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CIOs devem adotar medidas concretas para sair da crise

Com orçamentos praticamente garantidos para 2009, CIOs agora pensam em como investir corretamente para não terem surpresas. Governança, redes sociais e redução de custos estão em evidência.

Por Rodrigo Caetano, do COMPUTERWORLD

09 de dezembro de 2008 - 07h00
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Enquanto os efeitos da crise começam a aparecer, principalmente na forma de demissões, os CIOs se preparam para algumas mudanças que devem ocorrer em seus departamentos. De forma geral, os orçamentos parecem estar garantidos. No máximo devem crescer menos no próximo ano. Mas, é difícil achar algum executivo que não esteja esperando alguns impactos decorrentes do colapso do sistema financeiro mundial.

As conseqüências deste mau momento foram o tema de um recente encontro, promovido pelo WTC Clube de Negócios, que reuniu em São Paulo mais de 20 CIOs de diversos segmentos da economia. Na reunião, a maioria dos executivos se mostrou otimista, especialmente me relação à definição de gastos de seus departamentos.

O otimismo é sustentado por pesquisas dos principais institutos globais. Tanto o Gartner, quanto o IDC, apontaram apenas reduções nos crescimentos dos orçamentos. Ou seja, não é que o mercado vai cair, apenas vai crescer de forma mais ponderada. “Existem dois pontos nessa questão. Antes da crise, havia um otimismo exagerado que pode ter jogado as previsões para cima. Mas, a crise também contribui para a queda no crescimento”, afirmou Alberto Fávero, da consultoria Ernst & Young, que participou do encontro.

Segundo Ione Coco, vice-presidente do Gartner para América Latina, alguns eventos que acabam sendo relacionados à crise sem motivo. A queda dos investimentos em SOA (arquitetura orientada a serviços), por exemplo, não tem nada a ver com o momento econômico e já estava prevista pela consultoria.

Ao ser questionado sobre a diminuição nos orçamentos, Antonio Freitas, CIO da Motorola, diz que poucas empresas estão, de fato, relatando cortes nos gastos. “Neste momento de crise, as companhias estão vendo as vulnerabilidades de seus competidores. A TI tem um papel importante para isso, além ter capacidade de reduzir custos”, disse o executivo.

Por outro lado, os CIOs entendem que, mesmo com os investimentos em TI não diminuindo, os projetos precisam ser mais bem justificados. Diante das turbulências, o alinhamento da área de tecnologia com as áreas de negócios é fundamental. “Um dos problemas dos CIOs é a auto-estima baixa. Eles acabam gastando dinheiro sem muito critério tentando atender todas as demandas”, relatou Ione.

Nesse sentido, os executivos de TI devem melhorar o gerenciamento de seus portfólios e aprimorar a capacidade de demonstrar o valor da tecnologia para o negócio. “O bom CIO facilita a construção dos business cases, que permitem à direção da empresa tomarem as decisões”, explica Fávero. A área de TI deve deixar claros os benefícios que seus projetos trazem para a companhia, sob o risco ser encarada apenas como centro de custo, enquanto outras áreas tiram proveito de seus feitos.

A governança de TI também ganha importância neste momento. “No Brasil as pessoas tendem a achar que a definição de processos ‘engessa’ a empresa. Na verdade, é ao contrário. Quando se tem processos definidos, significa que não será necessário discutir tudo outra vez quando se inicia algo novo”, afirma Ione.

Novas tecnologias
Quando a situação é ruim, sempre surgem novidades que se apresentam como a salvação da lavoura. No caso de TI, invariavelmente são novas tecnologias que reduzem custos. Agora, é o cloud computing, a virtualização e o software como serviço que aparecem nessa condição. “Muito disso é o ‘hype’ da crise. As tecnologias que mais aparecem são as que estão ligadas ao corte de gastos”, determina Fávero.

Para Freitas, tudo o que for redutor de custos precisa ser considerado. Ao mesmo tempo, é preciso pensar em como aumentar a eficiência. Em relação a essas novas tecnologias, o executivo considera que os investimentos virão á medida que a qualidade do serviço prestado for sendo comprovada pelo mercado.

Entre as novidades, estão as redes sociais. Elas representam um enorme desafio para os CIOs por diversos motivos. Um dos principais é a necessidade de reter os novos talentos que estão entrando no mercado agora. Segundo Ione, a nova geração de profissionais prefere trabalhar em empresas que permitam o uso das redes sociais, principalmente porque estão acostumados a trabalhar muito bem com esse tipo de ferramenta.

Além disso, o bom uso das redes sociais agiliza, e muito, a troca de informações. E se a velocidade com que as notícias se propagam pelo mundo ajudou a consolidar a crise atual, a mesma capacidade pode ser utilizada para se sair dela. O problema é que a implantação dessas ferramentas é complicada, especialmente dos pontos de vista de custo e segurança.

“Com essa nova realidade, aparecem custos que não estavam previstos. A largura de banda necessária é muito maior, por exemplo. E a parte de segurança é complicada também”, afirma Freitas. De qualquer forma, o executivo acredita que este é um caminho sem volta.

Talvez o ponto mais crítico desse processo, segundo Freitas, seja a captura das informações. Com as redes sociais, as pessoas passaram a acreditar em várias fontes, às vezes pouco confiáveis. Filtrar os dados para disponibilizar apenas informações úteis para a empresa é um problema muito grande.

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