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Brasil tem problema de estrutura e legislação para enfrentar lixo eletrônico

Por Daniela Moreira, do IDG Now!

26 de abril de 2007 - 12h35
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Este é o dilema de Daniel Tessari, gerente de uma assistência técnica no município de Varanópolis, na serra gaúcha. Com dez monitores e cerca de 50 placas de computador sem condições de uso para descartar, ele teve que fazer uma extensa busca na internet para encontrar uma empresa especializada que aceitasse receber sua sucata eletrônica.

“Encontrei algumas empresas na internet, mas dava para ver pelo próprio site que não eram idôneas”, conta Tessari. “Depois de muito procurar, finalmente encontrei uma, em São Paulo, que concordou em avaliar meu material”.

Mas não é preciso estar distante das capitais para enfrentar este tipo de dificuldade. Até mesmo em um dos mais movimentados centros de eletrônicos de São Paulo, a Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, onde são negociados produtos usados, é difícil encontrar interessados em comprar ou até mesmo receber sucatas eletrônicas. “Compramos apenas em leilões de empresas que fecham ou trocam as máquinas”, conta o proprietário de uma loja que pediu para não ser identificado.

Para Valter Capello Jr., secretário geral da Associação Brasileira de Empresas Públicas e Resíduos Especiais (Abrelpe), o destino final de muitos eletrônicos quando perdem a utilidade acaba sendo o lixo convencional. “Normalmente quando ainda estão em condições de uso, esses aparelhos são doados. Mas como não há programas de incentivo à devolução ou mesmo locais corretos para o descarte, o mais comum é que quando sua função se esgota, eles acabem no lixo comum”, afirma.

Se descartar um único computador sem utilidade pode ser um problema para uma pessoa comum, a dor de cabeça é ainda maior quando olhamos para as empresas que geram quantidades muito mais significativas de lixo eletrônico - especialmente aquelas que atuam no ramo.

Alguns fabricantes, como Nokia e Motorola, enviam os resíduos para empresas especializadas em reciclagem no exterior. Outras se voltam a fornecedores locais especializados no descarte de resíduos. Seja qual for o processo escolhido, há custos envolvidos, o que faz com que as empresas do ramo operem abaixo da sua capacidade no País.

Com 14 anos de operação, a Suzaquim, que transforma resíduos metálicos em matéria-prima para corantes para pisos cerâmicos, vidros e refratários, tem capacidade para processar até 250 toneladas de lixo eletrônico por mês. No entanto, consegue captar apenas 30 toneladas mensalmente.

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