Gestão
Inovação no Brasil: o papel dos pólos de desenvolvimento
O mercado brasileiro de software é coalhado por pólos de desenvolvimento. Conheça, na primeira reportagem de uma série, o que eles representam para o mercado.
Por Fabio Barros, do COMPUTERWORLD
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A cidade de Londrina tem, somente este ano, 1,5 mil vagas abertas para profissionais de TI. Em Curitiba, serão 15 mil vagas até 2010.
Cidades como estas são o centro de operações de pequenas empresas como a DBServer – criada e mantida dentro do Tecnopuc, em Porto Alegre – que tem hoje 200 funcionários e, somente nos primeiros meses deste ano, contratou 39 para as áreas de testes de software, recursos humanos, integração, suporte e qualidade.
As vagas citadas acima, e muitas outras que vem surgindo em outras regiões do Brasil, são fruto de iniciativas que estão se tornando comuns: a criação de pólos de desenvolvimento de software.
Mapa
da Inovação no Brasil:
Software
nordestino ganha espaço em outros mercado
Existem
mais de 12 pólos de tecnologia do Sul do Brasil
Pólos
de tecnologia do Sudeste
Seja dentro de universidades, seja por incentivo de grandes empresas (ou ambos), estes centros estão se tornando fator fundamental para o desenvolvimento do mercado. “Certamente eles são um ponto de alavancagem da inovação no País”, afirma Pedro Alem, assessor especial de projetos de TI da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial).
O especialista explica que os ecossistemas criados em torno destes pólos acabam oxigenando o mercado, “principalmente quando se formam em torno de centros de excelência e de universidades”.
O que era simples constatação começa a ser confirmado por alguns estudos que procuram entender e explicar o ambiente de inovação criado no Brasil, e como ele se compara ao de outros países do mundo.
Um destes retratos é fornecido pela pesquisa “Onde está a inovação no Brasil?”, realizada pelo centro de conhecimento do Instituto. O estudo foi realizado pela primeira vez em 2003 e foi atualizado no final do ano passado, com o objetivo de mapear os centros brasileiros com maior potencial para o desenvolvimento de inovação tecnológica a partir da integração universidade-empresa. Em suas conclusões, o estudo traz uma boa e uma má notícia.
A má notícia é que, no contexto da inovação no País, existe o que os pesquisadores chamaram de “grande vale”, ou que se traduz na distância ainda existente entre a produção científica e o setor empresarial. Alguns dos motivadores do fenômeno seriam “a cultura e os incentivos a publicações em detrimento à proteção do conhecimento e a pouca presença de pesquisadores nas empresas”, diz o documento.
A boa notícia é que, apesar do “grande vale”, o ambiente brasileiro é hoje favorável ao desenvolvimento de inovações tecnológicas. Isto acontece porque o País viu crescer sua base de pesquisadores, ganhou reconhecimento internacional em áreas como a de software, ampliou os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, criou um marco regulatório relacionado à inovação, estimulou o crescimento da indústria de capital de risco e, no setor privado, aumentou o investimento em inovação.
Além de constatar os fatores de estímulo, o estudo criou quadrantes com as melhores cidades para geração de conhecimento, aplicação de conhecimento tecnológico e maior potencial de geração de inovação. “Especialmente na área de software ainda há espaço para muitos pólos. Basta ter bons profissionais com idéias”, ressalta Pedro Alem.
Comparativo com pólos de outros países
A constatação do especialista é a mesma de outro estudo – Mobilização Brasileira para a Inovação (MOBIT) – realizado pelo Observatório da Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados (IEA/USP) e pelo Centro de Análise e Planejamento (Cebrap).
A pesquisa compara as políticas industriais de base tecnológica de sete países – Estados Unidos, França, Canadá, Irlanda, Reino Unido, Finlândia, Japão e Brasil – e constata que o País está hoje no estágio inicial de reconhecimento da inovação, mas há boas notícias:
- os sete países têm em comum o fato de reconhecerem que o conhecimento é elemento chave para o desenvolvimento sócio-econômico, o que é consenso entre instituições públicas, autoridades, classe política, empresários e academia;
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