Cresce a demanda por arquitetos de TI
Cresce a demanda por líderes que tenham uma visão ampla da corporação e suas necessidades tecnológicas.
O arquiteto de TI é cada vez mais importante para a indústria de tecnologia da informação, sendo um executivo procurado tanto por organizações estabelecidas quanto por start-ups. O cargo requer que profissionais de rede adquiram novas habilidades e pode proporcionar oportunidades de carreira adicionais - e isso não acontece só em companhias estrangeiras.
À medida que os postos de TI se tornam mais especializados e incluem responsabilidades cada vez mais detalhadas, cresce a demanda por alguém capaz de unir os vários silos de expertise, diz Al Volvano, gerente de produto do Learning Group da Microsoft.
"Os arquitetos corporativos não são apenas especialistas em tecnologia: eles são líderes com vasto conhecimento de tecnologia, entendimento para aplicá-lo a problemas de negócio e habilidades de comunicação necessárias para coordenar as pessoas que irão colocar seus planos em ação", define Bill Liguori, vice-presidente sênior e co-fundador da empresa de colocação de pessoal Leadership Capital Group. Na visão de Manuel Alcoba, sócio-diretor e responsável pela área de TI da DMR Consulting, o arquiteto de TI é o profissional que visualiza o cenário ideal para a empresa, fazendo um paralelo com os recursos disponíveis. "É como um arquiteto tradicional, de prédios. Ele sugere a melhor construção que se pode fazer com a verba que se dispõe", compara.
Jim Phelps, arquiteto de TI sênior do Departamento de TI da Universidade de Wisconsin, está encarregado de avaliar o efeito e a adequação de tecnologias e alinhar soluções técnicas com as metas de TI da universidade. Como descreve Phelps, o cargo requer "ampla visão para voar muito alto a maior parte do tempo e descer à terra de vez em quando para obter detalhe suficiente". O executivo se dedica principalmente à colaboração, problemas de gerenciamento de identidade e modelos de integração.
Seu departamento tem três arquitetos de TI e já se fala em acrescentar outro. "A universidade cresceu e gostaríamos de fornecer serviços integrados. Não queremos que os alunos tenham de acessar diferentes sistemas para chegar à biblioteca, e-mail e agenda", justifica Phelps. "Aumentou a demanda por alguém que tenha visão geral."
Recentemente, Phelps interveio quando dois grupos de universidades estavam usando "e-grading" para descrever projetos não relacionados. O registrar estava iniciando um projeto de submissão de grade eletrônico self-service e, ao mesmo tempo, o grupo de tecnologias de aprendizado estava trabalhando para integrar o aprendizado online com o sistema de informação de aluno. O grupo de arquitetura uniu as equipes e apresentou tecnologias e definições em comum para reduzir a confusão.
Na unidade brasileira da Basf, o número de arquitetos de TI é bem maior: são 15 profissionais, que definem a arquitetura de projetos estratégicos. "Aqui esses executivos são pessoas que conhecem muito de tecnologia e bastante do negócio também", explica Fábio Fantini, hoje coordenador de operações. O profissional conta que na estrutura da empresa cada unidade de negócio tem um gerente de negócios de TI, que se preocupa com as soluções tecnológicas para sua vertical.
O arquiteto, em contrapartida, vê a TI de forma horizontal na companhia, promovendo um alinhamento entre as unidades.
Pablo Clar, arquiteto de TI especializado em plataforma analítica da Basf, que trabalha a oito anos nessa função, explica que os gerentes de negócio fazem requerimentos aos arquitetos, que por sua vez pensam na melhor solução tecnológica para o que foi pedido. "Nós avaliamos, por exemplo, se é preferível desenvolver um sistema internamente ou se é melhor terceirizar", diz.
Naturalmente, a função de um arquiteto de TI pode variar muito de uma empresa para outra. Cada organização pode ter um conjunto de sistemas operacionais, bancos de dados e frameworks que pretende usar, bem como aplicações específicas da indústria para ambientes que variam de hospitais a lojas de varejo. O mais comum no Brasil, segundo Alcoba, da DMR Consulting, é existir dois arquitetos no máximo por empresa.
