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Gestão

Fazer offshore na Índia não é interessante para empresas iniciantes

A decisão da Riya.com de fugir do país mostra que, para empresas iniciantes, offshore no país não é tão fantástico quanto se defende.

Por COMPUTERWORLD

01 de junho de 2007 - 19h13
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O outsourcing e offshore do desenvolvimento de software são partes integrantes da indústria de tecnologia nos EUA. Uma das formas de entender o tamanho do fenômeno está em observar a receita de uma Wipro, indiana que reportou alta de 41% no último fiscal.

Mas o crescimento do offshore também causa problemas em países como a Índia que, graças a uma infra-estrutura fraca e a competição feroz por talentos, modificou a relação econômica para se colocar escritório fora dos EUA.

A decisão de contratar funcionários na Índia “foi simples” de acordo com Munjal Shah, CEO da Riya. Em 2004, ele estava preparando o terreno para a sua startup de pesquisas visuais. “Com o salário 30% mais barato, valia a pena os processos de comunicação, as viagens e as conference calls de madrugada”, lembra-se Shah.

Hoje, os salários na Índia cresceram tanto que manter operações no Vale do Silício e na Índia não faz mais sentido. Em abril, a empresa tomou a decisão contrária: fechou o escritório em Bangalore, Índia, e se concentrou na Califórnia, EUA. As vantagens de custos, diz Shah, não compensavam mais.

A demanda contínua por talentos no país está comendo algumas das vantagens de custos que o offshore oferecia, de acordo com relatório do Gartner. O salário médio de engenheiros de software na Índia vai chegar de 40% a 50% de seu par na Califórnia em 2008, com tendência de diminuição da diferença. Em média, os salários desses profissionais na Índia cresceram 15% entre 2005 e 2006, contra 3% dos seus colegas nos EUA. “Mesmo se os salários na Índia continuarem a crescer em 15% anualmente, levaria 16 anos para o montante se equiparar com os do EUA”, ressalta o Gartner no relatório.

Para empresas iniciantes, contudo, o cenário é pior. Elas precisam pagar mais, pois não possuem os recursos para desenvolver internamente estagiários que trabalhariam por baixos salários. “Startups não são locais para criar o talento”, diz Shah. “Temos que pagar para ter os melhores”. A média de alta, segundo ele, foi de 30% entre os executivos seniores. E, ao contrário dos colegas californianos, os indianos preferem dinheiro em vez de ações da empresa.

O dinheiro acaba, então, sendo a principal razão para um engenheiro indiano escolher uma empresa. “Sem poder trabalhar com as opções de ações, fica difícil”, aponta Keerti Melkote, fundador da Aruba. A empresa tentou fazer o outsourcing para a Índia em 2002, mas descobriu que as operações caiam muito e o resultado final não compensava.

“Para uma startup, o offshore pode não fazer sentido. O custo das conference calls de madrugada é grande demais”. Agora, conta Melkote, com o crescimento nos últimos anos, a Aruba tem condições de contratar centro de operação em Bangalore. “Mas isso não é uma opção para as startups. Descobrimos que se dermos menos de 30% de aumento por ano, ele deixa a empresa”, diz.

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