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Demissões são apenas o início dos problemas da Microsoft

O colunista do Computerworld, EUA, Frank Hayes enumera os argumentos pelos quais acredita que a demissão de 5 mil funcionários marca um novo tempo para a companhia.

Por Computerworld/EUA

27 de janeiro de 2009 - 07h00
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Na sua primeira demissão em massa da história, a Microsoft cortou 5 mil vagas. Está é uma grande notícia. Não pela dimensão do corte. Ou por sinalizar quão fortemente a Microsoft foi atingida pela falha do Vista.

Também não é uma grande notícia pelo sinal que envia para o restante da indústria de TI. Para se ter uma idéia, apenas em janeiro de 2009, as empresas de TI demitiram mais de 30 mil pessoas no mundo.

Mas esta não é uma grande notícia por estes motivos. Na verdade, a demissão em massa na MS é importante por que mostra que a empresa fundada por Bill Gates começou a atingir o fundo do poço. E já não era sem tempo. Nas últimas décadas, nós nos referimos a Microsoft como a nova IBM. No entanto, a Microsoft nunca aprendeu as lições da IBM – nem aquelas que a própria Microsoft obrigou a Big Blue a aprender.

Para recordar: Em 1993, a IBM nunca tinha feito uma rodada de demissões em massa, não tinha usado nem os cortes disfarçados que a Microsoft usou para cortar mil funcionários nos últimos anos. Quando você trabalhava na IBM, você tinha um emprego para a vida inteira – a menos que você cometesse uma falta grave.

Mas isso mudou há 16 anos. O negócio da IBM basicamente focado em mainframe estava ruindo rapidamente graças à mudança dos clientes para PCs e servidores rodando software Microsoft. A cultura da IBM era reativa e enterrava inovação. Resultado: os lucros da companhia estavam caindo pelo ralo.

Foi necessário que um novo chairman e CEO, Lou Gerstner, assumisse a companhia e a remodelasse ao redor de serviços em TI. No caminho, demissões em massa - muitas. Diversos profissionais talentosos sofreram com isso. A reputação da IBM foi ao chão quando diversos funcionários especializados em mainframe estavam sem emprego.

Hoje, a IBM está saudável novamente. E a indústria de TI como um todo está ainda mais saudável por não estar presa aos mainframes da Big Blue. É fácil entender o porquê a Microsoft não aprendeu a lição que ensinou a IBM. Trata-se da Microsoft, afinal de contas. A empresa que está em uma posição forte nos mercados em que atua e tem os clientes presos aos seus produtos. É um gorila de 400 quilos do mundo de TI que está presente desde que as pessoas na companhia conseguem se lembrar.

Evidentemente que todas essas questões eram verdadeiras para a IBM também. Mas a situação da Microsoft não é, nem de longe, próxima ao pesadelo que a IBM viveu em 1993, é? Apesar de tudo, os lucros da Microsoft não viraram pó – eles caíram 11%, no meio de uma recessão.

O faturamento da Microsoft ainda está crescendo – ainda que uma análise mais atenta mostre que cresce menos do que a inflação nos Estados Unidos. E as ações da Microsoft? Os papéis da empresa perderam quase metade do seu valor no ano de 2008.

Então agora, pela primeira vez, a Microsoft – como a IBM fez 16 anos atrás- está recorrendo a uma demissão em massa. E os cortes da MS não serão suficientes, como não o foram para a IBM.  A Microsoft está apoiada há anos no Windows e no Office. Pelo seu sucesso, estas “galinhas dos ovos de ouro” geraram anos de inovação pela metade. A Microsoft perdeu espaço (ou nunca chegou a ganhar tração) em pesquisa contra o Google, tocadores de música contra a Apple e navegadores web contra o Firefox.

Pior ainda, a Microsoft esqueceu como melhorar os seus produtos “galinhas dos ovos de ouro”. O Office 2007 é uma confusão em usabilidade, enquanto o Vista é um desastre em todos os ângulos em que for olhado.

E agora a Microsoft começa a ver o fundo do poço também financeiramente. Ainda não encostou o pé, efetivamente, no fundo do poço, já que ainda há muita coisa ruim pela frente – tanto para a Microsoft quanto para o setor de TI.

Mas este destino terrível só deixa de ser inevitável quando a Microsoft mudar a sua liderança, a sua cultura, o seu modelo de negócios e, por fim, o valor que gera para os clientes. Estas mudanças seriam, realmente, uma grande notícia.

Opinião do Leitor [8 comentários]

Ainda não é o Fim...

Para que a Microsoft tenha um melhor desempenho nos próximos anos, seria uma nova programação do Windows, que pelo que parece esse Windows 7 será o mesmo Vista com algumas e pequenas modificações. E que tenha uma melhor combinação entre custo/beneficio entre os usuários. Sobre o Office 2007 ele na verdade não pegou no mercado o tão quanto foi o seu antecessor. Pois apesar de alguns usuários ou na verdade, apaixonados por produtos Microsoft, gostaram da sua interface onde grande parte não acharam pois fugiu do padrão. A Microsoft só vai na verdade voltar a dominar e chegar ao topo novamente quando ela tiver um SO igual ou parecido com MAC-OS da Apple...
Ermilson - 28 Jan 2009, 17h45

Será o fundo do poço da IBM também?

IBM planeja corte de mais de 2.800 funcionários, diz sindicato

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u494888.shtml

Eles estão produzindo servidores de péssima qualidade também?

Fica aí a questão.
Vilmar - 27 Jan 2009, 12h28

Português

Ser contra ou a favor da Microsoft tudo bem. Mas,comentários assassinando a língua portuguesa não vale.
EVANDRO - 27 Jan 2009, 11h59
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