"Arquiteto provavelmente é o termo em TI que sofre mais abuso", observa Tony Redmond, CTO da HP. "Quando você diz 'arquiteto', o que você quer dizer?" Muitas empresas têm funcionários que se autodenominam arquitetos, mas podem ser qualquer coisa, de CIOs a programadores, explica Redmond.
Segundo Liguori, em muitas companhias há um arquiteto corporativo que reporta ao CIO e tem uma visão ampla da infra-estrutura da empresa. Visto que os arquitetos de TI corporativos são responsáveis por fazer a ponte entre negócio e TI, eles precisam ter habilidades de comunicação e liderança excelentes aliadas a um entendimento detalhado das tecnologias que a organização utiliza. Sob o arquiteto corporativo estão arquitetos mais especializados, voltados para soluções, informação, infra-estrutura e segurança, por exemplo.
O diretor de TI da GE Brasil, Loïc Hamon concorda com essa confusão que se faz com o termo. O nome deste cargo é usado para qualificar desde um programador júnior até um executivo sênior. Segundo o CIO, esses profissionais não têm necessariamente o título de "Arquiteto de TI" no seu cartão de visita. "Pode ser o CTO (infra), CSO (segurança), um líder da área de desenvolvimento, entre outros. Arquiteto é mais uma função do que um título propriamente dito", afirma.
Na unidade nacional da empresa em que Hamon atua não existe nenhum arquiteto de TI, pelo menos com essa descrição no cartão de visitas. Para o executivo, o trabalho de prospecção, definição de padrões e conhecimento da atividade fim da empresa é no Brasil uma função típica de CIO. "Salvo em organizações muito grandes, o CIO local/regional acaba fazendo a ponte entre as necessidades do negócio e as diferentes soluções tecnológicas disponíveis. Isto é: na maioria das vezes, não existe a figura individual do 'Arquiteto de TI', pois esta função acaba sendo desempenhada pelo próprio CIO", explica.
Na GE, Hamon afirma que é o CIO global quem define grandes direcionamentos estratégicos, como simplificação, intimidade com o cliente e também trabalha em alianças políticas com os executivos seniores da organização. Na opinião dele, a função de uma equipe de "arquitetos", geralmente na equipe deste CIO global, estabelece um modelo que operacionaliza esta visão.
Para chegar lá
A experiência exigida de um arquiteto de TI varia muito. Para o mercado norte-americano, um arquiteto corporativo deve ter entre 10 anos e 15 anos de experiência como consultor de TI, enquanto um arquiteto de nível mais baixo talvez precise ter de cinco anos a 10 anos de experiência, indica Liguori, da Leadership Capital Group.
Talvez em conseqüência da demanda crescente, Microsoft e The Open Group lançaram programas de certificação e estão empenhadas em definir formalmente tipos diferentes de arquitetos de TI. Os programas de certificação de arquitetura de TI se dirigem a profissionais de rede seniores com histórico comprovado. Estes indivíduos são acompanhados por mentores que os ajudam se preparar para suas avaliações, que consistem de apresentações para juntas examinadoras de arquitetos. Uma apresentação dura cerca de duas horas e testa conhecimento técnico e habilidades de negócio e comunicação.
Ao contrário dos programas de certificação puramente técnicos, não há teste por escrito e não há tecnologias específicas que os candidatos tenham que saber. Eles precisam demonstrar um entendimento amplo de padrões e metodologias de TI, bem como um entendimento mais profundo de alguns tópicos específicos de sua escolha.
Entretanto, nenhum programa de certificação padronizado pode testar arquitetos em função de necessidades específicas de uma determinada empresa. Liguori argumenta que estes programas são úteis em alguns casos, mas, "no fim das contas, cada organização tem uma arquitetura diferente". Cada empresa tem necessidades diferentes e um programa de certificação não é capaz de provar que um arquiteto estaria qualificado para trabalhar em todas as empresas, particularmente em setores especializados.
* Com tradução de Ryan DeBeasi, Network World.
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