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Gestão

Governança de TI: o que ela (não) faz por você

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

15 de outubro de 2007 - 07h30
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O que ela não faz?
Partindo do princípio de que a governança não é a cura para todos os males, vale perguntar, então, o que NÃO esperar dela. Cesar Monteiro, diretor geral da consultoria IT Partners, ressalta, por exemplo, que simplesmente implantar um framework não significa que a companhia será bem sucedida em determinado processo, especialmente porque ainda dependerá de pessoas. E nem sempre esses funcionários estão dispostos a aceitar de bom grado as novas regras. “Pode-se trabalhar em governança de TI, mas não haverá gestão automática de mudanças na cabeça das pessoas. Não me lembro de ninguém que venha feliz para os cursos para entender os processos de governança”, comenta.

Não se deve também esperar que um certo framework resolva necessariamente diversas demandas da companhia. O ideal é articulá-los – ou pelo menos parte deles – de forma a combinar seus efeitos e disseminá-los para o maior alcance possível. O ITIL, por exemplo, que endereça questões relativas a serviços de tecnologia, pode ganhar destaque quando aliado às métricas de acompanhamento do Cobit. “É sonho achar que vai ganhar agilidade, aprovar as verbas ou entrar em uma lua-de-mel com as áreas de negócios só porque adotou Cobit ou ITIL. Trata-se de um processo. Esse é só o primeiro tijolo”, complementa Marcelo Silva, diretor educacional da consultoria WordPass.

Para atingir tal nível de maturidade, entretanto, é necessário obviamente que o gestor saiba o que esperar também de cada prática. Por exemplo, não adianta esperar respostas sobre a viabilidade de certo iniciativa do PMI, sendo que ele somente garantirá quais etapas estão sendo cumpridas. Cada empresa deverá adequá-lo à sua realidade, conforme ressalta Walther Krause, vice-presidente do capítulo Rio de Janeiro do Project Management Institute.

Gestão de expectativas
Já que a assimilação cultural das novas práticas não vem de forma automática com a governança, algumas companhias têm adotado – com sucesso – formas alternativas de mostrar quais os benefícios que aquele projeto trará no futuro próximo dentro do próprio time de TI. E, mesmo se tratando de governança, essas explicações não precisam ser enfadonhas.

O Yahoo, por exemplo, adotou nos Estados Unidos uma prática batizada de ITopia e criou folhetos, desenhos, camisetas e até frisbees para auxiliar na explicação do programa. Na cultura de um ambiente de trabalho baseado em e-mail e mensagens instantâneas, o gerente de serviços de data center Stephen Carn optou por imprimir a campanha para criar a oportunidade de interação cara-a-cara. De acordo com Monteiro, da IT Partners, ferramentas de endomarketing desse tipo servem para dar um “chacoalhão” bom para convidar os funcionários a interagir e aceitar as novas práticas.

Já em relação a gerir as expectativas da área de negócios, os especialistas defendem a exclusão do “tecniquês” e a adoção do “clientês”, que nada mais é do que o executivo de tecnologia falar a língua do executivo de negócios e apresentar, por meio de métricas, a situação atual e para onde se pretende ir.

Opinião do Leitor [5 comentários]

GOVERNANÇA É UM PROGRAMA !

De fato o artigo comete um erro que prefiro acreditar que tenha sido de "digitação" trocando a palavra Projeto por Programa e vice-versa, o que confunde a leitura.

Implantar Governança, é um ato contínuo, baseado no Ciclo de Melhoria Contínua de Deming (ou PDCA) onde os Processos de Gerenciamento de Projetos e Serviços são baseados em "Best Practices" dos frameworks mais indicados para a cultura da empresa.

A melhor forma de implantar é: cada conjunto de melhorias ser um objetivo de um Projeto específico, onde todos estes projetos tem um objetivo comum, a Governança, que representa um Programa que deve ser duradouro, para que sempre evolua.

Não há forma estabelecer um Programa de Governança sem ter apoio dos Steakholders, caso contrário este movimento terá muita resistência interna ou mesmo boicotes. Também não se sustenta, principalmente em empresas privadas se for baseada apenas em conformidades com normas, leis, etc.
Se não há alinhamento com o Negócio e obviamente foco nos clientes, que pagam esta "conta", torna-se meramente um conjunto de normas e procedimentos que podem apenas burocratizar e não agregar valor com: redução de custos e riscos e com aumento de qualidade e eficiência, seja esta em forma de lucratividade, produtividade ou outra mais conveniente.

Abs.
OMAR MUSSI.
Omar - 26 Jul 2009, 20h45

Programa ~ Software

Caro Maurício,
eu compartilho de seu ponto de vista. Só gostaria frisar que, me pareceu que no texto diante da fala do vice-presidente do Gartner (Cássio Deytuss) quando ele se refere a programa ele quer dizer sistema de software.
Luiz Augusto - 22 Ago 2008, 10h56

Governança de TI - Programa ou Projeto?

Prezado(a),

Achei um tanto quanto contraditório o tema Governança de TI: o que ela (não) faz por você ...

De acordo com a visão do analista do Gartner, “Governança é um projeto, não um programa. Tem começo, mas nunca tem fim, e modifica as ações de acordo com o que chegar”.

Segundo o PMI – Guia PMBOK, 2004, “um projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo... a duração de um projeto é finita. Projetos não são esforços contínuos” por mais extensos que sejam.

Dessa forma, o tema evidencia essa contradição quando diz que: O Yahoo, por exemplo, adotou nos Estados Unidos uma prática batizada de ITopia e criou folhetos, desenhos, camisetas e até frisbees para auxiliar na explicação do programa”.

Por fim, concordo com a consideração da Governança de TI como um programa por entender que à medida em que a Governança de TI corresponde aos objetivos e estratégias organizacionais, às relações e interações entre as áreas de negócios, empresas parceiras e órgãos reguladores, o programa tende a sua maior efetividade quanto a gestão das informações, minimização da assimetria informacional, transparência corporativa, geração de oportunidades, de competitividade, de valor estratégico e controle.

Maurício Pelanda
Mauricio - 19 Out 2007, 08h35
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