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Brasil cria teste de proficiência em inglês para profissionais de TI

Convênio entre o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e a Brasscom cria programa de certificação que busca avaliar a qualidade do inglês técnico de profissionais de TI do País.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
07 de novembro de 2006 - 12h07

O Ministério da Ciência e Tecnologia e a Associação Brasileira de Software e Serviços para Exportação (Brasscom) anunciaram, nesta terça-feira (07/11), o início do programa de certificação de proficiência no idioma inglês voltado para profissionais do setor de Tecnologia da Informação.

Batizada de “Englisoft”, a iniciativa é parte dos investimentos de 2,2 milhões de reais canalizados pelo MCT, sendo 50% procedentes de fundos setoriais. A verba contemplou a criação do programa de certificação e também financiou o estudo conduzido em parceria com a consultoria A.T Kearney, para mapear as necessidades brasileiras em relação ao desenvolvimento das exportações de software.
 
Pelo acordo, escolas de idiomas poderão aplicar testes de proficiência em Inglês a programadores e gerentes de TI e certificá-los em três níveis recomendados pela União Européia - Básico, Intermediário e Avançado. No entanto, o teste pode ser aplicado para alguém que já tenha conhecimento pré-intermediário da língua inglesa.

“No primeiro nível, o profissional consegue estabelecer a comunicação básica no idioma. Já no intermediário, consegue escrever e-mails e fazer apresentações, ao passo em que aqueles que obtiverem o certificado no nível avançado, já conseguem negociar em inglês”, ressalta Ricardo Saur, diretor executivo da Brasscom. “Por exemplo, para um programador, acredita-se que o nível básico já seja satisfatório”, complementa.

A organização ficará encarregada da qualidade e segurança das provas e deixará a cargo do mercado – institutos, escolas de idiomas e cursos profissionalizantes – a tarefa de ensino e preparação dos profissionais. “A Brasscom não faz o curso. Deixa a cargo das empresas ou escolas interessadas a preparação”, diz. Segundo ele, a rede de ensino Cultura Inglesa já manifestou interesse em criar um programa preparatório para os testes canalizados a TI.

A prova de certificação foi desenvolvida pela consultoria especializada em lingüística, LINCA, e pode ser agendada pelo site da própria Brasscom. A partir desta terça-feira 120 locais já estão qualificados para aplicação do teste, que custa entre 300 e 500 reais dependendo do nível. Os recursos procedentes dos testes deverão ser canalizados para a manutenção da infra-estrutura de aplicação do teste.

Ao contrário de outros certificados de proficiência em inglês, como o TOEFL, o Englisoft não tem validade internacional. É formatado para alunos brasileiros e atua como parâmetro de avaliação do idioma para profissionais a serem contratados por empresas locais. Segundo os organizadores existe a capacidade para aplicar até 20 mil provas de certificação por ano.

Primeiro passo

Segundo Antonio Carlos Rego Gil, presidente da Brasscom, a iniciativa representa o passo inicial para a formação de recursos humanos que o Brasil precisa conduzir para ganhar competitividade internacionalmente. “Não estamos falando única ou exclusivamente de geração de divisas, mas de estabelecer a presença do Brasil no mundo globalizado”, diz.

De acordo com o executivo, o mercado de serviços de TI deverá movimentar cerca de 1,2 trilhão de dólares em 2006 no mundo. Metade desse valor, segundo Gil, é terceirizada para empresas do próprio país de origem. “Dos 650 bilhões de dólares terceirizados, 36 bilhões de dólares vão para outros países. E desse total, 30 bilhões de dólares vão para Índia”, aponta. Na avaliação do executivo, o ideal seria o Brasil aproveitar justamente o crescimento desse mercado de offshore – a taxas entre 40% e 50% ao ano.

O presidente da Brasscom aponta ainda que o teste de proficiência será importante porque mostrará à indústria de TI justamente o nível de inglês do profissional a ser contratado. Pelo modelo, as empresas vinculadas à Brasscom darão preferência inclusive aos profissionais com a certificação no momento da contratação. 

Certeza na hora de contratar

Para Benjamin Quadros, presidente da fornecedora de serviços de tecnologia da informação BRQ, a iniciativa é positiva para as empresas brasileiras, que sentem cada vez mais necessidade em contratar profissionais capacitados em inglês.

“Hoje a dora de todas as empresas é justamente a falta de profissionais que falem fluentemente inglês. A certificação ajudará no momento da definição”, comenta.

Segundo o executivo, a BRQ possui hoje cerca de 1.600 funcionários e cerca de 30% desses profissionais falam fluentemente inglês. A idéia de Quadros é disseminar o teste entre seus profissionais e exigir cada vez mais a certificação na hora da contratação. “Por exemplo, se existirem dois candidatos a uma vaga, um com o certificado e outro sem, contrato aquele que tem a proficiência”, conclui.

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