Gestão
Business Intelligence chega à fase de maturidade
São Paulo - Evolução de políticas de gestão faz com que implementação de BI apareça, ano após ano, na lista de prioridades das áreas de TI.
Por Fabiana Monte, editora-assistente do COMPUTERWORLD
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Há anos, ferramentas de Business Intelligence (BI) aparecem na lista das dez prioridades das áreas de tecnologia da informação das empresas - desde 2003, por exemplo, é aposta certeira na relação divulgada pelo instituto de pesquisas Gartner. Mas o que faz uma tecnologia destacar-se, seguidamente, nos rankings de prioridades organizados pelas consultorias globais?
Ricardo Neves, líder da área de TI no Brasil e América do Sul da consultoria PricewaterhouseCoopers, explica que a constante evidência do BI está ligada diretamente à crescente necessidade das empresas de alcançar maior agilidade e eficiência operacional.
A consolidação do uso dos chamados “sistemas do negócio”, como gestão corporativa (da sigla em inglês, ERP) e gestão do relacionamento com o cliente (da sigla em inglês, CRM), faz com que as corporações acumulem dezenas de milhões de dados sobre seus negócios. O papel das ferramentas de BI é apresentar aos gestores variáveis que os apóiem na tomada de decisão para suportar mudanças ou práticas de negócios.
“Depois da promessa trazida pelo ERP e pelo CRM de uma empresa mais integrada e eficiente, existiu uma demanda muito forte por informações para tomar decisões de forma ágil”, diz Neves. Ao longo dos anos, as organizações investiram milhões de dólares em sistemas para obter e consolidar dados sobre seus negócios. O desafio seguinte - e que se mantém - é extrair informações relevantes desse emaranhado de números acumulados nos sistemas de gestão.
Para Rita Sallam, diretora de pesquisa do Gartner com foco em BI e gerenciamento de desempenho, o Business Intelligence está em voga há anos por uma série de motivos, mas o principal é que as empresas precisam de ferramentas para tomar as melhores decisões. “Tipicamente, boa parte do problema é ter acesso aos dados de que elas precisam”, avalia.
Beauty Intelligence
A Avon, empresa que atua no ramo de cosméticos e fatura mais de 10 bilhões de dólares por ano, começou a dar os primeiros passos no uso de BI em 2002 e já investiu cerca de 6 milhões de dólares na tecnologia, com a solução da MicroStrategy. A companhia comercializa seus produtos, como maquiagem e bijuteria, em mais de 100 países, exclusivamente, por meio de vendas diretas que conta com, aproximadamente, 6 milhões de vendedoras autônomas.
O desafio do BI na companhia é grande. De acordo com Andréa Pereira, diretora de TI da Avon no Brasil, diariamente são recebidos cerca de 80 mil pedidos das vendedoras. Por ano, a empresa troca 19 vezes os produtos de seu catálogo.
“Hoje o BI já dá bastante retorno para a empresa, é muito utilizado na área de vendas e de marketing, mas acho que ainda temos muitas oportunidades a explorar com a ferramenta”, pondera. Para Andréa, dois aspectos mantêm a tecnologia em destaque nos orçamentos. Primeiro, porque a implantação dessa tecnologia é um processo que toma tempo.
Além dos aspectos técnicos, observa a diretora, é necessário promover mudanças culturais na organização e no próprio perfil do usuário, que deve ter uma visão cada vez mais analítica dos dados. “As pessoas têm de fazer cruzamento de informações e projeções. Não é uma ferramenta que você pede para o estagiário gerar relatório”, ressalta.
Do lado da empresa, é necessário padronizar os conceitos utilizados pelas diversas áreas da corporação, unificando o banco de dados de onde serão extraídas as informações a serem analisadas. Na Avon, a solução foi criar um glossário dentro da ferramenta, garantindo a uniformidade de conceitos.
O segundo fator que mantém o Business Intelligence em alta é que, ao usar essa ferramenta, as empresas estabelecem novos níveis de exigência em relação à análise de informações: quanto mais a ferramenta é utilizada, mais se percebe o quão importante e útil ela é para a gestão estratégica do negócio.
