Publicidade

COMPUTERWORLD - O portal voz do mercado de TI e Comunicação

A central de whitepapers de tecnologia da COMPUTERWORLD

Gestão

Por que os bancos brasileiros não quebraram?

São Paulo - A quebra do Lehman Brothers gerou um colapso no sistema financeiro mundial, mas bancos brasileiros passaram pela crise com relativa tranquilidade. O avanço tecnológico e a regulamentação do setor são os principais responsáveis pela proeza.

Rodrigo Caetano e Rodrigo Afonso, repórteres do Computerworld

17 de junho de 2009 - 07h00
página 1 de 1

novo_selo_ciab09Três dos cinco bancos mais rentáveis do mundo são brasileiros. Banco do Brasil e Bradesco lideram a lista, ocupando, respectivamente, a primeira e a segunda posições, de acordo com estudo da consultoria Economática. Em quinto lugar está o Itaú.

Além do desempenho econômico, chama a atenção o resultado das instituições financeiras nacionais frente à crise que assolou – e levou à falência – símbolos de Wall Street como o Lehman Brothers. No Brasil, ao contrário, houve fusões de bancos, como é o caso Itaú-Unibanco, durante a crise, em uma clara demonstração de solidez do segmento.

“O setor financeiro brasileiro tem um histórico diferenciado. As instituições sempre foram obrigadas a atuar em condições extremamente complicadas, com mudanças de regras da noite para o dia, além da inflação. Isso fez as empresas desenvolverem operações muito flexíveis”, destaca Dorival Dourado, CIO da Serasa, uma das principais empresas de serviços financeiros do Brasil.

Mais CIAB:
Por que os bancos brasileiros não quebraram?
Veja os destaques da agenda do CIAB 2009
Pesquisa aponta crescimento do uso de mainframe em bancos
Investimentos caem em filiais nacionais de bancos estrangeiros
Ex-CIO do Banco Real/ABN Amro investe em start ups de tecnologia
Bancos investiram mais de R$ 16 bi em TI em 2009

Regulação e tecnologia
O principal motivador da crise no mercado americano foi o baixo nível de regulação do setor bancário daquele país. Este aspecto, aliado a investimentos em tecnologia da informação explicam porque os bancos nacionais tiveram um desempenho tão estável durante os piores momentos da crise mundial.

Entre 2005 e 2007, os bancos brasileiros investiram 42,7 bilhões de reais em informática, segundo a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) – uma média anual de aproximadamente 14 bilhões de reais. Mas os aportes em tecnologia da informação fazem parte da história do setor, que sentiu na pele a superinflação dos anos 80 e 90, e teve de investir e estabelecer em um sistema de compensação rápido e eficiente, explica Fernando Serson, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e sócio-diretor da consultoria Ques.

Neste cenário, o setor financeiro nacional criou, por meio do Banco Central do Brasil, o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), até hoje uma referência global em termos de regulação e suporte à movimentação financeira.

Inicialmente, o objetivo era aumentar a velocidade de processamento das transações e eliminar o risco os que atrasos podiam causar. Com o controle da inflação e a estabilização monetária, o foco do SPB passou a ser administrar riscos, entrando em cena o Sistema de Transferência de Reservas (STR). Com ele, o Brasil ingressou no grupo de países capazes de liquidar transferências interbancárias em tempo real.

Outro aspecto importante no cenário regulatório é a Lei 10.214, de 2001. Com ela, instituições financeiras responsáveis pela liquidação e pela compensação de valores com giro diário acima de 5 bilhões de reais, ou pagamentos de valor individual superior a 10 milhões de reais são obrigadas a assegurar a liquidação de todas as suas operações.

O SPB e o consequente uso da tecnologia da informação possibilitaram, em um primeiro momento, a construção de um setor financeiro sólido, com instituições fortes e bem reguladas, mesmo em um cenário socioeconômico complicado.

Esses fatores funcionaram como uma espécie de treinamento que blindou o sistema financeiro nacional contra a instabilidade financeira que tomou conta do mundo a partir de setembro do ano passado até os primeiros meses de 2009.

“Enquanto bancos estrangeiros trabalhavam com taxas de alavancagem financeira de até 30 vezes, no Brasil o limite máximo permitido é de nove vezes”, compara um profissional que atua no setor bancário, na área de continuidade de negócios e que preferiu não se identificar.

De quebra, a regulação padronizou as operações e incentivou novos investimentos em tecnologia para a obtenção de diferencial competitivo. “A sofisticação da demanda no mercado brasileiro é muito grande. Os bancos trabalham em um contexto que exige muita eficiência”, avalia Dourado.

