A caminho da cadeira de CIO
Esforço, competência e uma certa dose de felizes acasos são essenciais para o profissional que almeja a posição de principal executivo de TI; a formação técnica, porém, pode ser dispensável.
Quando escolheram o curso superior que fariam, nenhum dos executivos eleitos pelo COMPUTERWORLD como os IT Leaders 2005 imaginava chegar uma dia à posição de CIOs (chief information officer) - até porque o cargo não existia à época. Assim como eles, que chegaram onde estão levados pelo esforço, pela competência e por uma certa dose de felizes acasos, muitos dos profissionais que atualmente ocupam a posição de principal executivo de TI dentro das grandes empresas no Brasil nem sequer tiveram formação acadêmica ligada à área de Exatas.
Uma rápida conversa com os IT Leaders 2005 indica que o caminho para chegar ao topo varia. No entanto, aquilo que se tornou um dos mais batidos chavões do setor, mostra-se a mais pura realidade no setor: o executivo de tecnologia precisa, cada vez mais, conhecer os processos e negócios da companhia.
Oscar Marchini, gerente de TI da Itaú Seguros, é radical. Para ele, o profissional com pretensão de chegar a CIO deve iniciar sua formação pelo lado de negócios, para então buscar especializações. "Se começar pelo lado técnico, o profissional pode até ter sucesso em negócios, mas isso levará muito tempo", acredita. "É mais rápido obter a especialização em TI depois", completa. A CIO e diretora de RH da Ticket Serviços, Eliane Maria Aere, concorda. Na visão dela, durante a formação, é mais importante privilegiar questões como a gestão de pessoas, de recursos e de processos, do que desenvolver a área técnica. "Acho que é mais fácil se capacitar na área técnica do que ensinar alguém a lidar com sua equipe, seus fornecedores, seus pares, entre outros", afirma. Eliane diz ainda que, em seu time, não faz distinção para a formação acadêmica do profissional: "O que me importa é a aplicabilidade que ele consegue daquilo na vida".
Ao contrário, Giovanni Genovesi, gerente de TI da Roche, sugere que o caminho para chegar ao cargo máximo em tecnologia comece por uma graduação técnica. Só depois o profissional deve focar áreas gerenciais. "O CIO tem de conhecer a área técnica, mas precisa ter consciência de que entender de negócios é essencial", conclui. Já Vera Marques, CIO da Basf, acredita que a ordem da formação não interfere na qualidade do profissional. "O importante mesmo é buscar um equilíbrio. Sugiro que quem deseja ser CIO busque oportunidades fora do País. Há muitos MBAs que oferecem módulos no exterior", aconselha.
"Gosto de quem consegue sustentar uma visão da superfície, porque mesmo que não desenvolva sistemas, precisa ter parâmetros de análise", afirma Wellington Brigante, CIO da Camargo Corrêa Cimentos. Na hora de compor sua equipe, o executivo busca profissionais com base forte e potencial de crescimento. Mesmo que não sejam especialistas.
Além dos cursos
José Luiz de Cerqueira César, vice-presidente de Tecnologia do Banco do Brasil, não mede a capacidade de um profissional pela quantidade de cursos que tem no currículo. "O pulo do gato está em bases filosóficas, na capacidade lógica de raciocínio e de articulação em redes de contatos", acredita Cerqueira César. Para ele, os modelos atuais de faculdade e MBA estão ultrapassados. "Os cursos deveriam ter disciplinas que estimulassem a capacidade de raciocínio e modelos colaborativos", critica. "A tecnologia muda com muita freqüência. Uma nova tecnologia pode colocar por terra tudo o que o profissional estudou", alerta. Para Cerqueira César, é fundamental a capacidade de antever movimentos do mercado, e isso se desenvolve com disciplina, leitura e pesquisa - cursos nem sempre são essenciais.
Da mesma maneira, Lucio Antonio Nubile, CIO da Cummins, diz que o profissional que busca conhecimentos dentro da empresa é o que tem mais chances de crescer. Ele atribui sua chegada ao cargo ao fato de ter passado por diversas áreas dentro da companhia. Na hora de contratar, Nubile valoriza o investimento feito pelo profissional na carreira, além da predisposição para dar um passo atrás em troca de dois para frente no futuro.
O sucesso no relacionamento interpessoal é fundamental em um aspirante a CIO, na opinião de Reinaldo Melero, da Copagaz. "A formação é muito importante, mas costumo ir além e dar destaque para a vivência do profissional e suas habilidades", conta. A capacidade de liderança também é bastante valorizada por Renato Blanco, CIO da Votorantim Celulose. "O mundo de TI é um mundo de negociações. Mesmo que precise de conhecimentos técnicos, não abro mão de contratar alguém com visão de negócios", decreta.
Frases
"Sinto falta de algum curso mais específico na área de economia e finanças" - Eliane Maria Aere (Lia),CIO e diretora de RH da Ticket Serviços
"O foco de TI está mudando. Está mais próximo ao negócio" - Giovanni Genovesi, gerente de TI da Roche
"As atividades menos voláteis farão a diferença em um profissional" - José Luiz de Cerqueira César, vice-presidente de Tecnologia do Banco do Brasil
"Sempre fui mais generalista do que especialista em um tema" - Lucio Antonio Nubile, CIO da Cummins
"Eu faria tudo absolutamente igual, porque eu sempre fiz tudo motivado pela paixão" - Ney Santos, CIO do Pão de Açúcar
"No empate, a faculdade que o profissional cursou faz a diferença" - Oscar Marchini, gerente de TI do Itaú Seguros
"Mais do que a formação acadêmica, o profissional tem de ter sucesso no relacionamento interpessoal" - Reinaldo Melero, CIO da Copagaz
"Não abro mão da experiência com visão de negócios" - Renato Blanco, CIO da Votorantim Celulose
"Por questões pessoais, se fosse começar hoje, olharia para áreas voltadas à natureza, paisagismo" - Roberto Meizi Agune, coordenador de sistemas estratégicos de informação da Fundap
"Um bom caminho para ser CIO é seguir a área de gestão. Eu mesma nunca pensei em ser técnica" - Vera Marques, CIO da Basf
"O CIO não fornece soluções de tecnologia. Ele encontra soluções para o negócio" - Wellington Brigante, CIO da Camargo Corrêa Cimentos
Potencial CIO?
Diretores de tecnologia revelam o que consideram na hora de contratar um profissional de TI. Aqueles que reúnem as dez características abaixo são fortes candidatos ao cargo de CIO no futuro.
1) Potencial de trabalho em equipe
2) MBA em área administrativa e gestão de TI
3) Dinamismo
4) Investimentos na carreira
5) Formação acadêmica sólida, em universidades de primeira linha
6) Estágio de pelo menos um ano no exterior
7) Inglês sólido
8) Espírito de liderança
9) Pró-atividade
10) Capacidade de adaptação a novas tarefas e desafios
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