Gestão
Terceirização compulsiva tem os dias contados
Por Ana Paula Oliveira, do COMPUTERWORLD
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“No modelo antigo ou tradicional de terceirização, os contratos já estavam obsoletos no momento em que eram assinados”, exemplifica o executivo. Quem já não ouviu histórias de terceirização sobre serviços que ‘despencam’ em qualidade após o primeiro ano de contrato? O primeiro passo em direção ao multisourcing, na visão do analista, é a criação de cláusulas que garantam mais flexibilidade ao contrato. “Não adianta prever mudanças somente nas quantidades e capacidades contratadas, mas principalmente, nos tipos de soluções de TI fornecidas”, alerta Dreyfuss.
Para o cliente, esse é um exercício constante, de revisão de necessidades, estratégias e de relacionamento com o provedor. Já do lado do fornecedor, o desafio é estar pronto para ajustes finos e mudanças de rota, tendo sempre em vista uma relação de parceria estratégica com o cliente. Para quem acha que na prática, esse nível de interação nunca vai funcionar, dada a complexidade dos universos do cliente e de seus fornecedores, vale relembrar exemplos reais de empresas que aplicam esse conceito de forma direta em seu bem mais precioso – o produto final.
Um deles é o setor automobilístico. Pressionado por custos cada vez mais altos e concorrência mais acirrada, empresas como General Motors e Ford utilizam de forma sistemática o conceito de “sistemistas”. Tanto ao redor da planta da GM localizada em Gravataí, no Rio Grande do Sul, quanto na fábrica da Ford sediada em Camaçari, na Bahia, existem comunidades de fornecedores que fornecem em tempo real as peças necessárias para a montagem dos automóveis. Desta forma, o estoque interno é zero e o tempo de reposição é mínimo.
Na área de tecnologia, por sua vez, o maior exemplo mudou totalmente a forma como se fabricava computadores. Quando Michael Dell criou a Dell Computers, em 1985, ele queria formar uma empresa que vendesse produtos customizados de acordo com a necessidade do cliente. Para ter a agilidade necessária que garantisse este diferencial, o executivo adotou o modelo ‘built to order’, que exigia dos fornecedores rapidez na entrega os componentes de acordo com a configuração de cada lote de pedidos. Isso reduziu dramaticamente os custos, acelerou o processo de fabricação e melhor ainda, agradou a milhares de clientes em todo o mundo. “É esse tipo de raciocínio que as empresas precisam ter em relação aos seus fornecedores de TI. Elas precisam estar dispostas a formar uma parceria de forma a contar com este parceiro na hora em que precisar mudar o rumo”, sugere Dreyfuss.
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