Gestão
Tecnologia ainda importa
Ao contrário do que prega Nicholas Carr, TI pode ser um diferencial importante nos negócios corporativos ? pelo menos é isso o que indica a pesquisa "Why IT Matters in midsize Firms".
Por COMPUTERWORLD*
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De tempos em tempos os novos gurus do mundo moderno chocam seus pares com teses bombásticas. Já se previu o fim da história, mesmo que de forma figurativa, e até mesmo que a TI se tornaria uma commoditie como energia elétrica como aconteceu no artigo "IT Does Matter?" (ou TI realmente importa?), de Nicholas Carr. Como uma resposta concreta a essa afirmativa, a pesquisa "Why IT Matters in midsize Firms" (Porque TI importa para empresas de médio porte), realizada pela Keystone Strategy sob encomenda para a Microsoft, obtida com exclusividade pelo COMPUTERWORLD, joga luz sobre a importância da melhor utilização da tecnologia nos processos corporativos como forma de tornar as companhias mais eficientes.
Realizado sob a supervisão do professor Marco Iansiti, da Harvard Business School, o estudo feito em três países (Estados Unidos, Alemanha e Brasil) com companhias entre 100 e 500 funcionários soma 607 respostas. A análise, que se deteve em 40 questões que abordam a melhoria nos processos e não apenas o montante gasto com tecnologia da informação, evolui de temas como vendas e marketing até a aspectos que mostram a melhoria da produtividade interna.
O resultado, além de fotografar o ambiente das médias empresas, faz a proposição de que a implementação da tecnologia deve ser precedida por uma estratégia de negócios e por processos bem definidos para se alcançar uma melhoria nos lucros. Novidade? Nem tanto, mas os números e as questões levantadas pelo relatório podem enfatizar e balizar essas premissas. Há, por exemplo, um dado que chama a atenção: as empresas brasileiras com maior grau de automatização de seus processos cresceram em média 5% a mais que as outras.
É certo que o estudo serve não apenas como um farol para entender a real importância da TI no segmento das médias companhias, como oferece um comparativo para entender a evolução das empresas brasileiras em comparação com as norte-americanas e alemãs. "A grande surpresa, mais até para a Keystone que para nós, foi a grande eficiência nos serviços financeiros no Brasil. Estamos muito bem neste quesito e, no geral, as empresas nacionais têm um grau eficiente de uso de TI", conta Michael Wegmann, gerente de estratégia de mercado global de midmarket da Microsoft. "O maior problema detectado na pesquisa é que o conhecimento dos clientes nestas empresas ainda é muito restrito."
Os números do levantamento apontam isso. As companhias brasileiras do Top 25% (as que estão no patamar de cima da avaliação) pontuaram 73,5%, muito próximo da média global e abaixo apenas das empresas alemães. Porém, essas mesmas organizações têm resultados baixos em áreas que analisam o marketing, CRM (gerenciamento das relações com clientes) e mesmo o e-commerce. "Pode parecer um paradoxo, mas as empresas brasileiras estão atrasadas também na integração on-line com os bancos, mesmo com todo o nosso avanço neste setor", aponta Wegmann.
Mas porque ainda se caminha por aqui a passos mais lentos que nos Estados Unidos quando o tema é e-commerce? Para Reinaldo Lorenzato, gerente de TI da Sonopress, empresa que faz parte da holding alemã Bertelsmann, esse atraso é cultural e de infra-estrutura. "É lógico que os Estados Unidos levam vantagem por ter uma longa história de venda por catálogos, o que facilitou a disseminação do e-commerce. Mas ainda sofremos no Brasil com problemas de pré e pós-vendas, como a entrega de produtos", compara o executivo.
Retrato fiel do Brasil?
Se os resultados demonstrados na pesquisa da Keystone e Microsoft apontam para um grau de maturidade interessante e afinado com o mundo, ainda há espaço para mais avanços. Lorenzato ressalta que o mercado brasileiro de TI para médias empresas é maduro no que diz respeito a sistemas e produtos, entretanto alerta que a área de serviços ainda é problemática. "A mão-de-obra é muito boa, mas o provedor ainda não trabalha com metodologias e patina muito na condução de projetos", argumenta.
Mas será que isto pode mudar no médio prazo? Um dos objetivos da Microsoft com a pesquisa é auxiliar não apenas as empresas de porte médio a reconhecer áreas importantes que podem ser apoiadas pela tecnologia - ou até que sirvam como um start para o mapeamento dos processos -, como sinalizar para seus parceiros os pontos que podem ser explorados em termos de serviços e soluções.
Um partner da empresa, a RM Sistemas, software-house mineira que desenvolve sistemas de gestão para médias empresas, também vê problemas e oportunidades na prestação de serviços. "É sabido que ainda é complicado para uma companhia que não é grande obter uma maior atenção no serviço do seu provedor. Temos investido muito nesse sentido", garante Eduardo Couto, diretor comercial da empresa.
Por outro lado, Couto aponta que é irreversível o investimento em TI pelas médias empresas. "Elas já reconhecem que o investimento garante um retorno muito rápido, ainda mais se estão voltados para a automatização dos processos e a melhoria dos negócios", defende.
É interessante ver a quantidade de empresas brasileiras pesquisadas que alcançaram a maior pontuação: nada menos que 21,8% das organizações estão no patamar dos 73,5% de adoção de TI, um número alentador, ainda mais se comparado com a Alemanha. Uma boa mostra da maturidade do setor no País, mas que não mascara a forma como as empresas encaram TI dentro da sua estratégia de negócios, que ainda é pautado em demasia pelos desejos da sua direção. (Marcio de Castro, especial para o COMPUTERWORLD)
Portal quer ser referência
Recentemente a Microsoft lançou o portal Midsize Business Center, destinado às empresas de médio porte, no qual será disponibilizada a pesquisa "Why IT Matters in midsize Firms" em sua íntegra. A idéia é que ele sirva como um repositório de informações, casos de sucesso e, claro, soluções da Microsoft visando aos executivos que têm poder de decisão."É uma forma do cliente conhecer a tecnologia voltada para a sua empresa, mas também queremos que seja um canal de informação bem focado no segmento. Nossa intenção é ser uma referência", aponta Wegmann.
Dentro do portal, tanto parceiros quanto clientes terão uma extensa gama de informações - busca pelos parceiros da Microsoft, auto-suporte, formas de licenciamento etc. - e é possível que as empresas avaliem rapidamente se os seus investimentos em TI estão sendo bem endereçados. Outra idéia interessante é que os interessados possam comparar a sua pontuação e eficiência com aquelas companhias da pesquisa Keystone/Microsoft.
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