Investimento para reduzir custos
Serson, da FGV, opina que o sucesso do setor bancário nacional se deve, em boa medida, a uma estratégia de custos enxuta, que privilegia o autoatendimento, por meio de serviços como caixas eletrônicos, internet banking e telefone celular.

Em 2008, havia 32,5 milhões de contas com internet banking no Brasil, o equivalente a 2/3 da população total de internautas brasileiros - considerando-se os cerca de 43 milhões de usuários da web residencial no País no ano passado contabilizados pelo Ibope/NetRatings. As operações feitas pela web totalizaram 18,1% das 43,9 bilhões de transações bancárias realizadas no País no ano passado. Os dados são parte de uma pesquisa “O setor bancário em números”, divulgada pela FEBRABAN durante o CIAB 2009.

Além disso, entre 2007 e 2008, o número de correspondentes não-bancários subiu 12,8%, chegando a 108 mil pontos como farmácias, lotéricas e supermercados, por exemplo, que recebem o pagamento de contas, mas que não são bancos. A existência dessa rede exige uma alta capilaridade dos sistemas das instituições financeiras.

“Hoje é possível fazer transações básicas ou contratar financiamentos sem a necessidade de um agente. O próprio cliente se tornou o agente de negócios dos bancos”, afirma Serson.

Segundo Orli Machado, presidente da C&M, empresa que provê software para implantação de SPB, a posição do Brasil de vanguardista em automação bancária é incontestável, mas, para manter esse lugar, é necessário investir, novamente, em padronização.

“Já existem soluções de pagamentos para celular no Brasil em diversos formatos, mas a indústria e os bancos devem definir um padrão para que esse formato de transação fique mais amplo para o grande número de usuários de celular no País”, opina.

O comércio eletrônico, por sua vez, tem sido eficiente em implementar soluções de inteligência para análise de crédito de usuários de acordo com informações de perfil dos clientes. “Junto com a telefonia celular, esse setor serve como locomotiva para a tecnologia financeira e dita tendências para o setor bancário”, completa Machado.

No Banrisul, cujo foco de atuação é o Estado do Rio Grande do Sul, o autoatendimento responde por 84% das transações bancárias realizadas no banco e este percentual pode aumentar com o investimento em smartcards, cartões com chips que contêm assinatura eletrônica e que permitem que o banco autorize movimentações bancárias acima dos limites normais.

“Além disso, eles [os cartões] estarão certificados pela CRS, autoridade certificadora do Rio Grande do Sul, e servirão para assinatura de documentos eletrônicos”, orgulha-se Rubens Bordini, vice-presidente do Banrisul.

As operações de concessão de crédito do banco processadas por meio de Business Intelligence (BI), por exemplo, subiram 92% em 2008 em relação ao ano anterior. O sistema de gestão também é responsável pela maior parte dos processos de análise comportamental, e de novos e antigos clientes.

Para o futuro, o banco aposta na melhoria dos serviços de pagamento via rede celular, que já é realidade no Rio Grande do Sul. O banco fornece pequenas impressoras emissoras de recibo, destinadas às empresas que necessitam de mobilidade, como companhias que realizam entregas e taxistas, por exemplo. “É um instrumento para facilitar e aumentar o número de transações financeiras realizadas de forma digital”, afirma o executivo.

EUA na trilha do Brasil

Depois do estrago provocado na economia, o governo norte-americano, por meio do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos (equivalente ao Ministério da Fazenda no Brasil) decidiu promover uma reforma regulatória.

Em março deste ano, o órgão divulgou a proposta, baseada em quatro componentes: proteções contra riscos sistêmicos e para consumidores e investidores; eliminação de falhas na estrutura regulatória; e coordenação internacional.

O ponto mais importante do documento é a criação de um regulador único e independente, padrões mais altos de gerenciamento de risco para empresas importantes no sistema financeiro, e novos requerimentos para fundos de mercado de forma a reduzir o risco de retiradas rápidas de recursos.

>> Acompanhe aqui a cobertura completa do evento

Publicidade
As mais lidas
Especial - IT Leaders 2011

Cloud computing é difícil?

Cloud computing é difícil?

O ITBOARD materializa a nova plataforma de conversas do Século XXI. Concentra o diálogo sobre tecnologia e inovação movido a tweets de quem está imerso nesses assuntos. ENTRE NA CONVERSA

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Newsletters
Assine a Computerworld