações da SarbOx havia sido estipulado para dezembro de 2004. No entanto, o órgão regulador ampliou o prazo para o último mês deste ano. As empresas brasileiras listadas, no entanto, terão até o final do primeiro semestre de 2005 para se adequar.

A vez das pequenas

Enquanto grandes fornecedoras de TI destinam equipes inteiras ou utilizam sua própria experiência como adeptas da SarbOx, as pequenas e médias consultorias investem em diferenciais para conquistar também um filão neste mercado.
Uma das grandes oportunidades das pequenas e médias está justamente em se especializar em nichos de mercado, de acordo com o segmento dos clientes, ou então em partes do processo de adequação da Sarbanes.

A ITXL, por exemplo, foi uma das que aderiram a essa estratégia para conquistar clientes. "Optamos por nos especializar  em adequar os processos da área de Tecnologia da Informação aos requisitos da SarbOx. Existe um documento da Public Company Accounting Oversight Board (PCAOB) que diz ?a natureza e características de uso de TI nos sistema de informação afeta o controle interno sobre os relatórios financeiros?. Nós resolvemos focar nesta questão e ajudar o CIO na tarefa de mitigação de riscos para a organização", informa David Pereira, diretor da ITXL.

De acordo com o executivo, entre os principais benefícios do modelo tanto para a consultoria quanto para o cliente está no fato de a empresa conseguir entender o nicho de atuação e falar "a mesma língua" que o CIO.

A estratégia de nichos ou separação por partes do processo também é bem vista pelos analistas. De acordo com Maurício Monteiro, da IDC, ela pode ser bastante útil justamente para não colocar grandes ou médias e pequenas empresas como opositoras.

"Não é o caso de existir uma briga direta entre pequenas, médias e grandes empresas. Vejo que existe uma complementaridade das ofertas e as empresas que necessitam de adaptação podem aproveitar partes do processo tanto a partir das companhias com maior ou menor porte", diz.

Na visão do analista, 2006 será um ano forte para a demanda de soluções e serviços relativos à Sarbanes no Brasil, já que vence o prazo para a adequação da primeira fase das normas e procedimentos estabelecidos pela SEC.

StorageTek e Deloitte juntas para Sarbox

Com a intenção de atender as demandas das companhias que necessitam se adaptar à Sarbanes-Oxley, StorageTek e a Deloitte Consulting anunciaram um acordo para fornecer consultoria. Entre os serviços previstos estão análises para a adoção de soluções de armazenamento e arquivos exigidas pela Sarbox, com valores a partir de 500 mil dólares. A estratégia é oferecer uma versão ampliada do serviço Business Value Assessment, da StorageTek, e fornecer os serviços aos consumidores nos Estados Unidos e Canadá - incluindo órgãos públicos e de saúde - até o quarto trimestre deste ano. O contrato, porém, não vale para o Brasil.

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