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Gestão

Depois da privatização, Cemar mostra resultados da nova área de TI

Novas práticas da empresa e novos sistemas de tecnologia fizeram com que empresa de energia do Maranhão saísse de prejuízo líquido de 53 milhões de reais para 167 milhões de reais de lucro líquido.

Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD

21 de maio de 2007 - 17h10
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Quando Valdir Gomes Barbosa Sobrinho assumiu em maio de 2004 o departamento de tecnologia e telecom da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), até mesmo o cabeamento da rede de transmissão de energia caía. “Então imagina só o que não acontecia com o sistema de TI”, conta o executivo. Passados três anos, a capacidade das máquinas aumentou, o processamento dos links dobrou e desempenho de todos os sistemas melhorou. “Antes tínhamos 31 servidores, hoje são mais de 60”, exemplifica.

Em paralelo à reestruturação feita na área de tecnologia, toda a empresa passou por replanejamento dos processos e padrões. A medição do consumo dos clientes, por exemplo, anteriormente realizada de forma precária, atualmente conta com 10 mil pontos, incluindo medições nas subestações.

Entre as inovações conduzidas por Barbosa Sobrinho, houve a interligação das centrais telefônicas à rede de rádios. Isso permitiu que com o telefone da sede, fosse possível falar via rede IP, o que criou um novo sistema comercial. “Além disso, fizemos a implementação mais rápida de SAP do Brasil, concluída no tempo recorde de seis meses, mesmo após a troca de todos os fornecedores”, descreve. Segundo o executivo, isso foi possível porque a empresa teve a humildade de admitir que suas necessidades eram as mesmas das de outras do mesmo segmento de atuação.

Outros padrões foram alterados. Os quatro centros de impressão foram reduzidos para um, e as três redes de bancos de dados também foram unificadas. Esses serviços foram terceirizados, assim como a estrutura de storage, servidores, Windows, Linux e help desk. “Tudo isso foi feito com a redução de 31 funcionários para um total de 21, todos novos”, acrescenta.

Com a renegociação de contratos, Barbosa diz que a empresa obteve descontos entre 10% e 15%, com alguns destaques para serviços que chegaram a 30%. “Com o cenário que tínhamos antes, o que prevíamos é que a empresa iria parar por falta de links de dados, máquinas e muito mais”, avalia. Por isso, Barbosa promoveu o alinhamento da diretoria com a área de TI e fez com que a realidade de perda de 30% de toda a energia produzida por causa de sistemas inoperantes acabasse.

Dessa forma, a empresa saiu de um prejuízo líquido de 53 milhões de reais para 167 milhões de reais de lucro líquido, o que foi possível porque além de reformular a área de TI, toda a companhia passou por uma reestruturação após a privatização, em 2004. “Deixamos de ter redes de dados que ficavam fora três vezes por semana – durante metade do dia cada queda – e fechamos 2006 com mais de 99% de disponibilidade no sistema de call center”, conta.

Isso faz com que se uma casa não está recebendo energia, o morador comunica a Cemar, que pode com rapidez identificar se a falha está gerando uma perda de energia em no cabeamento da casa ou em uma subestação. “Se duas residências, comunicarem problemas, percebemos que dificilmente a falha está na subestação”, afirma.

Com todas as iniciativas, Barbosa diz que hoje é possível realizar o controle de diversos sistemas, o que antes não acontecia. “Mesmo com o incentivo do governo para que a população diminua o consumo de energia, pudemos aumentar a receita e a expectativa é de faturamento de 1 bilhão de reais em 2007”, revela.

Em telecomunicações, também houve na Cemar a revisão dos fornecedores, do sistema de distribuição e atualmente a capacidade de armazenagem saiu de 4,5 terabites para 12 terabites.

No início de 2006 a companhia e a controladora Equatorial fizeram a abertura de capital, depois de consolidar o nível de transparência maior de suas atividades e processos. “Por isso era importante que o nosso ERP começasse a funcionar tão rápido”, explica.

Segurança

Para evitar os constantes problemas com segurança – antes um usuário que acessasse o site da companhia de casa podia derrubar o banco de dados da empresa – a Cemar também agiu. “Saímos de um universo de 62 vulnerabilidades para nenhum registro de incidente com segurança desde novembro de 2004”, revela Barbosa. O executivo diz ainda que a janela de exposição – tempo entre a detecção e a correção de um problema – foi reduzida de 79 dias para 12 dias, com a adoção da terceirização remota.

O gerente de TI e telecom da organização conta também que a Cemar trocou 20% do parque de microcomputadores e atualmente 43% do parque tem menos de 2 anos. “Mas sabemos que tecnologia da informação é um conjunto e que não basta o hardware sem que se implemente serviços e sistemas de storage etc. “Tivemos de atacar tudo, mas não fizemos um outsourcing completo porque ficaríamos muito dependente o com custos altos, sem poder de barganha”, argumenta.

Ele explica ainda que tudo isso só foi possível porque os principais executivos da companhia entenderam a importância da área de tecnologia e não ficaram focados nas finanças. “Esse apoio e o cenário que vivíamos nos permitiu ser inovadores porque era essencial ser criativo”, destaca.

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