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Gestão

CIOs precisam se colocar em seus lugares

De acordo com vice-presidente e analista emérito do Gartner, Donald Feinberg, CIOs brasileiros precisam se posicionar em segundo nível nas companhias e apoiar as áreas de negócios.

Por Luciana Coen, do COMPUTERWORLD

21 de agosto de 2007 - 14h14
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Especialmente no Brasil, CIOs precisam se colocar em segunda posição na escala das companhias. Se eles continuarem se sentindo parte do negócio, as empresas vão começar a ter problemas.

Quem afirma é Donald Feinberg, vice-presidente e analista emérito do Gartner, em coletiva de imprensa na XII Conferência Anual do Gartner sobre o Futuro da Tecnologia. "Se continuarem se sentindo parte do negócio, os CIOs vão prejudicar suas companhias", afirma o executivo. "Eles não entendem do negócio."

De acordo com ele, atualmente é mais fácil ensinar um homem de negócios a dirigir tecnologia do que fazer o caminho oposto. "Todo mundo hoje cresce aprendendo tecnologia", justifica. Para Feinberg, esta é uma tendência que ocorre essencialmente na América Latina e mais profundamente no Brasil.

Um dos pontos mais críticos é a forma como têm sido utilizados os sistemas de BI (Business Intelligence). Estes sistemas só serão implementados com sucesso, segundo o analista, quando as áreas de negócios dirigirem os projetos estratégicos de BI e a área de TI trabalhar como apoio a eles. "Enquanto os projetos de BI foram liderados pela tecnologia, eles não farão diferença nas empresas", afirma Feinberg, enfatizando que "TI não pode dirigir a companhia".

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Ellen Kitzis, vice-presidente de pesquisa do Gartner e especialista em liderança, reforça e aprofunda os comentários de Feinberg. "Mesmo como suporte às áreas de negócio, líder de TI precisa mudar para um líder de negócios", diz Ellen. O antigo gerente de TI, que entregava tecnologia pura, agora precisa entregar perfomance, por meio de sistemas da informação.

Ambos pontuam que há excessões em todos os setores da indústria e especialmente na vertical de serviços financeiros ou em companhias como eBay ou Submarino, em que a tecnologia se mistura ao negócio. "De toda forma, o mais importante é que estes líderes de negócios assumam suas responsabilidades como apoio ao negócio - e não parte dele -, e tenham mais foco em processos e menos em consequências", diz Ellen.

Opinião do Leitor [3 comentários]

A moda ocorre em espirais...

Tenho a impressão que o posicionamento do CIO nas organizações acontece como a moda, em espirais.

Antes o CIO ou Gerente de Processamento de Dados cuidava de tecnologia, mas o coitado parecia que não entendia do negócio. Evoluiu e foi aconselhado a conhecer o negócio da empresa, a "civilizar-se" e "comunicar-se" na linguagem dos negócios.

Foi convidado a sentar na mesa nas reuniões do board. Foi promovido a diretor ou até vice-presidente. Agora, empurram-no de volta à casa de máquinas, mas o rapaz voltou para o "seu lugar" mais polido, educado, falando os jargões dos negócios.

Esta colocação pode ser fruto do medo: "não é que estes caras aprendem rápido, parece até que são administradores desde criancinhas...".

Pode ser resultado de esteriótipos. Prefiro acreditar na segunda hipótese. Alias, esta publicação é profíqua em esteriótipos.

Depois da manifestação do Sr. Feinberg, aguardo o artigo na Computerworld: 10 passos para voltar ao "backoffice" de cabeça erguida.
Heitor - 25 Ago 2007, 16h43

Orkut não ensina tecnologia

Jogar vídeo game, utilizar celular, acessar a Internet, utilizar editores de texto, deixa tecnologia familiar a todos, mas não torna os usuários tecnólogos ou aptos a trabalhar em IT. Ao contrário, essas tecnologias ficaram populares porque ficaram simples, deixando toda a tecnologia “mascarada” pela funcionalidade desejada pelo usuário final. Quem sabe como uma televisão funciona? Uma minoria. Alias, o que importa mesmo é quando não funciona, não é?

Não vejo como um problema o CIO ter um comprometimento com o negócio da empresa, é sua obrigação. Isso evitaria que os “não-técnicos” comprassem ferramentas custosas, baseado nos excelentes slides dos vendedores de BI, ao mesmo tempo em que permitiria ao CIO recomendar soluções tecnológicas que realmente ajudariam a empresa a sobreviver e ficar mais competitiva no mercado.

O que me incomoda muito mais é o TI virar um universo totalmente desvinculado do negócio da empresa. Criando regras que facilitam suas funções e dificultam o negócio da empresa.
Fernando - 22 Ago 2007, 12h11

Ser um peixe

A idéia de que "Todo mundo hoje cresce aprendendo tecnologia" é interessante. Eu só acho que vale a pena lembrar que "crescer aprendendo tecnologia" tem tantas chances de formar alguém que entenda tecnologia da informação quanto um curso de natação pode transformá-lo em um peixe.

Não é qualquer um que pode ser um matemático, um músico ou um poeta. Algumas coisas exigem talento também.
Ricardo - 21 Ago 2007, 15h04
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