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Tecnologia e terceirização diferenciam rotina hospitalar

Hospitais do Recife (PE) aderem à gestão integrada de medicamentos e incorporam canetas eletrônicas e GPRS para aprimorar atendimento.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

26 de junho de 2007 - 16h19
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O paciente chega ao hospital com dores no peito. É encaminhado para o pronto-atendimento e recebido no consultório pelo médico de plantão, que após uma conversa e exames preliminares constata que se trata de um caso para internação.

Até aí nada extraordinário com a situação, não fosse por um aspecto muito peculiar: o médico usa uma caneta eletrônica para prescrever os medicamentos necessários para consumo imediato e transmite via GPRS (General Packed Radio Service) a ordem de distribuição para a farmácia central do hospital.

Na seqüência, o responsável pela gestão do estoque recebe a informação e encaminha o comprimido indicado já fracionado para o enfermeiro disponível, que leva a medicação ao paciente no momento em que ele é acomodado no leito.

O ciclo inicial de atendimento é encerrado com a distribuição do medicamento, que é comprovada por um leitor que validará o código de barras localizado na cama hospitalar.

Embora pareça episódio de algum seriado futurista sobre o cotidiano médico, a situação relatada anteriormente não tem nada de irreal para os hospitais pernambucanos do Progresso e Santa Catarina, geridos pelo grupo MMS Saúde.

A incorporação das canetas eletrônicas e do GPRS para transmissão de dados internamente são apenas uma pequena parte do projeto que está revolucionando a gestão dos estoques de medicamentos nas duas instituições.

Desde janeiro deste ano, os hospitais estão contando com serviços terceirizados do Grupo TCI que vão desde o armazenamento dos medicamentos até sua distribuição, além de passar também pela incorporação de novas tecnologias. “Tínhamos um objetivo que era fazer a gestão integrada de materiais e medicamentos.

Dessa forma, estávamos em busca de um fornecedor que se encarregasse desde a entrega até o controle do estoque”, comenta Michelle Pessôa, CEO do grupo MMS Saúde.

Os motivos principais para a adoção do modelo estavam vinculados especialmente à falta de um controle bem estruturado do inventário, inexistência de processos e muitas vezes do mau acondicionamento, que resultavam rotineiramente em prejuízos volumosos para os hospitais.

Segundo a executiva, boa parte do estoque costumava se perder em virtude dos prazos de validade vencidos, já que não havia nenhum tipo de controle em função de demanda. Fora isso, o espaço físico para armazenamento comprometia parte de sua estrutura apenas para o estoque.

Diante de tal realidade, o contrato com a prestadora de serviços TCI começou com um trabalho de diagnóstico, para definir o fluxo e a logística dos estoques.

Durante os meses de janeiro e fevereiro foi feita uma consultoria para gerenciamento de processos, identificaram-se os gargalos, os cadastros e foi feito um trabalho aprofundado no inventário. Calculou-se na ocasião que os hospitais movimentam em torno de 500 mil reais mensais em medicamentos, sendo 300 mil reais em novas aquisições e 200 mil reais em estoque.

Posteriormente, no mês de abril, a TCI conduziu a segunda fase do projeto, que envolveu renovação estruturação do sistema de gestão e incorporação de hardware. Hoje, os fornecedores entregam os medicamentos diretamente no centro de distribuição da TCI, em Recife, e a própria companhia se encarrega de fazer entregas semanais à Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) dos hospitais.

Em seguida, um profissional lança o recebimento daqueles medicamentos no software de gestão de estoque, também desenvolvido pela companhia, fraciona os remédios e abastece as farmácias satélite e os carrinhos de parada conduzidos pelas equipes de enfermagem.

Relações com alta tecnologia
Embora não esteja concluído, o projeto já traz resultados expressivos para os dois hospitais. “Depois que o novo controle começou a ser feito, deixamos de operar com 40 dias de estoque para apenas 10 dias.

O abastecimento semanal, ou se necessário diário, trouxe diminuição desse estoque em 42%, o que fez com que reduzíssemos também o espaço físico, viabilizando os planos de expansão dos leitos. Fora isso, também conseguimos gerar relatórios gerenciais e verificar inclusive as demandas futuras”, comenta.

As fases posteriores, previstas para o segundo semestre, incluem ainda a adesão das canetas eletrônicas e do GPRS para transmissão dos dados. A intenção é que cem médicos utilizem na fase inicial o equipamento, fabricado pela joint-venture suíça Anoto.

Embora apresente o formato e a aparência de uma caneta tradicional, a tecnologia traz uma câmera digital integrada e um microprocessador avançado para imagem – que registra 50 fotos por segundo, segundo a fabricante.

Outra etapa pretendida é a da incorporação de códigos de barra nos leitos, que permitirão à equipe de enfermagem registrar por meio de um leitor que o medicamento foi ministrado. Segundo Michelle, a idéia é implantar sistemas para controlar literalmente o consumo dos medicamentos até a boca do paciente.

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