Gestão
Terceirização compulsiva tem os dias contados
Por Ana Paula Oliveira, do COMPUTERWORLD
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No Brasil, apesar da adesão ao outsourcing de TI já estar consolidada, a evolução rumo ao multisourcing ainda está em andamento. Empresas como Natura, Cia. Vale do Rio Doce e Orbitall (veja quadro) já fazem na prática o que o conceito sugere na teoria. Na avaliação local do Gartner, setores como os de manufatura, varejo e serviços estão na dianteira, visto que a gestão e o desenvolvimento de fornecedores já são aplicados no dia-a-dia dessas empresas. Por outro lado, o mercado financeiro, conservador por natureza, só adota a terceirização de forma intensa nas redes de telecomunicações, data center e contingência. O desenvolvimento de aplicações, por exemplo, nunca é o alvo de outsourcing de um banco.
Para Carlos Henrique Testolini, CEO da Procwork, além do governo e dos bancos, outro mercado resistente ao novo posicionamento é o setor de telecomunicações. “Eles sempre compraram por volume e estão acostumados a escolher pelo preço mais baixo. Já empresas de bens de consumo, químicas e farmacêuticas estão mais preparadas”, afirma o executivo. A Bosch é um dos clientes da integradora de sistemas de TI que já estão dentro de uma estrutura evoluída de terceirização.
A empresa está criando um centro de suporte global, com sede no Brasil, que vai contar com profissionais próprios e da Procwork. “É uma iniciativa de peso mundial, que conta com a visão de desenvolver o parceiro”, reforça Testolini. Outra pioneira, a Orbitall também contratou a Procwork para fazer desenvolvimento de sistemas, CRM e operações de suporte que seguem todos os pré-requisitos internos da Orbitall. Nesse caso, a diferença fica por conta da proximidade entre os sites do provedor e do cliente. “Estamos em um prédio localizado exatamente em frente ao prédio do cliente, para facilitar ainda mais o processo”, revela o CEO da Procwork.
Dentro dessa reavaliação constante de fornecedores, outro cuidado a ser tomado pela empresa é a ida para o outro extremo da tendência, o que o Gartner descreve como ‘outsourcing compulsivo’, ou seja, contar com tantos parceiros diferentes que a gestão e o diálogo com toda a cadeia ficam cada vez mais complicados. “Nenhum extremo é ideal quando se fala em outsourcing”, ataca Dario Boralli, sócio-presidente da DH&C Outsourccing. Por outro lado, alerta o executivo, também não é sensato adotar um único terceirizador para 100% das necessidades. “Apesar de nomes como EDS e IBM fazerem isso em muitos projetos mundiais, se a empresa não contar com um fornecedor dessa envergadura, acaba ficando presa à uma única opção”, enfatiza Boralli.
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