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Gestão

Brasil Telecom implanta super projeto para reduzir perdas

Operadora adota sistema da fornecedora portuguesa WeDo para diminuir a evasão de receitas nas operações fixa e móvel.

Por Ana Paula Oliveira, do COMPUTERWORLD

19 de janeiro de 2007 - 09h20
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Dando continuidade à estratégia adotada por seus novos controladores, que prioriza foco nas operações e reestruturação total dos custos, a Brasil Telecom decidiu implantar um projeto para identificar e corrigir pontos e processos que possam servir como canal de perda ou evasão de suas receitas.

Em agosto deste ano a operadora começou a procurar no mercado alguns fornecedores de soluções de garantia de receita – do inglês revenue assurance. Depois de avaliar a proposta de cinco empresas, a BrT escolheu a solução RA Turbo da WeDo, empresa portuguesa pertencente ao grupo Sonae – neste caso, qualquer semelhança não é mera coincidência. A experiência com outras operadoras européias e brasileiras só ajudou a reforçar a escolha.

O projeto, que deve levar 14 meses para ficar pronto, será totalmente auto-financiado e estará 100% no ar no início de 2008. No entanto, até julho de 2007, os profissionais responsáveis pela iniciativa já terão finalizado a implementação do sistema. A partir daí, começa o processo de integração, que deverá levar outros seis meses.

De acordo com Gina Marques, diretora-adjunta de receita e arrecadação da Brasil Telecom, os novos processos não começarão do zero porque a operadora já conta com alguns pontos de controles manuais de receita. “Eles funcionam, mas não acontecem de forma contínua e sistêmica. É isso que vamos melhorar”, admite a executiva.

A expectativa é de que assim que estiver totalmente pronta, a solução da WeDo irá, dentro dos sistemas da Brasil Telecom, perseguir um registro financeiro que chega até a arrecadação propriamente dita, cruzando, nesse trajeto, várias áreas distintas da empresa.

Mas, segundo Gina, um dos principais desafios da iniciativa não é a solução e muito menos a tecnologia, que já está pronta hoje. Na verdade, o desafio cultural é o maior obstáculo. “O que acontece ainda hoje é que muita gente pensa que o problema de evasão de receitas é responsabilidade somente da área de faturamento e isso não é verdade. Se a conta não chegou até lá para ser faturada, é preciso rever todos os processos para encontrar esses ralos”, opina.

Para ajudar na ação, a Brasil Telecom criou um comitê de gerenciamento de receitas formado por diretores de várias áreas que irão discutir todo o escopo avaliado no projeto e os 28 pontos de controle já identificados como possíveis gargalos para a geração de receitas. “São vários os motivos que podem levar a uma perda de receitas.

Se temos um cliente inadimplente, por exemplo, nosso sistema já sabe que isso não é perda. Mas se por um erro de cadastro este inadimplente ainda tem acesso ao serviço e consegue falar no celular ou em seu telefone fixo, aí aparece um problema e uma perda real de receita, explica a diretora da operadora.

Para garantir a eficiência, o RA Turbo também será utilizado para combater as várias fraudes que podem interferir indevidamente nesse processo. São fraudes técnicas, realizadas por usuários que utilizam a rede sem a intenção de efetuar o pagamento. Ou fraudes de subscrição, quando um usuário utiliza documentos falsos, por exemplo, para esconder sua verdadeira identidade.

Depois de implementado, o sistema será compartilhado por 65 gestores espalhados em diversas áreas das operações fixas e móveis envolvidas na ação. Mesmo sem revelar previsões do quanto deixará de perder quando o sistema estiver funcionando a todo vapor, a diretora da BrT conta que a monitoração dos pontos de controle vai triplicar, totalizando 80 pontos em todos os sistemas da companhia. “Hoje ainda não temos um patamar definido de perda ideal. Este é um número que será definido durante o projeto. Vamos traçar o cenário em que estamos hoje e onde vamos chegar ao fim da ação”, conclui Gina.

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