Gestão
Empresas de TI vivem dilema entre terceirizar pessoal ou atrair recursos
Para criador do Programa Brasil Outsourcing, encargo trabalhista é um entrave para as companhias, mas opção de usar profissionais terceirizados pode afastar investidores.
Por Taís Fuoco, do COMPUTERWORLD
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A alternativa de utilizar profissionais terceirizados para reduzir parte dos encargos trabalhistas, prática que se tornou comum nas empresas de tecnologia da informação como forma de fazer frente à concorrência com países onde o custo da mão-de-obra é mais baixo, gera um efeito colateral a essa indústria: afasta os recursos dos fundos de capital de risco, temerosos dos possíveis processos trabalhistas.
A avaliação é de Flavio Grynszpan, criador do Programa Brasil Outsourcing, que tem por objetivo ampliar a competitividade do Brasil nos negócios mundiais de TI. Segundo ele, a situação cria "um círculo vicioso perigoso", já que, se optarem por contratar formalmente todos os profissionais, as empresas brasileiras perdem competitividade e, conseqüentemente, negócios.
Se, por um lado, as companhias precisam de recursos para se fortalecerem financeira e tecnologicamente, por outro, afirma o executivo, "os fundos de capital de risco querem investir em TI, mas têm critérios de governança muito rígidos", que a maioria das empresas não consegue atender.
Grynszpan citou a meta traçada pela Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação), de alcançar 5 bilhões de dólares em exportação de TI em 2010, o que vai exigir a contratação de 100 mil profissionais até aquele ano. Segundo ele, o segmento já vive uma carência de mão-de-obra, mas não tem fôlego para enfrentar a carga trabalhista de impostos.
Enquanto as empresas de TI brasileiras vivem o que Grynszpan chama de "círculo vicioso",os demais países avançam e o Brasil fica defasado na oferta mundial de serviços, afirma.
A Brasscom apresentou ao governo federal, no final do ano passado, propostas para que empresas que exportem softwares e serviços de tecnologia compensem, contra tributos federais como PIS/Cofins e Imposto de Renda, até 80% dos gastos que tiverem com capacitação de pessoal e certificação de recursos humanos.
A associação gostaria que a idéia tivesse sido incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas isso não aconteceu. Entre as propostas, a Brasscom também queria que as empresas que obtivessem no mínimo 80% de suas vendas no mercado internacional tivessem o INSS reduzido para 2,85% da receita líquida (hoje o índice é de 27,5%).
Grynszpan lembra que, para mudar a legislação trabalhista brasileira, o assunto precisa ser analisado e aprovado em todas as instâncias do Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente da República. Para as empresas de TI que precisam de recursos para ganhar robustez na briga com as grandes companhias globais de TI, restariam, segundo ele, ir à bolsa de valores, opção já adotada por companhias como Datasul, Totvs e Positivo, ou optar por um processo de fusão entre as próprias empresas.
Investimentos... socorro!!
Está certo o senhor Flávio.
É muito caro investir em inovação e não há incentivos práticos adequados, principalmente para pequenas empresas. Nossa indústria não é formada somente por Datasul, Totvs e Positivo e outra dúzia de empresas. Tem muita empresa pequena com projetos sérios e com grande potencial lutando para emergir.
A sua análise em relação às empresas de capital de risco também é correta. O nível de exigência é muito alto. Pode-se sugerir até retirarem o 'risco' da denominação de seu negócio.
Ah, tem o fato de que talvez também seja importante valorizar empresas que atuem somente no mercado interno, afinal, se estamos perdendo o jogo de 20 a 1 pode ser porque o pessoal lá de fora está preenchendo brechas em nosso mercado que ainda não temos competência para atender. Ou não seria isso?
Alfredo - 18 Abr 2007, 08h19
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