Gestão
Dificuldade de administrar e cultura atrapalham uso do Firefox nas empresas
Com o lançamento da nova versão do browser, volta o debate de porque o navegador é tão pouco aceito no ambiente corporativo – está em apenas 4% delas, segundo a FGV.
Por Luiza Dalmazo e Rodrigo Caetano, do COMPUTERWORLD
Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada este ano revela que o navegador Firefox está presente em apenas 4% das empresas. Com a nova versão, entretanto, o Mozilla espera aumentar essa participação no setor corporativo. Segundo a empresa, o não mais inexperiente Firefox tinha no começo de 2008 mais de 125 milhões de usuários e a adoção generalizada aumenta as chances de inserção nas companhias.
No passado, o Firefox enfrentou dois grandes obstáculos que limitaram sua adoção por usuários corporativos: imaturidade e incompatibilidade com aplicações web corporativas e intranets que se apoiavam em tecnologias Microsoft como o ActiveX.
Segundo os profissionais de tecnologia da informação ouvidos pelo COMPUTERWORLD, a dificuldade de administração do navegador e a cultura de uso do browser da Microsoft, o Internet Explorer, é o que mais atrapalha a adoção do Firefox pelas empresas.
De acordo com Carlos Eduardo Testa, um dos membros da rede social CW Connect – a primeira para profissionais de TI e Telecom do Brasil, criada pelo COMPUTERWORLD – já se sabe que o navegador é ótimo, mas ainda não é usado amplamente no ambiente corporativo porque a administração quando se tem mais de 10 computadores fica comprometida. “Fica complicado atualizar as máquinas, tanto a versão como os plugins utilizados”.
O profissional comentou no grupo de discussão sobre Software Livre da comunidade que, em um meio empresarial, servidores como o exchange (ou similares, como o open-exchange) são muito utilizados. Neste ponto, mesmo com diversos contras, o Internet Explorer tem a vantagem de ter uma boa integração, sem contar inúmeras outras facilidades de administração. “E nesse quesito o Firefox ainda não é bom o suficiente”, diz.
De acordo com o engenheiro de sistemas da Symantec, Vladimir Amarante, para as empresas a principal questão está na atualização do navegador. “O Internet Explorer oferece atualização automática de patches. No caso do Firefox a atualização tem de ser feita pelo usuário, o que dificulta quando uma companhia tem muitos funcionários”, relata Amarante.
Outra tese é a que a baixa utilização do Firefox em empresas deve-se principalmente a questões culturais. Alberto Brunassi, gerente de tecnologia da informação da empresa de biscoitos Marilan, diz que é cômodo para quem já usa o IE em casa – e está familiarizado com ele – simplesmente continuar o uso na empresa.
“O fato do Internet Explorer já vir integrado ao Windows também favorece sua maior aceitação, pois já está pronto para ser utilizado sem a necessidade de efetuar a instalação de mais um software no computador”, afirma.
O executivo acrescenta que, devido à grande participação de mercado, a maioria dos sites é desenhada para rodar no IE, que ainda conta com boas parcerias com Java, CSS e Flash. Mas as constantes evoluções, e recursos adicionados ao software leva a uma experimentação, e isso proporciona a possibilidade de fazer comparações. “Traçamos, então, paralelo avaliando a facilidade de navegação, segurança, recursos adicionais, estabilidade, software menos visado pelos hackers e, quem sabe, isso nos encoraja a mudar para o Firefox”, revela Brunassi.
Outro executivo, o gerente de TI da SaraLee Cafés, Maurício Arguello, conta que usa o Firefox em casa, mas não na empresa. Ele explica que a Sara Lee usa os pacotes Microsoft no mundo inteiro, como padrão. “Para que fosse usado nas empresas, o Firefox deveria apresentar alguma vantagem técnica, de segurança ou de interface muito grande. E esse não é o caso hoje”, defende.


