Gestão
Conheça o futuro do outsourcing
Levantamento com as 20 maiores empresas brasileiras, obtido com exclusividade pelo COMPUTERWORLD, mostra que a opção pelo multisourcing é cada vez maior. Fenômeno brasileiro ou tendência mundial?
Por Vinicius Cherobino, do COMPUTERWORLD
Os contratos gigantescos (megadeals) de outsourcing com um único fornecedor que oferece ‘tudo’ para a empresa-cliente estão com os dias contatos. Ainda existirão acordos grandes, mas terão escopo, valores e duração sensivelmente menores do que as diversas áreas e países, os bilhões de dólares e os vários anos daqueles acordos que freqüentaram as manchetes dos jornais especializados nos últimos anos.
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Essas são apenas algumas das conclusões contidas no levantamento desenvolvido pela consultoria de negócios Itelogy. Ao ouvir pessoalmente os gestores de tecnologia de 20 das maiores empresas do Brasil, com faturamento maior do que 500 milhões de reais em 2006 e oriundas de setores como energia, governo, siderurgia e eletrônicos, entre outros, a consultoria buscou apontar algumas das tendências qualitativas do mercado de terceirização no Brasil, além de definir qual era o nível de penetração do outsourcing no País.
“A terceirização está simplesmente em todas as corporações ouvidas”, define João Luiz Fonseca, um dos sócios da Itelogy e um dos responsáveis pelo estudo. De acordo com ele, a prática está tão consolidada na rotina corporativa que os clientes já entenderam algumas das mazelas da estratégia. A estratégia com maior visibilidade e interesse, relata o analista, foi o multisourcing.
De acordo com o estudo, as experiências mal-sucedidas com os grandes contratos geraram uma redução sensível na duração desses acordos. O valor dos contratos, garante o estudo da Itelogy, também está sendo pressionado para baixo pelo multisourcing. Assim, no cenário indicado pelo levantamento, as grandes entrariam para fornecer a infra-estrutura e os menores vêm para fornecer serviços específicos. “Ninguém tem condições de ser especialista em tudo”, destaca Sérgio Mattar, também sócio da Itelogy.
Um ponto específico do Brasil reforçaria a guinada ao multisourcing. Ressaltando que grande parte das empresas são subsidiárias de conglomerados mundiais, Fonseca afirma que questões intrínsecas ao País demandam um comportamento especial. “Ouvimos casos de empresas que, no mundo, têm acordos fechados com um gigante. Mas, ao chegar aqui, a diretoria local ganha sinal verde para contratar serviços que o fornecedor mundial não oferece na região”, ressalta.
No levantamento, todas as empresas ouvidas afirmaram ter pelo menos dez fornecedores terceirizando diversas partes relacionadas com a sua área de TI e telecomunicações. Citando o exemplo de BPO (terceirização de processos de negócios), Mattar questiona: “é um contrato mundial que precisa estar em várias localidades. Mas como o gigante vai saber as regras de cada país para fornecer, por exemplo, a folha de pagamento de 30 países?”.
“A tendência é que as mudanças na tecnologia e nas necessidades de negócios do cliente deixem os contratos gigantescos obsoletos com muita velocidade”, defende Fonseca. De acordo com o analista, até as os acordos de nível de serviço (SLAs) – alardeados como o final dos problemas entre as partes – não são plenas quando o que está em jogo é o relacionamento entre cliente e fornecedor. “Começam a aparecer questionamentos em relação a idéia de SLA em 99%, pois ele não leva em conta o aprendizado e não vê as mudanças de negócios”, conta Mattar. Alfredo Pinheiro, diretor da consultoria Compass, complementa: “SLA é como um contrato pré-nupcial. Se pensar em todas as possibilidades do casamento, não casa”.
A quarterização é outro dos problemas desse modelo. Como o cliente não sabe com quem o fornecedor está subcontratando, a prática representa um risco grande já que não há garantias de que o subcontratado atenda as mesmas políticas e tenha governança de TI como o gigante. Além da falta de transparência, existe também a possibilidade de um passivo jurídico em caso de problemas com o fornecedor.
Além disso, já há o consenso entre os entrevistados de que a terceirização nem sempre representa redução de custos. Para se ter uma idéia, ainda que o acordo seja vantajoso no primeiro ano, as relações se alteram com o passar do tempo e culminam com o cliente pagando até 36% a mais do que o serviço equivalente realizado em modelo de insourcing (confira pesquisa no quadro da página ao lado).
“A idéia de delegar a TI para um terceiro e ainda esperar resultados financeiros sempre foi questionada”, argumenta Pinheiro, da Compass. O consultor vê um movimento pendular entre duas extremidades – geral e específico – e, hoje, ele está mais próximo do segundo. “Isso é realidade. Mesmo hoje, é difícil encontrar um cliente que faz outsourcing em TI e telecom com a mesma empresa”, diz.


