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Distribuidoras preparam redes inteligentes de energia elétrica

São Paulo - Aprovação da banda larga via rede elétrica abre caminho para a implantação de redes de energia inteligentes no Brasil.

Rodrigo Caetano, repórter do Computerworld

12 de maio de 2009 - 07h00
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Não seria bom se as concessionárias de energia fossem capazes de isolar um transformador com problema sem ter de afetar a rua inteira? Ou se fosse possível controlar o quanto de energia é enviado para sua casa conforme a demanda? Tecnologia e vontade para isso já existem.

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A tecnologia, no caso, atende pelo nome de smart grid. O que ela permite é tornar as redes de energia inteligentes. Atualmente, a transmissão de eletricidade funciona em uma única via — das centrais geradoras para o cliente — e precisam trabalhar a toda capacidade o tempo inteiro, pois não é possível saber a real demanda de cada consumidor.

Outro problema é que o sistema está sempre muito vulnerável a falhas. A interrupção de um braço da rede causa um efeito em cascata, já que não é possível estabelecer “rotas alternativas” como em uma rede de computadores. Além disso, as distribuidoras só tomam conhecimento das falhas quando o cliente liga reclamando.

O que o smart grid proporciona é um retorno, do cliente, para a distribuidora de energia. Por meio de tecnologias digitais, produtores conseguem se comunicar com consumidores, proporcionando, entre outras coisas, o controle da emissão de energia, a identificação de problemas e de falhas em tempo real e, até mesmo, o controle de equipamentos diversos conectados à rede. Como em uma rede de dados, é possível definir a rota por onde vai passar a energia, evitando trechos com problemas e garantindo o fornecimento.

A tecnologia traz melhorias operacionais, possibilidade de oferecer novos recursos — como telemetria e transmissão de dados, por exemplo — e reduz o desperdício. Estima-se que, em todo o mundo, entre 5% e 10% da energia produzida é perdida na transmissão. Mas, apesar dos benefícios, existem grandes obstáculos para a adoção do smart grid em larga escala.

O principal, claro, é custo. Para tornar inteligentes suas redes, as concessionárias precisarão fazer investimentos gigantescos em infraestrutura de telecomunicações e sistemas de tecnologia da informação. Além disso, os velhos relógios de energia, em sua grande maioria analógicos, precisam ser substituídos por equipamentos digitais.

Só na Rede Energia, grupo responsável pelo abastecimento de 34% do território nacional, por exemplo, são 4,2 milhões de unidades consumidoras, de acordo com Vanderlei Soares, diretor de TI da empresa. “Hoje, o preço do medidor digital está equiparado com o mecânico, entre 140 reais e 150 reais. Estamos fazendo a troca de cerca de 200 mil equipamentos”, conta o executivo. A empresa atua nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará.

Soares afirma que, com a aprovação do PLC (power line communications), a banda larga via rede elétrica, pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), juridicamente ficou possível implementar as redes inteligentes. O processo, no entanto, não deve levar pouco tempo. “O investimento em infraestrutura é muito grande”, ressalta. De qualquer forma, a empresa já começou a dar os primeiros passos em direção ao smart grid. “Tecnologia já existe faz algum tempo, agora temos legislação. O que falta é um modelo de negócios”, afirma o diretor.

Para Marcos Covre, diretor comercial da Imagem, especializada em sistemas de informações geográficas, os custos são altos, mas os benefícios compensam. O executivo estima que é possível reduzir em até 40% os custos de distribuição de energia com as redes inteligentes. Covre relata que vem identificando um interesse crescente das concessionárias de energia brasileiras na adoção da tecnologia.

Em tempos nos quais a preocupação com o meio ambiente baliza investimentos em tecnologia, o smart grid aparece como uma alternativa inteligente para racionar o consumo e aumentar a eficiência energética. Os custos realmente são altos, mas, aparentemente, existem demanda e vontade para tornar o conceito uma realidade no Brasil.

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