De acordo com Andréa, BI é um processo sem fim. Na Avon, a implantação da tecnologia começou devagar, como um projeto dentro da área de tecnologia da informação, mas que teve de envolver todas as áreas da companhia. “Fizemos entrevistas com pessoas de vários níveis para entender o que elas queriam e consolidamos as demandas para fazer a implantação por etapas", diz. "Começamos com indicadores de marketing, depois de vendas, financeiros e até hoje a gente vai acrescentando”, enumera a executiva.
O sistema de BI da Avon acumula três anos de históricos de pedidos, promoções e campanhas de venda, por região, entre outras informações. Isso permite à empresa realizar comparações de desempenho com base em ações já tomadas. Essas informações alimentam a área mundial de análise e são decisivas para que a operação da companhia tome decisões sobre investimentos publicitários, por exemplo. Graças à análise gerada pela ferramenta de BI, a unidade brasileira conseguiu verba para anúncios em TV e revista.
“Chegamos à conclusão de que o Brasil é um dos países com maior retorno sobre o investimento feito em propaganda de TV. É difícil quantificar nosso ganho, mas posso dizer que hoje fazemos um trabalho muito mais consciente em relação a qualquer tipo de investimento e lançamento”, orgulha-se Andréa.
BI - Muito pela frente...
Concordando com os comentários dos colegas, e ratifico que um dos maiores desafios das organizações está na manutenção da qualidade das informações e ainda assim, no cronograma ajustado de todos os processos da organização. O BI, se gerido inadequadamente, pode induzir os executivos de uma organização à tomada de decisões absolutamente equivocadas.
A extração de informações de negócios devem estar garantidas por um sinal verde da operação e sabemos o quanto as organizações necessitam (ainda), organizar os seus processos.
Se não... melhor não ter informação, do que ter informação ruim!
Walter
Walter - 02 Jul 2009, 14h06
Informações confiáveis e disponíveis
Finalmente BI chegou à maturidade. Creio que o processo de amadurecimento foi acelerado pela crise financeira mundial. Ou seja, hoje não dá mais para “pilotar” negócios com ferramentas lentas e pouco confiáveis. Gostei muito quando a Andréa da Avon diz “As pessoas têm de fazer cruzamento de informações e projeções. Não é uma ferramenta que você pede para o estagiário gerar relatório”. Sim, porque mostra a importância das pessoas e dos processos e não só das ferramentas. Para quem tenha interesse, em www.bitools.com.br/bitools.pdf compartilho as minhas opiniões sobre o assunto.
Jorge - 29 Jun 2009, 10h27
Maturidade, ainda falta muito
Acho muito interessante o propósito da reportagem em relação à maturidade do BI, mas gostaria de ressaltar que o sucesso do BI não deve ser associado apenas à implantação de uma ferramenta. Existe um grande trabalho, muito pouco comentado, que é a construção de uma base de dados sólida, integrada, com qualidade que reflita as características da empresa como um todo e não apenas a visão de uma área específica. Este trabalho só pode ser executado por profissionais que tenham uma visão de negócios da empresa e conhecimento de técnicas apropriadas para esse tipo de aplicação e que tenham condições de criar uma base de dados estruturada com a capacidade de suportar o negócio no espaço de tempo de no mínimo 10 anos, pois esse é o tempo que um sistema de BI deve existir para poder atender a todas as necessidades decisórias de uma empresa. Mas, infelizmente, esse aspecto é muito pouco abordado não só pelas reportagens técnicas como também (mais infelizmente ainda) pelos sistemas de ensino, não só os de graduação como, também, os de especialização, pós-graduação e até os “MBAs”. Gostaria que os executivos responsáveis pelas áreas de negócios e de TI começassem atentar para esse problema, que eu considero o mais grave de todos e que pela minha experiência, é o mais negligenciado.
Waldir - 29 Jun 2009, 10h16
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