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Nicholas Carr: O profeta do cloud vê o fim da TI tradicional

Um dos mais polêmicos pensadores da TI mostra um mundo de tecnologia como utilidade, paga por conta mensal e contratada sob demanda.

Por Vinicius Cherobino, do COMPUTERWORLD

22 de setembro de 2008 - 07h00
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“A aposentadoria de Gates é altamente simbólica. Ela marca, de maneira mais clara do que qualquer outro evento, uma revolução na breve, mas muito tumultuada história da computação. O tempo em que Gates e outros programadores escreveram o código da era do PC chegou ao fim”.

É assim que Nicholas Carr fecha o capítulo “Adeus, Sr. Gates” no seu último livro “A Grande Mudança”. Usando novamente o exemplo da criação da eletricidade, ele faz um paralelo com as empresas que, no início do século, desistiram de comprar geradores próprios para a comprar energia de companhias especializadas.

Assim, a TI seria outra área em que as empresas desistiriam de ter estrutura própria para contratar serviços de companhias especialistas por uma taxa mensal.

Não é à toa que Carr gera reações de repúdio entre os profissionais de TI. Mas, se alguém esperava uma recepção furiosa ao autor quando ele esteve em São Paulo, ficou decepcionado. Olhares o lambiam durante a palestra. Não foi a resposta de quem odeia o palestrante.

Nicholas Carr conta que a recepção do seu segundo livro foi, de fato, menos agressiva do que o primeiro. De qualquer forma, ele não está convencido de que tenha causado fúria entre os profissionais de TI. “Quem reclamou bastante foram os fornecedores, para eles deve ser bastante assustadora essa realidade”, disse.

Como não podia deixar de ser, Carr comentou sobre a sua teoria sobre o final do modelo cliente/servidor. Em grosso modo, ela pode ser resumida da seguinte maneira: a computação deixa de ser local (seja no desktop, seja dentro dos CPDs empresariais) e passa a ser feita a partir da nuvem via internet.

E o que seria a nuvem? Um aglomerado de servidores e outros recursos computacionais fornecidos pelas empresas especializadas. Como com a energia elétrica, o interessado apenas vai pagar uma conta mensal e usar o que precisar.

Acompanhe, a seguir, os melhores momentos da entrevista com Nicholas Carr.

Empresas tradicionais em SaaS
É um desafio enorme para as empresas tradicionais chegar ao software como serviço. Não é à toa que companhias como Salesforce.com conquistaram a liderança. Para as tradicionais, é mais fácil resolver o lado técnico – como entregar os produtos em software como serviço – do que descobrir o modelo de negócios relacionado.

Nenhuma das empresas tradicionais mostrou como vai manter as suas grandes margens de lucros que tinha em licenciamento. Elas só conseguiram fazer isso no discurso, não na prática. Você precisa acreditar que eles ainda não sabem a resposta dessa questão, a questão econômica é muito complexa para mudança para serviço.

O modelo de licenças é tão lucrativo para a Microsoft. É por isso q eles estão misturando os dois – licença mais serviços. Isso pode até ser uma estratégia bem sucedida por algum tempo. Seria um desastre mudar rápido para o cloud.

A Oracle é a menos sentimental em relação à tecnologia. Eles só se importar em fazer dinheiro e vão manter os dois modelos; mas não acho que eles conseguiram responder a pergunta: “como vamos manter a lucratividade de licença em serviços?”. Mas, se eles notarem que mais e mais clientes vão em direção à nuvem, se eles seguir a estratégia corporativa atual, eles compram uma companhia bem sucedida do setor.

Crise financeira dos EUA ajuda?
Talvez para os pequenos como forma de evitar investimento em infra. Para os grandes, a crise nos EUA pode atrasar a adoção. Para atuar em SaaS, uma empresa grande precisaria mudar a sua estrutura, fazer investimentos pesados para modernizar toda a empresa para serviço. As grandes empresas tendem a ficar conservadoras em momentos de crise.

E é possível ver esse conservadorismo também nos fornecedores. Os grandes fornecedores de TI estão investindo pesado em cloud computing, mas se a economia começar a afetar os investimentos em TI, isso pode atingir a mudança para cloud.

Confiança na nuvem
Não é fácil. A única maneira de ganhar a confiança é provar por experiência. Quando eles demonstram com seus próprios clientes que são de confiança e as informações se mantém protegidas, outros podem seguir. Assim, outras empresas começam a dizer: “Esta [cloud] é uma alternativa estabelecida de gerenciar a TI”.

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