Sistemas de gestão de qualidade de software têm se mostrado uma alternativa eficiente para garantir melhores práticas no desenvolvimento interno.
O que é melhor, desenvolver internamente ou buscar soluções
de mercado? Existe certo consenso de que no caso de soluções padronizadas, é
melhor contar com produtos já testados e certificados por grandes fornecedores.
Mas para empresas que não podem entregar determinadas operações a fornecedores, como é o processo de criação de software? Como garantir as melhores práticas de mercado, quando desenvolvimento não é a especialidade da companhia?
A área de TI é cobrada pela entrega de softwares da mesma forma que um fornecedor especializado nessa atividade. No entanto, normalmente, desenvolver internamente é mais uma das inúmeras atribuições do time de tecnologia, que muitas vezes o faz sem metodologia específica, atendendo às demandas na medida do possível. O que as empresas começam a perceber é que desenvolver sem processos claros e pré-definidos, com controle de qualidade e prova de conceito e de uso pode sair caro para todos.
Uma pesquisa da Economist Intelligence Unit mostra que um erro na fase de desenvolvimento de software que custa 1 dólar vai sair por 100 dólares se descoberto na fase da operação comercial – isso sem contar o impacto negativo que ele pode trazer para o negócio.
Você conhece o Executive Briefing sobre Automação de testes de software
Não é por acaso que o mercado de
gestão de qualidade de desenvolvimento entrou para a agenda de TI das empresas
que têm suas próprias fábricas de software. Enquanto o mercado de programas de
gestão de TI tem apresentado crescimento médio de 9%, o IDC estima que nos
próximos três anos, o mercado de qualidade de software no Brasil vai chegar a
25%.
Gestão de qualidade
na prática
Na Serasa, desenvolvimento de programas está diretamente
ligado à principal atividade da companhia: o fornecimento de serviços de
informações de crédito.
"Atendemos a 37 segmentos de mercado e, para cada
um deles, nosso programa de informações de crédito precisa de ajustes
específicos", afirma Dorival Dourado, diretor de serviços de TI e novas
tecnologias da Serasa. "Por isso, melhorar a gestão de qualidade do nosso
processo de desenvolvimento é melhorar o desempenho da empresa junto a mais de
400 mil clientes diretos e indiretos", afirma.
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Falta de metodologia tem deixado a área de TI em apuros |
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48% dos projetos saem do prazo |
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70% dos projetos custam acima do orçamento |
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23% das equipes dizem pular etapas de testes para minimizar os atrasos |
Fonte: Economist Intelligence Unit
A companhia adotou uma plataforma de gestão de
desenvolvimento e qualidade de software em outubro de 2007. A Serasa optou pela
solução da Borland. Ainda na primeira fase de implantação da metodologia, que
está sendo assimilada pelos 230 desenvolvedores da empresa, ela já contabiliza
10% de aumento de produtividade.
"Mas a maior parte dos benefícios é intangível, pois diz respeito à qualidade. Conseguimos, por exemplo, maior previsibilidade de projetos, economia de tempo em processos e criamos um repositório automatizado para as regras de negócio", afirma Dourado.
O Caso do HSBC
Se boa parte dos sistemas de uma empresa de informação de
crédito é confidencial, no caso de um banco, todo e qualquer programa é
crítico. Pela confidencialidade das informações, nem sempre dá para contar com
a ajuda de grandes integradores e a responsabilidade fica com a equipe de TI da
própria instituição.
Para migrar seu sistema de atendimento de mais de 1,7 mil agências em todo o país para uma plataforma web, sem correr o risco de interferir no dia-a-dia da operação do banco, o HSBC optou por adotar uma plataforma de gestão de qualidade de software, no caso, o HP Quality Center e o HP Performance Center.
O objetivo do banco era realizar cerca de 700 testes a cada nova versão do sistema, em cinco módulos diferentes, além de padronizar scripts e execução de testes. O processo todo, incluindo a fase de planejamento e a definição de cada um dos testes, levou cerca de um ano, de 2004 a 2005. Com a adoção das ferramentas, o banco passou a contabilizar resultados expressivos em seu desempenho.
O tempo de execução de testes caiu 85%. Sem a automação do processo, o banco levaria 10 dias, e quatro profissionais, só para executar os testes de uma versão do módulo conta corrente. Esse prazo caiu para três dias e passou a ser realizado por dois profissionais.
Desenvolvimento na Assembléia
A área de TI da Assembléia Legislativa do Estado de São
Paulo, a ALESP, também convive com a necessidade de desenvolver à unha alguns
de seus principais sistemas.
Esse é o caso do Sistema de Processo Legislativo. Ele é o responsável por todo o trâmite de informações dentro da assembléia, desde a fase de proposição até a etapa de projeto de lei. "Qualquer alteração em leis ou em processos da assembléia pede, necessariamente, uma alteração no sistema. A Lei de Diretrizes Orçamentárias, por exemplo, já passou por 15 mil emendas e ajustes desde a sua criação. Todas essas alterações geram mudanças no sistema", diz Maria de Fátima Porcaro, diretora do departamento de informática e desenvolvimento da ALESP.
Além do volume de informações que circulam dentro do órgão,
a capilaridade da rede de acesso da assembléia é outro ponto que aumenta a
complexidade do desenvolvimento. São 645 municípios que acessam as informações
da casa.
Por isso, garantir agilidade e eficiência da fábrica de software impactou diretamente nos processos do órgão. A assembléia iniciou a implantação da solução da Borland para gerenciar o ciclo de desenvolvimento e teste de software há cerca de um ano e meio.
Desde então, a equipe de TI já implantou a metodologia de desenvolvimento de arquitetura e, paralelamente, passou a fazer atualizações no sistema com a nova plataforma. Entre os resultados, a área conseguiu automatizar todo o ciclo de publicação de informações. Documentos que levavam até três dias para serem publicados no Diário Oficial hoje são impressos na primeira edição logo após a aprovação.
A equipe de TI deve liberar em breve os novos módulos de workflow da assembléia com 140 certificados digitais para os deputados poderem dispensar a assinatura no papel. “Com ele, centenas de documentos poderão seguir pelo sistema, sem a necessidade de impressão”, diz Maria de Fátima.