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Supercomputadores substituem grid na Petrobrás

O Beowulf, modelo de supercomputadores baseados em um cluster de servidores idênticos, criado pela Nasa em 1995, foi adotado pela petroquímica em 1997.

Por Fernanda K. Ângelo, do COMPUTERWORLD

30 de março de 2006 - 07h15
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"Um cluster de servidores idênticos construído com componentes que estão dentro do padrão de mercado e voltado para o processamento paralelo de dados, rodando o sistema operacional Linux." É exatamente assim que Luiz Monnaret, consultor de negócios da gerência de tecnologia da Petrobrás descreve o Beowulf, classe de supercomputadores utilizados pela companhia desde 1997 em lugar da computação em grid, que só agora parece ganhar terreno no mercado corporativo.

O modelo de processamento foi criado em 1995 pela agência espacial norte-americana (Nasa) e, ao contrário do grid computing, que trabalha com ambientes heterogêneos, graças, principalmente, ao suporte dos softwares de virtualização, o Beowulf adota clusters totalmente homogêneos, facilitando a sua administração, já que demanda apenas uma configuração para todos os servidores.

No Beowulf, de acordo com Monnaret, cada processador trabalha como um nó de uma rede tradicional que interliga microcomputadores. A diferença, no entanto, está na forma como se dá o processamento. Cada chip processa uma parte da tarefa entregue ao supercomputador. Os dados são armazenados em uma central de discos à qual todas as CPUs têm acesso, cada uma com seus componentes próprios (placa-mãe, memória, disco rígido e sistema operacional).

A Petrobrás adotou o primeiro supercomputador Beowulf há quase dez anos. Na ocasião, a máquina tinha dez processadores, que simulavam o comportamento de reservatórios de petróleo, em parceria com universidades de São Carlos e de Campinas (ambas no interior de São Paulo). Em 1999, montou o primeiro cluster para processamento sísmico. Este com 72 CPUs. Hoje, a companhia petrolífera conta com o BWR2, que possui 1,67 mil CPUs, com capacidade de processamento de até 7 teraflops por segundo, memória RAM de 3,3 terabytes e 100 terabytes de área em disco.

Atualmente, a Petrobrás tem cerca de 6 mil CPUs dedicadas exclusivamente ao processamento de dados sísmicos. Desses, 50% estruturados em uma plataforma de 64 bits. A maioria dos processadores, dividia em oito Beowulfs, está no Rio de Janeiro, onde fica a sede da companhia.

A base de supercomputadores levou a Petrobrás a criar, em 2004, seu Centro de Contingência de Tecnologia da Informação (CCTI) devido ao esgotamento da capacidade de energia e refrigeração do edifício-sede. As novas instalações das supermáquinas ocupam 675 metros quadrados e consomem 1,5 megavolt ampéres (MVA), potência suficiente para acender 15 mil lâmpadas de 100 watts cada. A capacidade de refrigeração de ar chega a 5 milhões de unidades térmicas britânicas (BTUs), que correspondem a 600 aparelhos domésticos de ar condicionado.

Três dos supercomputadores da Petrobrás entraram na lista Top 500 de supermáquinas divulgada na Alemanha - o BWR1, com 1,3 mil processadores e o BW7, com 1.084 CPUs, implantados no Rio de Janeiro, e o Trindade, que opera no Espírito Santo, com 512 CPUs.

Curiosidade

Beowulf foi um personagem épico de um poema anglo-saxônico dos séculos VIII e IX. Em homenagem a ele, em 1994, os cientistas americanos Donald Becker e Thomas Sterling, do Centro de Excelência em Dados do Espaço e Ciências da Informação (Cesdis) batizaram a primeira máquina desse gênero. O supercomputador foi criado para a Nasa com 16 processadores 486 DX-100.

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