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Gestão

Governança de TI: o que ela (não) faz por você

Planejar bem e gerenciar as expectativas é a melhor forma de não se decepcionar com o tema, especialmente porque os frameworks definitivamente não trazem a cura para todos os males de uma companhia.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

15 de outubro de 2007 - 07h30
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“O ITIL está em retração”. Quem acompanhou a imprensa internacional especializada em TI ao longo da primeira semana de outubro deve ter se deparado com a chamativa manchete gerada pelo estudo da consultoria norte-americana BT INS, que sugere que a biblioteca britânica de melhores práticas pode não estar com o fôlego que se imagina. Como é possível que isso seja verdade, já que nunca se falou tanto em adoção das melhores práticas, devem ter se perguntado alguns executivos incrédulos, questionando os dados do levantamento que ouviu 300 gestores de TI nos Estados Unidos.

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A pesquisa diz que caiu o percentual de executivos que acredita que o ITIL tem trazido benefícios reais aos seus negócios. Hoje, 32% daqueles que já o utilizam o vêem como muito crítico para o sucesso de suas metas, contra 43% com a mesma opinião em 2006, e 45%, em 2004. A consultoria sugere que as práticas britânicas possam ter chegado a um certo nível de saturação, mas afirma que a adoção do framework não tem surtido o efeito que essas companhias esperavam.

Contestações ou polêmicas à parte, o estudo ilustra um fenômeno que, de fato, acontece silenciosamente entre boa parte das companhias que conduzem projetos de governança. Muitas têm se deparado com o descompasso entre as expectativas dos gestores, das áreas de negócios, dos próprios funcionários de TI e o que efetivamente os frameworks podem trazer de resultado. Tudo isso em virtude do planejamento falho ou de algum fator que superestima o papel da governança.

Cássio Dreyfuss, vice-presidente do Gartner, aponta que em muitos casos a diferença entre expectativa e resultado acontece porque o próprio líder da iniciativa não tem uma idéia clara, logo no início, sobre onde está sua empresa e sobre o quer atingir com o projeto. “Empresas geralmente têm deficiência em métricas. Temos um estilo mais informal e o pessoal geralmente se orgulha de fazer as coisas com um ‘jeitinho brasileiro’. Por outro lado, a gestão moderna está construída em cima das métricas”, comenta.

Na visão do Gartner, existem dois lados da governança. De um está o modelo para direcionar recursos para atingir objetivos de negócios por meio de direitos e responsabilidades por decisões. De outro, estão as conformidades, regulamentações e auditorias. Muitas das iniciativas de governança, relata Dreyfuss, são tomadas pelas empresas com perspectiva de conformidade, e não de apoio aos negócios. Dessa forma, a governança é absolutamente neutra em relação aos objetivos de negócio. E se a implementação de frameworks vier sem pensar nos objetivos de negócios, certamente o projeto não será bem sucedido.

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Da mesma forma, pode haver descompasso entre expectativa e resultado se a implantação da governança de TI for encarada de forma semelhante à de uma tecnologia ou sistema específico. “Encarar a instituição da governança como se fosse a implantação de um ERP, pensando em trocar tudo, não resolve. Governança é um projeto, não um programa. Tem começo, mas nunca tem fim, e modifica as ações de acordo com o que chegar. Trocar tudo não resolve”, aponta o analista.

Opinião do Leitor [5 comentários]

GOVERNANÇA É UM PROGRAMA !

De fato o artigo comete um erro que prefiro acreditar que tenha sido de "digitação" trocando a palavra Projeto por Programa e vice-versa, o que confunde a leitura.

Implantar Governança, é um ato contínuo, baseado no Ciclo de Melhoria Contínua de Deming (ou PDCA) onde os Processos de Gerenciamento de Projetos e Serviços são baseados em "Best Practices" dos frameworks mais indicados para a cultura da empresa.

A melhor forma de implantar é: cada conjunto de melhorias ser um objetivo de um Projeto específico, onde todos estes projetos tem um objetivo comum, a Governança, que representa um Programa que deve ser duradouro, para que sempre evolua.

Não há forma estabelecer um Programa de Governança sem ter apoio dos Steakholders, caso contrário este movimento terá muita resistência interna ou mesmo boicotes. Também não se sustenta, principalmente em empresas privadas se for baseada apenas em conformidades com normas, leis, etc.
Se não há alinhamento com o Negócio e obviamente foco nos clientes, que pagam esta "conta", torna-se meramente um conjunto de normas e procedimentos que podem apenas burocratizar e não agregar valor com: redução de custos e riscos e com aumento de qualidade e eficiência, seja esta em forma de lucratividade, produtividade ou outra mais conveniente.

Abs.
OMAR MUSSI.
Omar - 26 Jul 2009, 20h45

Programa ~ Software

Caro Maurício,
eu compartilho de seu ponto de vista. Só gostaria frisar que, me pareceu que no texto diante da fala do vice-presidente do Gartner (Cássio Deytuss) quando ele se refere a programa ele quer dizer sistema de software.
Luiz Augusto - 22 Ago 2008, 10h56

Governança de TI - Programa ou Projeto?

Prezado(a),

Achei um tanto quanto contraditório o tema Governança de TI: o que ela (não) faz por você ...

De acordo com a visão do analista do Gartner, “Governança é um projeto, não um programa. Tem começo, mas nunca tem fim, e modifica as ações de acordo com o que chegar”.

Segundo o PMI – Guia PMBOK, 2004, “um projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo... a duração de um projeto é finita. Projetos não são esforços contínuos” por mais extensos que sejam.

Dessa forma, o tema evidencia essa contradição quando diz que: O Yahoo, por exemplo, adotou nos Estados Unidos uma prática batizada de ITopia e criou folhetos, desenhos, camisetas e até frisbees para auxiliar na explicação do programa”.

Por fim, concordo com a consideração da Governança de TI como um programa por entender que à medida em que a Governança de TI corresponde aos objetivos e estratégias organizacionais, às relações e interações entre as áreas de negócios, empresas parceiras e órgãos reguladores, o programa tende a sua maior efetividade quanto a gestão das informações, minimização da assimetria informacional, transparência corporativa, geração de oportunidades, de competitividade, de valor estratégico e controle.

Maurício Pelanda
Mauricio - 19 Out 2007, 08h35
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