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Gestão
Empresas de TI partem para a venda de serviços para conseguirem lucratividade
Assim como a IBM, outras empresas de TI e telecomunicações se reinventam e começam a lançar tentáculos para além de suas fronteiras originais de hardware e software.
Fabiana Monte, do COMPUTERWOLRD
A Lei de Moore, uma das mais famosas do mundo da tecnologia,
parece se reinventar para comprovar sua veracidade - e longevidade - a cada
dia. E mostra sua validade não só para o universo de chips, mas também para o
mercado. É preciso ter um quê de camaleão para sobreviver às constantes
mudanças em setores tão dinâmicos quanto os de TI e Telecomunicações.
A Nokia vive o exato momento de expandir suas fronteiras para além da
fabricação de celulares. Os finlandeses, que detêm o primeiro lugar no mercado
mundial de telefones móveis, entraram com força total no mercado de serviços.
Em dois anos, a companhia comprou nada menos que nove empresas do segmento,
entre elas a Naviteq, que provê mapas, e a Loudeye, que é a atual base para a
loja de música pela internet Nokia Music Store.
A Nokia mira em serviços que completem seu portfólio. A
estratégia não é deixar de lado a fabricação de telefones celulares, mas criar
ofertas que componham o mix de serviços que vão além da voz no aparelho. “A Nokia
viu uma grande oportunidade para oferecer não somente a voz, mas também outros
serviços que as pessoas passaram a consumir no equipamento”, afirma Gustavo
Jamarilo, diretor de mercado da Nokia.
As aquisições culminaram com o lançamento do OVI, portal de
serviços web da Nokia, em agosto de 2007, em Londres. O ponto de partida
oficial para esta nova forma de enxergar as possibilidades de mercado aconteceu
em janeiro deste ano. “Encaro não como um novo posicionamento único, mas com
uma nova plataforma de negócios para a empresa”, analisa Luis Augusto Lobão, professor
de estratégia e desenvolvimento organizacional da Fundação Dom Cabral.
Esta não é a primeira vez que a Nokia muda sua atuação.
Basta dizer que a empresa nasceu como fábrica de papel, em 1865, e já atuou no
mercado de borracha, cabos e eletrônicos.
A experiência da IBM
Outra empresa que já acumulou
experiência em diversos segmentos é a IBM. A Big Blue enfrentou sua mais
radical transformação no fim nos anos 90, quando, por força do mercado, teve
que abrir mão de viver exclusivamente da venda de software e hardware. A
estratégia, certeira, foi posicionar a companhia como prestadora de serviços de
integração e outsourcing de TI.
“Ela viveu um enorme tombo que foi a chegada dos
microcomputadores, quando perdeu mercado para a Microsoft. Na época da queda,
era mude ou desapareça. Ela soube mudar”, destaca Geraldo Coen, professor de
história da TI.
Na linha do “mude ou desapareça”, olhar para o segmento de serviços parece ser a estratégia mais adotada e viável para as companhias se reinventarem. A HP, uma das principais rivais da IBM, deu um significativo passo neste sentido ao adquirir a EDS, por 13,9 bilhões de dólares, em maio deste ano. “A HP está chegando ao mesmo lugar da IBM”, opina Coen.
Outra corporação que já trilhou o caminho da mudança de rumos foi a Unisys. A
empresa, que começou como fabricante de máquinas de escrever e depois de
mainframe, deu início à sua divisão de serviços em 1992. Hoje, 80% da receita
da companhia vêm de serviços. “Há 15 anos era o contrário”,
diz Paulo Bonucci, presidente da Unisys no Brasil.
Na visão do executivo, a opção pelo segmento de serviços se dá por uma demanda dos próprios clientes, que já nos idos dos anos 90 exigiram fornecedores mais abrangentes e comprometidos.
Aliada a isso, há uma decisão de
negócio, já que o foco exclusivo em produtos exige uma estrutura de cobertura
mais sofisticada, devido a margens mais estreitas, logística complexa e alto
nível de atendimento. “Tudo isso fez com que as empresas de TI aumentassem o
mix de serviços no share de receitas, via aquisições ou transformações”,
esclarece Bonucci.
Para o Geraldo Coen, fusões e aquisições que levam à
expansão de uma empresa no segmento de serviços têm como principal ativo a
inteligência da corporação incorporada. Ele defende que o hardware virou
commodity e que a prestação de serviços é que ditará as regras no mercado de TI
daqui por diante. “Não se faz mais dinheiro com hardware. De certa forma, o que
vai dominar é o mercado de serviços, daí a onda de cloud computing. As empresas
espertas já tiveram essa visão”, defende.
Paulo Portela, vice-presidente de Serviços da IBM, onde 54% da receita global vêm de serviços, defende que hardware e software continuam sendo peças centrais na arquitetura de tecnologia. Mas admite que o serviço é peça fundamental para que a oferta do fornecedor não se torne commodity.
“Tecnologia hoje é algo muito democratizado, está na prateleira, está no
varejo. Serviços vêm para habilitar esse mundo e para tornar mais eficiente o
uso da tecnologia”, complementa Daniel Lopez, diretor de serviços gerenciados
da Avaya para a América Latina.
All as a Service?
Fernando Meirelles, professor da FGV (Fundação Getúlio
Vargas), estabelece um cenário promissor para o setor de serviços. Segundo ele,
em 2010, serviços responderão por 50% do montante comercializado com TI em todo
o mundo, contra 35% de software e 15% de hardware. Nos anos 80, equipamentos
detinham 65%, contra 20% de aplicativos e 15% de serviço.
“Você tem todos os ingredientes para que se mude o modelo de
comercialização, cobrando cada vez mais por serviço, menos por software e quase
nada por hardware”, pondera Meirelles. “Estamos numa encruzilhada que vai ter
mais serviço no meio, mas exatamente como, não sei”, provoca.
Bons exemplos desse novo cenário indefinido que se apresenta são os conceitos de SaaS (Software as a Service), cloud computing e virtualização, considerados por muitos especialistas como o próximo passo na valorização do setor de serviços. “Cada vez mais a empresas estão oferecendo plataformas com idéias e serviços agregados”, exemplifica Lobão, da Fundação Dom Cabral.
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