Gestão
TI vive crise de confiança
Pesquisas mostram que maioria dos projetos de TI supera as previsões iniciais de tempo e orçamento, frustrando expectativas.
Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD
Quem já reformou a casa, o escritório ou o apartamento sabe
que, na maioria dos casos, as previsões de orçamento e prazo para entrega serão
estouradas.
Recentemente, pesquisas da Forrester, da IAG Consulting e da Dynamics
Markets provaram que os projetos de tecnologia da informação seguem o mesmo
rumo. Métricas e mensurações erradas tornam indicadores e planos de ação
superficiais, abalando a confiança nos projetos propostos tanto pelos
fornecedores aos CIOs, quanto pelos diretores de tecnologia às áreas de
negócios.
O levantamento da Dynamics, encomendado pela Tata Consultancy
Services (TCS), aponta que um em cada três projetos de TI não atinge às
expectativas dos contratantes. Os problemas mais comuns citados pelos 800
gerentes plenos e seniores de grandes empresas de oito países (Estados Unidos,
Reino Unido, França, Alemanha, Índia, Japão, Singapura e Suécia) incluem
entrega fora do prazo (62%), problemas no orçamento (49%) e manutenção e custo
acima da expectativa (47%).
Além disso, 25% das empresas dizem que os usuários
relutam em adotar os novos sistemas quando implementados. Apesar disso, 43% das
organizações acreditam que seus gerentes de negócios e diretores consideram
normais problemas deste tipo.
A IAG Consulting revela algo bastante parecido: cerca de
dois terços das companhias defendem que é “improvável” que um projeto de TI
seja considerado um completo sucesso devido à entrega inadequada ou imprópria
das requisições de negócios. Metade desses projetos pode ser chamado de
“fracassado” por se encaixar em pelo menos dois de três fatores: eles levam
180% mais tempo para serem completados; superam em 160% o orçamento estabelecido;
e entregam menos de 70% das capacidades desejadas.
Os outros 32% das companhias pesquisadas acreditam que há
uma chance “provável” de sucesso para os projetos de TI, de acordo com o estudo
que entrevistou mais de dez empresas de médio porte listadas pela Fortune 1000
na América do Norte. “Os números foram de longe maiores do que esperávamos”,
diz Keith Ellis, vice-presidente da IAG.
O executivo diz ter chamado a atenção o fato de as pessoas
olharem para as exigências de negócios como um documento e não como um
processo. “Esse é um dos casos em que o meio é tão ou mais importante que o
final”, completa Ellis, lembrando que boas requisições de negócios podem
assegurar que a escala de um projeto está minimizada, mas não previnem perdas nas
necessidades de negócios.
Os danos foram piores quando a análise envolveu requerimentos
feitos pelas áreas de negócios. Esses projetos atingiram aproximadamente o
dobro dos orçamentos previstos mais de 245% do tempo alocado, segundo a IAG.
Quando os funcionários de TI gerenciaram as requisições, os resultados foram
somente um pouco melhores, com orçamentos superando 163% e o tempo em 172%.
Os
melhores resultados vieram quando as duas áreas trabalharam juntas na definição
das exigências. A conclusão da pesquisa é de que as empresas deveriam formar um
“centro de excelência” para requisições de negócios, com o gerenciamento compartilhado
tanto por TI e quanto por funcionários de negócios.
A terceira pesquisa que mostra desalinhamento entre resultados
e metas iniciais foi desenvolvida pelo Forrester, sob encomenda da Borland. O
estudo mostra que as organizações de desenvolvimento de aplicativos perdem o
foco de seu negócio e da TI quando fazem o uso equivocado de métricas. A
consultoria ouviu 20 gerentes de desenvolvimento e executivos responsáveis por
organizações de criação de aplicativos que faturam mais de 1 bilhão de dólares.
Como resultado, detectou que os fatores custo e complexidade
na coleta de métricas são os principais empecilhos para que as empresas aprimorem
seus programas. Na prática, mesmo quando adotam iniciativas de mensuração, elas
freqüentemente selecionam métricas incorretas e utilizam metodologias
ineficientes para a sua coleta.
O Forrester descobriu que as medidas normalmente rastreadas
são as tradicionais e antigas métricas de gerenciamento de projetos –
planejamento, custo e falhas – que não descrevem necessariamente o trabalho
realizado em um projeto de desenvolvimento e, basicamente, oferecem pouca
relevância para o sucesso dessas iniciativas.
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Segundo o estudo, a carência de dados
atualizados que realmente descrevam o trabalho realizado é a maior falha da
maioria dos programas de métricas de desenvolvimento de aplicativos e da maioria
das fábricas de software que, muitas vezes, nem estão cientes disto.


