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Gestão

Entrevista: O desafio da retenção do conhecimento nas empresas

Por Luciana Coen, do COMPUTERWORLD

05 de dezembro de 2007 - 13h10
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BLAIZE – Sim. Há muitas coisas que precisam ser melhoradas. A primeira delas é o fato de não fazerem, ao término do projeto, a fase de “lições aprendidas”. Os poucos que fazem, não documentam. Outro grande problema que eu vejo que ocorre no mundo todo é o fato de que o gerente não consegue selecionar as pessoas que ele quer no projeto, quem ele quer no seu time. O terceiro ponto é ter executivos de diversas áreas patrocinando o projeto e fazendo a ponte entre TI e área de negócios. Esta questão, alías, é delicada. Porque estes “patrocinadores” não podem sair no meio do projeto também. É preciso reduzir o turn over neste ponto.

CW – Como especialistas em ITIL – e especialmente a senhora – têm endereçado questões relacionadas a gestão de projetos? De que forma as duas áreas podem interagir em conjunto?
BLAIZE
– A metodologia ITIL está tentando entender – ou melhor organizar – a área de TI. Mas acredito que ITIL e PMI ainda precisem se ajustar. Ainda há muito o que integrar nestas questões. E estão neste movimento. É perceptível.

CW – Diante de tantos problemas ainda enfrentados por gestores desta área, por qual questão a senhora começaria?
BLAIZE
– Começaria por montar uma espécie de mapa do conhecimento. É preciso ter mapeado quem sabe o quê e onde está a informação ou como procurá-la para resolver um problema. Especialmente, um problema que já ocorreu alguma outra vez e já foi resolvido. E normalmente a equipe de projetos fica procurando outra forma de resolver aquilo pelo qual já passaram, de uma forma ou de outra.

CW – Diante da realidade da terceirização em tecnologia da informação, como ficam os projetos?
BLAIZE
– É complicado quando empresas diferentes fazem parte de uma mesma equipe de projetos. Com isto, é muito comum aparecerem conflitos de interesse, que têm muito a ver com emoções – porque não dizer isso mesmo? – e com política, conflitos de interesse.

CW – Qual é o seu histórico e porque você se especializou em gestão de projetos?
BLAIZE
– Comecei como profissional em TI. Fui, durante sete anos, administradora de dados, em uma hidroelétrica. Já naquela época começou a estudar a metodologia do PMI, mas ainda era muito pouco. Depois de outros empregos, tornou-se consultora independente, até que entrei para o mundo acadêmico.

CW – A senhora consideraria gerenciar um grande PMO em uma empresa ou prefere o mundo acadêmico?
BLAIZE
– Eu consideraria, sim, voltar para iniciativa privada, se a proposta for interessante. É muito bom olhar para trás e perceber o quanto você foi útil em uma organização, o quanto foi capaz de mudar. Fora isso, tenho dois filhos, que já têm mais de 20 anos, e posso trabalhar em ritmo mais pesado.

CW – Como a senhora vê o Brasil em termos de maturidade em gestão de projetos?
BLAIZE
– O Brasil está mais maduro e, principalmente, colocando em pauta diversas discussões interessantes. O Chapter Brasil do PMI têm feito um excelente trabalho na disseminação da metodologia.

CW – Quais são seus próximos projetos nesta área?
BLAIZE – Quero lançar um site interativo para gerentes de projetos, com base em minhas pesquisas acadêmicas.

CW - Qual é o futuro do PMI? A metodologia está sempre sendo revisada?
BLAIZE
– A mais recente atualização foi feita em 2004. Justamente nesta edição, falaram muito sobre a questão de “lições aprendidas”. A gestão do conhecimento é muito importante.

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