Gestão
Empresas européias ainda têm dúvidas sobre terceirização
A terceirização de serviços para a Índia não decolou na Europa continental. Ex-colonizador, apenas o Reino Unido é cliente destacado na região.
Por COMPUTERWORLD
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País de colonização britânica, a Índia vende cerca de 13% de seus serviços para clientes da Inglaterra. A grande força da indústria indiana de outsourcing vem dos Estados Unidos, que contribuem com cerca de 65% da receita do setor de terceirização da Índia. Além disso, empresas norte-americanas como Oracle, Microsoft, Dell e IBM montaram operações próprias na Índia. Já empresas européias, como a T-System, preferem outros mercados.
Claramente o outsourcing não é tão destacado na Europa Continental quanto nos Estados Unidos e no Reino Unido. “Quando empresas na Europa Continental optam pelo offshore, estão mais propensas a olhar para o Leste Europeu do que para a Índia ou a China”, , reconhece Siddharth Pai, sócio da Technology Partners International (TPI), empresa texana de consultoria em sourcing.
Um levantamento da National Association of Software and Service Companies (NASSCOM) indica que a Europa continental responde apenas por 12% a 13% da receita de outsourcing da Índia.
Para Rahul Patwardhan, CEO do centro de entrega global da LogicaCMG, em Bangalore, as empresas européias sabem que mandar trabalho para a Índia pode beneficiá-las, mas os departamentos de TI da maioria delas não têm experiência suficiente em lidar com offshore.
Diferenças idiomáticas também são um problema para as empresas européias. A comunicação entre a Volvo Information Technology AB e a empresa de serviços de software MindTree Consulting é feita em inglês, mas a fala de um indiano difere muito da de um sueco, ressalta Pär Forsberg, gerente de sourcing competitivo da Volvo IT. “Não é uma diferença só idiomática, mas também no modo de nos comunicarmos”, afirma Forsberg.
Para contornar o problema de comunicação, a Volvo mantém profissionais da MindTree nas instalações na Suécia e funcionários da Volvo vão à Índia com freqüência. “Não é um grande obstáculo”, observou Forsberg.
Mas as empresas de outsourcing indianas vão enfrentar dificuldade para atrair grandes negócios na Europa, segundo Patwardhan. Os acordos de outsourcing na Europa têm de incluir a transferência de funcionários para o outsourcer, junto com algum tipo de segurança e manutenção do emprego. Por isso, as companhias européias preferem um fornecedor que tenha operações no país, onde possa absorver mão-de-obra do cliente.
Para driblar esse obstáculo, companhias indianas querem criar uma cabeça-de-ponte na Europa e, em alguns casos, contrataram profissionais dos clientes. A Tata Consultancy Services (TCS) anunciou em outubro que absorveria 950 funcionários da empresa britânica Pearl Group, que terceirizou seus processos de negócio para a TCS. Esta empregou os profissionais da Pearl em uma subsidiária focada no ramo de seguro de vida.
Outro caminho para conquistar novos clientes tem sido a compra de organizações européias para ter melhor acesso ao mercado local. Além disso, empresas indianas vendem seus serviços na Europa por meio de empresas de consultoria, integradores de sistemas e revendas para ganhar participação no mercado.
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