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Gestão

Executivos de TI olham para outros lugares além da Índia para offshore

Empresas começam a buscar localizações alternativas para fugir do aumento de salários e mitigar o risco de ter várias operações no mesmo país.

Por COMPUTERWORLD

09 de abril de 2007 - 18h25
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Durante o evento Outsourcing Summit em Dallas, Estados Unidos, o instituto afirmou que os salários pagos aos trabalhadores de tecnologia do país para serviços relacionados com aplicações não param de subir. Por exemplo, em 2004, uma empresa dos EUA foi cobrada em 22 dólares por hora de trabalho de um programador em Java na Índia. Em 2008, o mesmo programador vai estar recebendo algo próximo a 40 dólares por hora, de acordo com o Gartner.

O Brasil deve aproveitar o momento de descentralização do outsourcing.

Uma fonte que possui um centro de desenvolvimento na Índia, e que preferiu não se identificar, concordou com a posição do Gartner sobre a alta nos salários no país. “Estamos descobrindo isso por nós mesmos”, disse. Ele acrescentou que seu CIO pediu para que outros países fossem investigados e que a China está sendo vista como possível alternativa para a empresa.

A maior parte dos clientes de outsourcing está protegida dos aumentos de salários por terem assinados contratos mais longos com os fornecedores de serviços de TI. Mas nem todos estão nesta situação. E, no geral, existe uma vontade entre os gestores de tecnologia presentes na conferência de explorar o globo quando o tema é offshore.

Por exemplo, a subsidiária dos EUA da Nissan recebe o serviço de desenvolvimento de aplicações da Satyam em Hyderabad, na Índia. Todo o trabalho é feito na Índia hoje. Mas James McClanahan, diretor de aplicativos da Nissan, afirma que se a Satyam propusesse uma mudança para outros países, ele não teria objeção – desde que o contrato tenha as mesmas condições de serviço.

“Não acredito que exista alguma afinidade com uma localização em particular”, diz McClanahan. Ele acrescentou, contudo, que a Índia tem “massa crítica e cacapidade” em termos de mão-de-obra qualificada.

Mesmo se a previsão da alta em salários do Gartner se tornar realidade, o total que ele receberia ainda vai ser menos da metade do que um trabalhador nos Estados Unidos. Mas os salários crescentes são apenas parte das pressões que os fornecedores de outsourcing devem lidar na Índia. Outro problema está na falta de gerentes médios experientes, de acordo com o analista do Gartner Frances Karamouzis.

Peter Nassim, um gerente de outsourcing na Automatic Data Processing, afirma que caso recebesse uma sugestão de que outro país oferecesse melhor taxas ou habilidades, ele iria considerar a questão.

“É a entrega que importa para mim”, diz Nassim. A localização se tornaria um problema maior se a ADP precisasse de um idioma específico ou tivesse preocupações com segurança, mas neste caso, os fatores deveriam ser colocados dentro das exigências aos fornecedores.

Lisa Gage, diretora de estratégia corporativa na General Motors, afirma que a montadora está focada em garantir que todas as suas operações de TI sigam processões padrão.

Os fornecedores de outsourcing da GM são responsáveis por decidir onde o trabalho será feito, diz, e não podem passar nenhum aumento para a montadora – o que faz os custos com funcionários não ser problema para a GM. O que importa para mim, garante, “é a qualidade do produto”.

Empresas de terceirização na conferência afirma que certas características de outros países funcionam como argumento de vendas. Salários não são, necessariamente, a razão mais importante para se considerar outras localidades: fuso horário e habilidades específicas entram para compor o mix, assim como domínio de determinado idioma.

Por exemplo, a empresa brasileira de TI Politec aposta na proximidade com o EUA em fuso horário como um diferencial de concorrentes na Índia. “Só isto se configura como uma diferença crítica para certos tipos de demanda”, diz Eric Olsson, consultor da Politec.

Fornecedores na Índia já receberam 80% de todo os gastos com offshore de TI das empresas dos EUA. Agora, eles são responsáveis por 59% dos 26 bilhões de dólares que as empresas dos Estados Unidos pagam por serviços offshore, de acordo com o Gartner.

Bipin Thomas, vice-presidente da Satyam, afirma que a alta nos salários na Índia foi mitigada por aumento de produtividade e um nível maior de automação.

Mas o alerta do Gartner sobre a falta de experiência de gerentes de projetos na Índia  é “definitivamente um problema real”, confessa Thomas. Para reduzir essa lacuna, a Satyam criou a sua própria escola de líderes para desenvolver as habilidades necessários.

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