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Gestão

TI vive crise de confiança

Pesquisas mostram que maioria dos projetos de TI supera as previsões iniciais de tempo e orçamento, frustrando expectativas.

Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD

13 de março de 2008 - 06h30
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Quem já reformou a casa, o escritório ou o apartamento sabe que, na maioria dos casos, as previsões de orçamento e prazo para entrega serão estouradas.

Recentemente, pesquisas da Forrester, da IAG Consulting e da Dynamics Markets provaram que os projetos de tecnologia da informação seguem o mesmo rumo. Métricas e mensurações erradas tornam indicadores e planos de ação superficiais, abalando a confiança nos projetos propostos tanto pelos fornecedores aos CIOs, quanto pelos diretores de tecnologia às áreas de negócios.

O levantamento da Dynamics, encomendado pela Tata Consultancy Services (TCS), aponta que um em cada três projetos de TI não atinge às expectativas dos contratantes. Os problemas mais comuns citados pelos 800 gerentes plenos e seniores de grandes empresas de oito países (Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Índia, Japão, Singapura e Suécia) incluem entrega fora do prazo (62%), problemas no orçamento (49%) e manutenção e custo acima da expectativa (47%).

Além disso, 25% das empresas dizem que os usuários relutam em adotar os novos sistemas quando implementados. Apesar disso, 43% das organizações acreditam que seus gerentes de negócios e diretores consideram normais problemas deste tipo.

A IAG Consulting revela algo bastante parecido: cerca de dois terços das companhias defendem que é “improvável” que um projeto de TI seja considerado um completo sucesso devido à entrega inadequada ou imprópria das requisições de negócios. Metade desses projetos pode ser chamado de “fracassado” por se encaixar em pelo menos dois de três fatores: eles levam 180% mais tempo para serem completados; superam em 160% o orçamento estabelecido; e entregam menos de 70% das capacidades desejadas.

Os outros 32% das companhias pesquisadas acreditam que há uma chance “provável” de sucesso para os projetos de TI, de acordo com o estudo que entrevistou mais de dez empresas de médio porte listadas pela Fortune 1000 na América do Norte. “Os números foram de longe maiores do que esperávamos”, diz Keith Ellis, vice-presidente da IAG.

O executivo diz ter chamado a atenção o fato de as pessoas olharem para as exigências de negócios como um documento e não como um processo. “Esse é um dos casos em que o meio é tão ou mais importante que o final”, completa Ellis, lembrando que boas requisições de negócios podem assegurar que a escala de um projeto está minimizada, mas não previnem perdas nas necessidades de negócios.

Os danos foram piores quando a análise envolveu requerimentos feitos pelas áreas de negócios. Esses projetos atingiram aproximadamente o dobro dos orçamentos previstos mais de 245% do tempo alocado, segundo a IAG. Quando os funcionários de TI gerenciaram as requisições, os resultados foram somente um pouco melhores, com orçamentos superando 163% e o tempo em 172%.

Os melhores resultados vieram quando as duas áreas trabalharam juntas na definição das exigências. A conclusão da pesquisa é de que as empresas deveriam formar um “centro de excelência” para requisições de negócios, com o gerenciamento compartilhado tanto por TI e quanto por funcionários de negócios.

A terceira pesquisa que mostra desalinhamento entre resultados e metas iniciais foi desenvolvida pelo Forrester, sob encomenda da Borland. O estudo mostra que as organizações de desenvolvimento de aplicativos perdem o foco de seu negócio e da TI quando fazem o uso equivocado de métricas. A consultoria ouviu 20 gerentes de desenvolvimento e executivos responsáveis por organizações de criação de aplicativos que faturam mais de 1 bilhão de dólares.

Como resultado, detectou que os fatores custo e complexidade na coleta de métricas são os principais empecilhos para que as empresas aprimorem seus programas. Na prática, mesmo quando adotam iniciativas de mensuração, elas freqüentemente selecionam métricas incorretas e utilizam metodologias ineficientes para a sua coleta.

O Forrester descobriu que as medidas normalmente rastreadas são as tradicionais e antigas métricas de gerenciamento de projetos – planejamento, custo e falhas – que não descrevem necessariamente o trabalho realizado em um projeto de desenvolvimento e, basicamente, oferecem pouca relevância para o sucesso dessas iniciativas.

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Segundo o estudo, a carência de dados atualizados que realmente descrevam o trabalho realizado é a maior falha da maioria dos programas de métricas de desenvolvimento de aplicativos e da maioria das fábricas de software que, muitas vezes, nem estão cientes disto.

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