Gestão
Mudança tranqüila e sem percalços
Por Alexandre Scaglia, do COMPUTERWORLD
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CW – A HP Brasil tem um foco grande em exportação de serviços, da mesma forma que o País, que pretendia exportar US$ 2 bilhões em software até o final de 2007. Como está esse segmento?
Anseloni – Nós exportamos muito serviços, mas temos uma atuação um pouco diferente do mercado. O que exportamos hoje é serviço na área de pesquisa e desenvolvimento. Temos um centro de P&D no Rio Grande do Sul, oriundo da Lei de Informática e foi criado a partir de suas bases. Só que ele foi crescendo e ganhando tanta visibilidade dentro da corporação a partir da qualidade dos serviços prestados que recentemente foi incorporado pelos laboratórios globais da companhia e recebeu investimento significativo em infra-estrutura e recursos.
Hoje são mais de mil pesquisadores e desenvolvedores trabalhando para a HP, em parceria com 28 universidades espalhadas pelo Brasil. A maior estrutura fica na PUC-RS, que tem mais de 500 profissionais baseados em Porto Alegre. Essa estrutura não responde mais como parte da HP Brasil e o resultado do trabalho é totalmente exportado para a corporação.
CW – Qual é o foco de atuação desse time de desenvolvimento?
Anseloni – São duas grandes áreas: computação e imagem e impressão. Na parte de computação destacam-se iniciativas de alta-performance, grid computing, gerenciamento de plataformas blades e muita atenção a questões de refrigeração. É uma coisa fantástica e o melhor de tudo é que é o capital intelectual brasileiro sendo reconhecido. Não é mão-de-obra barata, é uma busca pela capacitação. Isso ajuda na geração de empregos de curto prazo e também incentiva o desenvolvimento intelectual do País.
CW – Uma das tendências fortes no mercado corporativo é o software como serviço. Como esse tema é encarado pela companhia e de que forma isso é ofertado no mercado nacional?
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Anseloni – A gente, de uma certa forma, pratica a tecnologia como um serviço há tempos. A HP é uma empresa que consegue oferecer tecnologia de diversas formas – no modelo tradicional, de compra e venda de produtos; na montagem de uma solução de infra-estrutura tecnológica que demande servidores, armazenamento de dados e software de gerenciamento; ou na entrega de tudo isso empacotado e oferecido como serviço, por meio de iniciativas de outsourcing. A estratégia da companhia é dar ao cliente a opção de escolha do modelo de aquisição.
CW – Duas das áreas importantes na oferta para o mercado corporativo – servidores e armazenamento – tiveram seus resultados classificados pelo CEO da companhia, Mark Hurd, de decepcionantes no último trimestre fiscal. A HP chegou até a, globalmente, perder o segundo lugar no mercado de storage para a IBM. Houve algum impacto dessa realidade no mercado brasileiro?
Anseloni – Esses são mercados difíceis, onde há competidores fortes que, como a HP, investem bastante e há uma alternância de liderança. Não existe uma posição absoluta de ninguém. O que temos feito é brigar bastante e às vezes tomamos a frente – e às vezes perdemos a liderança. Mas o mais importante é que temos conseguido crescer as vendas de todas nossas linhas de servidores de processamento e de armazenamento. Recentemente nossa linha de blades teve um crescimento de 150% em relação ao ano anterior aqui no Brasil, por exemplo. Quem ganha com isso são os clientes.
CW – Apesar de, segundo seus números, a HP vir de trimestres de crescimento significativo, o Brasil cresceu apenas 2,9% em 2006. Pior: há um momento de instabilidade geral nos mercados financeiros globais. Como é ser presidente de uma empresa que precisa reportar lucros, em dólar? Qual é o malabarismo que tem de ser feito?
Anseloni – Se o PIB brasileiro estivesse crescendo mais, tenho certeza que a HP Brasil estaria também crescendo muito mais também. Somos uma empresa que tenta fazer sua parte para que o País cresça. A HP investe no Brasil, são 40 anos de presença aqui, temos quatro fábricas de manufatura no País, investimos em geração de emprego, em iniciativas de responsabilidade social e ambiental. A gente espera que o governo ajude companhias sérias e comprometidas tomando ações efetivas que ajudem o País a crescer.
CW – Que tipo de ações?
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