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Experiências derrubam os cinco mitos da RFID

Análise do uso das etiquetas de identificação por radiofreqüência em grandes empresas farmacêuticas tentam impedir que consumidores comprem medicamentos falsificados.

Por CIO

14 de fevereiro de 2008 - 13h00
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Há mais de dois anos, cada vidro do polêmico analgésico OxyContin destinado ao Wal-Mart, maior rede de varejo do mundo, ou ao H.D. Smith, atacadista de médio porte especializado em medicamentos, recebe uma etiqueta especial saudada como a solução para o problema mundial da falsificação de remédios.

Cada rótulo de aparência normal oculta uma etiqueta de identificação por radiofreqüência que permite ao fabricante Purdue Pharma rastrear o percurso do medicamento ao longo de todo o supply chain — independente de quantos comprimidos são armazenados em quantos vidros e quantos vidros são acomodados em caixas de papelão que passam zunindo pela esteira transportadora.

A idéia é que os distribuidores possam escanear rapidamente todos os vidros do OxyContin, conhecer a procedência (o “pedigree”) de cada um e rejeitar aqueles que não possam ser rastreados de volta à Purdue.

"É eficiente, preciso, faz o que queremos do ponto de vista da segurança e não retarda o sistema de distribuição", afirma Aaron Graham, vice-presidente e CSO da Purdue Pharma, acrescentando que o investimento em infra-estrutura para o projeto piloto foi de 2 milhões de dólares e cada tag custa entre 30 e 50 centavos de dólar.

Se as palavras de Graham lhe soam familiares, inclusive os números, é porque ele vem dizendo isso há anos. Mesmo assim, não sabe informar com detalhes como o sistema impediu a venda de OxyContin falsificado. Afinal, a Purdue nunca teve nenhum problema com OxyContin falsificado. A empresa já teve problemas com OxyContin roubado e desviado, além da pressão do governo para ter melhor controle sobre um remédio altamente viciante, que recebeu mais atenção na mídia por seu abuso do que por seu uso.

Graham reconhece que a principal vantagem do sistema RFID da Puedue é possibilitar que investigadores escaneiem um vidro ou um caixa de OxyContin apreendida e detectem exatamente de onde veio.

Para realmente deter a comercialização de remédios falsificados, precisaria existir uma central de informação onde cada distribuidor e cada farmácia pudesse checar e validar a procedência de cada medicamento, segundo  Graham — tarefa muito mais complexa do que rastrear o envio de um tipo de remédio para dois distribuidores diferentes, como a Purdue faz.

A necessidade de impedir que medicamentos falsificados cheguem ao supply chain legítimo é premente. A Organização Mundial de Saúde revelou que os remédios falsificados representam mais de 10% das vendas mundiais e são responsáveis por milhares de mortes por ano.

O problema é que décadas depois da tecnologia RFID ter sido inventada e anos depois do Food and Drug Administration dos Estados Unidos ter começado a proclamá-la como a maneira mais promissora de autenticar remédios, em termos de combate à falsificação ela continua sendo apenas isso: uma “promessa” distante da comprovação.

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Mesmo que empresas como a Purdue continuem a testar o uso de RFID, ainda não está claro se esta festejada tecnologia poderá atingir as expectativas tanto da indústria farmacêutica, que se encontra na vanguarda da experimentação, quanto de outro setor qualquer. O motivo vai muito além dos problemas relacionados a tecnologia, padrões e privacidade, citados com freqüência, e da própria natureza do que é ou não é RFID e o que ela poderá ou não agregar a qualquer programa anti-falsificação.

“Estamos vendo isso em outras áreas da segurança”, diz Roger Johnston, chefe da Equipe de Avaliação de Vulnerabilidade do Los Alamos National Laboratory, que realizou vasta pesquisa sobre tecnologia RFID e concluiu que talvez ela não ofereça segurança superior ao código de barras comum. “Fornecer boa segurança é um grande desafio e as pessoas estão em busca de balas de prata”, admite. “Mas você está muito enganado se simplesmente inserir uma tag RFID e achar que, num passe de mágica, ela fornecerá segurança.”

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