Gestão
“Sem métricas para medir eficiência energética, não há melhorias”, diz pesquisador
Comentando os resultados da pesquisa que quantificou o consumo de energia por servidores, Jonanthan Koomey fala em entrevista exclusiva ao COMPUTERWORLD.
Por Vinicius Cherobino, do COMPUTERWORLD
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Jonanthan Koomey, professor na Universidade de Stanford e um dos cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, é o responsável pelo estudo “Consumo Total de Energia Elétrica relacionado a Servidores nos EUA e no Mundo”. Falando com exclusividade ao COMPUTERWORLD Brasil, Koomey comentou por e-mail os resultados principais do levantamento, além de analisar o cenário de confronto entre TI e meio ambiente no futuro.
COMPUTERWORLD - Há pelo menos um ano, começamos a ver vários discursos sobre responsabilidade ambiental, o que colocou o consumo de energia dos servidores (e a complexa rede de ar condicionado para mantê-los resfriados) sob fogo cruzado. O problema é que, especialmente no Brasil, a preocupação soa muito mais como um discurso vazio do que como um compromisso real. O que pode ser feito para mudar essa realidade?
Jonanthan Koomey - Hoje, os clientes de datacenter não têm condições de comparar os diversos modelos de servidores para definir qual tem maior eficiência de cooling e, pior, não têm condições de comparar os gastos relacionados com resfriamento no datacenter contratado com os seus concorrentes. Na prática, isso significa que os fornecedores não têm interesse e não competem para aumentar a eficiência no consumo energético e diminuir o custo total de propriedade (TCO).
No ano passado, eu liderei um projeto colaborativo que buscava desenvolver um protocolo padrão para a medição do consumo de energia em servidores. Com o grupo Server Efficiency Benchmark Development Effort fazendo um trabalho mais detalhado nesse problema, teremos resultados previstos para a primeira metade de 2007. Na prática, quando pudermos medir a eficiência com um padrão aceito mundialmente, espero ver - imediatamente - uma grande competição entre os fornecedores para melhorar a eficiência. Paralelamente a isso, os fabricantes de chips vão continuar trabalhando para aumentar a eficiência energética de seus produtos.
CW – Existe algo a ser feito para que as empresas que não têm TI como núcleo se tornem mais conscientes sobre o gasto excessivo com energia?
Koomey – Todo o capital para o datacenter deveria vir do mesmo orçamento e todas as pessoas com autoridade sobre o datacenter deveriam estar na mesma sala na qual as decisões são tomadas. Sabemos que, na realidade, isso não acontece. E, mais do que essa mudança comportamental, é preciso criar também medidas reais de eficiencia energética e do custo total de propriedade. Essas formas são fundamentais para que o nível de eficiência dos datacenter e, também, dos servidores tornem-se mais claros. Para dar um exemplo de uma mudança prática, colocar a conta de eletricidade dentro do budget de TI pode ser uma resposta para que empresas de outros setores passem a utilizar a tecnologia com uma preocupação ambiental maior.
Hoje, o custo total de construir um grande datacenter está na casa dos 200 milhões de dólares, valor mais do que suficiente para atrair a atenção dos CEOs das maiores organizações. Essa visibilidade deve levar a melhorias operacionais e de design em busca de maior eficiência energética.
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