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Gestão

Empenhado em cortar custos, Ponto Frio adota software livre

Rede de varejo muda o lado do balcão e decide ir além da venda de máquinas com a plataforma aberta e utilizar Linux nos terminais de vendas.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

31 de maio de 2007 - 13h30
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De fornecedor para usuário. Pode-se dizer que essa é a posição da rede de varejo Ponto Frio em relação à utilização de software livre. Tradicionalmente conhecida por comercializar máquinas equipadas com sistema operacional Linux - entre elas as pertencentes ao programa de inclusão digital do governo federal Computador para Todos - a rede decidiu partir para uma experiência com a plataforma aberta nos terminais de venda em todo o Brasil, buscando especialmente o corte de custos.

A análise das soluções Linux começou em junho do ano passado, com as cerca de 3 mil estações de trabalho utilizadas por vendedores ainda rodando Windows XP. De acordo com Paulo Sanz, diretor de tecnologia do Ponto Frio, a questão principal naquele momento era economizar com as licenças, ao passo que em termos tecnológicos a solução satisfazia as necessidades operacionais.

O período de testes em laboratório englobou sistemas abertos de três fornecedores, entre eles a distribuição Librix, desenvolvida pela Itautec e que posteriormente viria a ser a escolhida para uso nos desktops de venda.

“O que buscávamos especialmente era uma plataforma que atendesse alguns itens de qualidade que definimos como prioritários, como fácil usabilidade e adaptação ao aplicativo web, navegador gratuito e aderência com antivírus. Nesse contexto, o sistema da Itautec entregou o melhor desempenho”, explica, sem revelar o nome das outras companhias testadas.

O passo posterior, realizado em novembro de 2006, previu o piloto em uma das lojas, fase em que os técnicos da área de TI analisaram também a reação dos usuários diante da nova solução.

O período serviu como um termômetro e o retorno surpreendeu as expectativas com a reação positiva  da maioria dos usuários. O Librix trabalha com aplicativo web que permite ao vendedor visualizar fotos e detalhes dos produtos. Na avaliação de Sanz, a interface semelhante ao Windows facilitou a adaptação.

Embora a aceitação do sistema nas lojas tenha sido grande entre os vendedores, a equipe de TI do Ponto Frio teve de enfrentar a barreira de compatibilidade do antivírus com o sistema operacional.

No entanto, o problema foi superado e a fase de implantação prosseguiu. Pelo acordo com a Itautec, estão incluídos serviços de manutenção e processos de atualização do software e suporte técnico com 2,7 mil pontos de atendimento no Brasil.

A estratégia de migração, no entanto, não parou por aí. Além de substituir o sistema operacional, o Ponto Frio optou por realizar simultaneamente a troca dos desktops utilizados pela equipe de vendas, o que já estava previsto no plano de renovação do parque de máquinas. A companhia escolhida para prover os terminais de 512 MB também foi a Itautec, fornecedora dos equipamentos anteriores.

A implantação efetiva do sistema aberto nas máquinas novas começou em março deste ano em 14 lojas do Rio de Janeiro e de São Paulo e já trouxe economia direta de 20% relativos ao custo total de propriedade. 

A expectativa, segundo Sanz é de ter até julho um terço dos 378 pontos de venda já migrados em hardware e software. “Devemos chegar a 100% do parque com os novos sistemas em 2008”, diz, sem revelar os gastos totais no projeto.

Apesar de a experiência nos pontos de vendas ter sido a primeira de Linux para os usuários finais do Ponto Frio – até então a rede utilizava plataforma aberta apenas como servidor dentro do centro de processamento de dados, manuseado por profissionais especializados da área de TI -, não existe, até o momento, a intenção de expandi-la. Na área administrativa, aponta Sanz, a expectativa é que as soluções Microsoft ainda permaneçam.

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