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Gestão

Eaton aposta nos mercados emergentes

Jedey Miranda viu na necessidade de redução de custos e no combate à crise oportunidades para novos conceitos tecnológicos.

Por Rodrigo Caetano, da Computerworld

18 de setembro de 2009 - 07h00
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IT Leaders 2009

Trazer inovações tecnológicas para dentro da empresa não é fácil. Para adotar um novo conceito ou ferramenta, o CIO precisa, primeiro, convencer as áreas de negócios dos benefícios do projeto; em seguida, contar com o patrocínio da diretoria – inclusive financeiro – e, por fim, ter habilidade para conduzir todo o processo de implementação do sistema sem erros, além de gerenciar as transformações culturais que a novidade gera em toda a empresa. É trabalho duro.

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A coragem de apostar em determinada tecnologia e acreditar que os benefícios compensarão os custos também é muito importante. Às vezes, é a própria área de negócios quem demanda a inovação. Resta ao CIO saber identificá-la e dar o primeiro passo, mesmo acreditando que pode colocar em jogo sua reputação no caso de um desastre. E não adianta culpar a falta de apoio ou de boa vontade dos envolvidos; se o projeto é de TI e não deu certo, a culpa é do setor responsável.

Foi a capacidade de superar essas barreiras que elegeu o diretor de tecnologia da informação da Eaton para América Latina, Jedey Miranda, como IT Leader na categoria Indústria (manufatura). Atuando em setores altamente afetados pela crise econômica mundial, a empresa minimizou os problemas enfrentados com um forte programa de redução de custos. Na área de tecnologia, a inovação trouxe, além de economia, melhorias operacionais e agilidade.

O executivo foi voluntário para iniciar um projeto-piloto de comunicações unificadas a partir do Brasil. O sucesso da iniciativa levou Miranda aos Estados Unidos, onde passou a liderar a área de telecomunicações da companhia e ficou responsável por implantar a tecnologia no mundo inteiro. Agora, a empresa e o CIO colhem os frutos de seu trabalho.

O principal projeto

Mais da metade da receita da Eaton no ano passado veio de fora dos Estados Unidos, onde a empresa está sediada. Apenas os mercados emergentes, incluindo o Brasil, responderam por 20% do faturamento líquido, que ultrapassou a barreira dos 15 bilhões de dólares em 2008, com crescimento de 17% na comparação com o ano anterior. Globalização, para a companhia, não é apenas uma realidade, é estratégia de negócios.

Presente em mais de 120 países nas seis regiões geográficas do mundo, a empresa atua em diversos segmentos importantes da indústria. Possui participação relevante nos mercados automotivo, aeroespacial, equipamentos elétricos e hidráulicos e de caminhões. No Brasil, opera em sete cidades dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Não é por acaso que Miranda destaca o projeto de comunicações unificadas como o principal desenvolvido no ano passado. O executivo liderou a iniciativa de implantar uma nova infraestrutura de comunicações, que teve o Brasil como voluntário para o piloto e agora envolve todas as operações da empresa.

O conceito de comunicações unificadas propõe a integração de todos os meios e dispositivos de comunicação sobre uma plataforma baseada em IP (internet protocol). O objetivo é facilitar a troca de informações, ampliando a colaboração entre os funcionários, e reduzir custos, principalmente com viagens.

Para uma empresa global, é fácil entender porque um projeto como este ganha status estratégico. A Eaton precisava ganhar agilidade e rapidez na tomada de decisões. Com a crise econômica mundial, e apesar do resultado positivo em 2008, a empresa prevê que 2009 será fraco para a todos os seus negócios.

Segundo Miranda, o primeiro desafio do projeto foi definir exatamente o que o conceito de comunicações unificadas significava para a empresa. Conceitos tecnológicos, especialmente quando novos, tendem a ser muito amplos e confusos. O tipo de recurso a ser adotado, de modo que permita extrair o máximo valor da tecnologia, varia de empresa para empresa.

Facilitar a colaboração entre os funcionários foi uma das principais preocupações. Miranda explica que é comum ter vários engenheiros trabalhando em um mesmo projeto, por exemplo. Nem sempre os profissionais encontram-se na mesma região. Além da economia de tempo e de dinheiro que a tecnologia proporciona, a empresa consegue utilizar melhor os recursos humanos que possui.

A possibilidade de determinar por qual meio o profissional prefere ser contatado foi outra funcionalidade implementada. “Consigo saber qual é a melhor maneira de falar com alguém”, explica Miranda. A Eaton também apostou em um sistema de instant messaging (IM) e conferências de áudio e de vídeo.

Os novos sistemas de comunicação geraram transformações profundas na empresa, inclusive para o próprio diretor. “Agora não preciso mais ficar nos Estados Unidos, posso trabalhar praticamente de qualquer lugar”, afirma o executivo, que se transferiu para o país sede da companhia quando assumiu a liderança do projeto de comunicações unificadas, mas agora está retornando ao Brasil, onde dará continuidade à iniciativa.

Formação multidisciplinar

Formado em Engenharia Elétrica e Tecnologia da Informação, com MBA Executivo Internacional e pós-graduação em Marketing, Jedey Miranda iniciou a carreira na Embratel, onde ocupou cargo executivo. Também trabalhou em diversas grandes empresas multinacionais, como Banco Crefisul, Kodak do Brasil, Cargill Agrícola e General Motors do Brasil.

Miranda comanda uma equipe de 35 pessoas. Os sistemas de gestão da empresa, fornecidos pela Oracle, são padronizados no mundo todo e rodam a partir dos Estados Unidos. A terceirização de serviços de tecnologia é bastante utilizada. “O que não é estratégico para a companhia, passamos para parceiros”, afirma o executivo. O orçamento da área é de cerca de 2,5% do faturamento e, segundo o CIO, está em linha com o que é praticado no mercado.

Outro foco de atenção de Miranda é a adesão às melhores práticas de TI. Logo que assumiu o cargo, há três anos, ele iniciou um processo para certificar todos os funcionários da área de tecnologia da informação da empresa em Information Technology Infrastructure Library (ITIL), principal biblioteca de melhores práticas de tecnologia. Globalmente, a companhia mantém um comitê, do qual o executivo faz parte, responsável por definir as diretrizes de tecnologia com base nas demandas de cada região.

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