Como evitar que a limitação física bloqueie o talento
Continuação da página anteriorEla conta que, em algumas ocasiões, os demais funcionários enfrentam dificuldades para lidar com o portador da deficiência. “Nem todos sabem como lidar com o problema”, diz Fabiana.
Por isso, um funcionário com deficiência visual propôs que um grupo realizasse um almoço onde todos estariam com os olhos vendados. “Dessa forma, eles entenderiam a sensação de não enxergar”, contou.
A HP também enfrentou dificuldades para encontrar profissionais entre os portadores de deficiência, como conta o diretor de Recursos Humanos da companhia, Jair Pianucci. “De novembro de 2004 a maio de 2006, tivemos zero de contratações”, após um ano e meio de trabalho.
Por isso, a companhia decidiu criar o HP Able, programa específico para criar vagas especiais aos portadores de deficiência. Em 10 meses, ela tinha conseguido contratar 45 pessoas.
Em vez de deficiente, ‘supereficiente’
Pianucci explica que uma das decisões da companhia foi que essas vagas “seriam divididas igualmente entre todos os departamentos” para que a HP não criasse “um departamento de deficientes”.
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Os planos de desenvolvimento de carreiras na HP são sempre para todos, diz ele, “porque qualquer programa específico para um determinado público cria uma segregação”, ponderou.
Por isso, de acordo com o executivo, a companhia se esmera em eliminar as barreiras. “Para os cegos colocamos softwares com comandos de voz e teclado em braile, para os cadeirantes implantamos rampas de acesso e elevadores apropriados e assim por diante”, exemplificou.
O problema, segundo Pianucci, está “nas barreiras invisíveis”, como o preconceito dos que já trabalham na companhia. Para lidar com esse desafio, a companhia promove campanhas de educação para gerentes e funcionários. O objetivo é que eles tratem os deficientes como qualquer outro empregado, sem mais nem menos regalias ou piedade. “Não é fácil, mas a aceitação está acontecendo”, diz ele.
A partir da eliminação das barreiras, visíveis e invisíveis, a HP coloca para esse funcionário a mesma missão dos demais: todos têm a obrigação de se tornar ‘supereficientes’. “Não adianta inventar, basta eliminar as barreiras”, afirma.
Regras básicas
Para Pianucci, da HP, três pontos são importantes para as companhias que lidam com portadores de deficiências:
1) Não segregá-los
2) Educar gerentes, supervisores e funcionários para lidar com as deficiências dos colegas
3) Deixar claro aos deficientes que o mundo corporativo é cruel, não há garantia de emprego para ninguém, mas existem promoções acessíveis a todos.
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