Gestão
Revolução indiana: às vésperas da ebulição
Por Vinicius Cherobino, COMPUTERWORLD
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Apontado anteriormente como grande aliado pelas generosas isenções fiscais, o cenário começou a mudar. Em março, o ministro de finanças da Índia, P. Chidambaram, anunciou a criação uma taxa mínima alternativa para gerar receita sobre o que é atualmente coberto pelos benefícios fiscais. Além disso, o projeto de isenção STPI (parques de software da Índia, do inglês) tem final previsto para 2008 e, apesar da demanda de 10 anos de extensão feita pela Nasscom, ainda não há definição do governo sobre a prorrogação ou não.
A caminhada para outras partes do mundo torna-se, então, obrigatória. E o Brasil é o mais atraente de todos os alvos. Como fica, então, o mercado brasileiro de terceirização? Quais serão as conseqüência para as empresas médias nacionais, com faturamento de 100 milhões de reais a 200 milhões de reais, como para as multinacionais que já atuam no País há anos e oferecem serviços de terceirização?
De acordo com os especialistas ouvidos pelo COMPUTERWORLD, a movimentação das indianas não busca a destruição dos competidores que já estão no Brasil, mas sim aproveitar o momento do mercado de expansão para outros países. “Acredito que eles estejam mais no movimento: ‘se eu não participar, outro vai tomar meu lugar’, do que em busca de destruir um mercado ou matar possíveis novos competidores”, afirma Ricardo Neves, sócio da divisão de aconselhamento da PricewhaterhouseCoopers.
A mesma opinião é compartilhada por Mauro Perez, diretor de pesquisas da IDC Brasil. De acordo com ele, a estratégia dessas empresas está em aproveitar a movimentação dos clientes em relação à fuga do risco de ter toda a atuação em um único país e oferecer um novo destino para manter o cliente. “As indianas precisam ser globais para sobreviver. E elas vêem o mercado brasileiro como ponto importante para isso”, diz.
Cássio Dreyfuss, vice-presidente de pesquisas do Gartner para América Latina, complementa: “estamos vendo um movimento com muita velocidade dessas empresas. Elas estão indo para o Leste Europeu, para outros países asiáticos e para o Brasil”. O especialista afirma que o Gartner é frequentemente consultado por organizações indianas e garante: “veremos mais duas ou três delas chegando por aqui”.
Cochilo em berço esplendido
Neves, da PwC destaca, também, que a chegada das indianas vai forçar uma evolução no setor brasileiro de terceirização, segmento que – segundo ele – nunca esteve muito preocupado em atualização e inovação, cuidando apenas da manutenção dos clientes. “Os locais não evoluíram muito. Mesmo os fornecedores globais dormiram em berço esplêndido. Fora poucas exceções, grande parte não evoluiu em capacitação de profissionais, no ferramental, nas métricas, nas certificações e nas pessoas”, diz.
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