Gestão
Revolução indiana: às vésperas da ebulição
Por Vinicius Cherobino, COMPUTERWORLD
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Outro ponto de interesse está no mercado interno brasileiro. O levantamento “100 Maiores Serviços Corporativos 2007”, realizado pela consultoria Meka e publicado pelo IDG, colocam o setor de terceirização no Brasil com movimentação de 9,2 bilhões de reais em 2006. Já a IDC aponta que o mercado brasileiro de outsourcing de TI movimentou 5 bilhões de reais em 2006, com previsão de crescimento para 12 bilhões até 2011. Nos próximos quatro anos, terão destaque especial no País os setores de integração e desenvolvimento (de 4 bilhões de reais para 7 bilhões de reais); instalação e suporte (menos de 4 bilhões de reais para 6 bilhões de reais); e consultoria (de 2 bilhões de reais para 3 bilhões de reais).
Há, contudo, uma combinação de fatores externos e internos à Índia que são ainda mais importantes dos que os citados anteriormente. As empresas indianas estão vendo uma forte movimentação dos seus atuais clientes em busca de minimizar o risco de ter todas as suas operações em um único país. Os clientes começam a buscar diversificação geo-política e não querem depender de força de trabalho de apenas um país. Caso as empresas indianas não ofereçam essa possibilidade, correm o risco de perder o cliente.
Esse ponto ganha especial peso quando se nota que regulamentações como Sarbanes-Oxley (leia reportagem na página 20) começam a exigir melhor gestão de risco nas companhias. E não há vulnerabilidade maior do que ter quase todas as suas operações terceirizadas de tecnologia para um único país que possui uma infra-estrutura bastante defasada e um histórico de acidentes naturais.
A infra-estrutura da Índia é um problema rotineiro para as empresas (estima-se que as auto-estradas, ferrovias e a produção de energia elétrica estejam 10 anos atrás das necessidades atuais). São comuns os relatos de cortes no fornecimento de energia elétrica em pequenos períodos de tempo, assim como casos de inundações e o trânsito enlouquecido de cidades como Bangalore e Nova Deli.
Outro grave problema na Índia é a mão-de-obra. Mesmo contando com milhares de novos engenheiros de software com inglês fluente sendo formados, estes problemas estão intimamente relacionados com o explosivo sucesso das empresas do setor, por mais irônico que isso possa parecer.
A busca por recursos humanos é feroz e resultou em três conseqüências práticas: uma pressão forte por aumento de salários, dificuldade na retenção de talentos e a completa escassez de gerentes de nível médio (a pressão dos salários elimina os níveis intermediários de desenvolvimento dos profissionais que, pela competição, são promovidos mais cedo).
A corrupção governamental é enorme. Estudo da Transparência Internacional (organização não-governamental alemã que investiga questões ligadas a corrupção) aponta que apenas os motoristas de caminhões de companhias multinacionais na Índia pagam 5 bilhões de dólares por ano em subornos para os diversos tipos de agentes do governo, no esforço para conseguir que a mercadoria chegue em seu destino. E esse não é o único problema relacionado com o governo indiano.
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