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Percepção de experiência e análise

Além de vivenciar as vantagens e obstáculos por ser mulher, analistas do mercado de TI contam o que pensam da situação feminina e suas próprias experiências.

Por Luiza Dalmazo, do COMPUTEWORLD e Taís Cerione, da CIO
08 de março de 2007 - 11h55

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A executiva vice-presidente do Executive Program do Gartner, Ione Coco, afirma que é de outra geração e que hoje é mais fácil para as profissionais conquistarem espaço. “Eu tive duas experiências muito negativas e relacionadas diretamente ao fato de eu ser mulher. A primeira foi quando um chefe do departamento do Universidade de São Paulo, onde eu trabalhava, me demitiu porque eu havia acabado de ter um filho e a segunda foi quando, antes da contratação, um executivo me perguntou se eu tinha feito ligadura de trompas [que impede
a mulher de ter filho]”, revela.

Na opinião da Ione, as mulheres precisam, sim, mostrar persistência, porque se houver uma disputa entre pessoas do mesmo sexo que tenham o mesmo nível profissional, a maioria escolhe o homem. “As mulheres têm de enfrentar os rótulos de que no período pré-menstrual são desequilibradas”, exemplifica.

Além disso, a analista explica que empresas nacionais preferem contratar homens e que as multinacionais, no entanto, só admitem mulheres em cargos executivos porque têm cotas a cumprir. Apesar das adversidades, a categoria feminina conta com habilidades de olhar múltiplas tarefas ao mesmo tempo, assim como a intuição, acredita.

fatima_zorzatto_headhunter_124

 Já Fátima Zorzato, presidente da empresa de executive search, Russel Reynolds, conta que conhece bem o preconceito. Mas nunca se deixou abalar por ele. “Enfrentei muito preconceito na minha vida. Mas, como o nome diz, é um pré-conceito. Sempre passou depois de eu deixar claro a que vim”, garante.

Os casos em que Fátima teve de provar sua competência foram vários. “No início, eu tinha de provar para os homens da empresa em que eu trabalhava, em sua maioria engenheiros, que, apesar de ser mulher e psicóloga, eu podia fazer contas”, relembra a executiva.

Um subordinado cuja religião não permitia ser chefiado por uma mulher e esposas que achavam “pouco” seus maridos responderem a uma executiva foram outros episódios marcantes na carreira de Fátima. “Mas nada disso realmente atrapalhou. Sempre conseguimos acertar as coisas da melhor forma.”

Ao sair do mundo corporativo e passar a comandar a sua própria empresa, a executiva viu as coisas mudarem muito. “Parece que depois que eu provei que consigo ganhar meu próprio dinheiro, ficou subentendido que sou competente”, avalia.

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