Gestão
Projetos da Roche na AL são exportados para o mundo
As novas funcionalidades de CRM serviram de modelo para a corporação e trouxeram Vera Marques de volta ao IT Leaders.
Por Fabio Barros, da Computerworld
Coordenar a área de tecnologia de uma grande companhia não costuma ser fácil. O trabalho fica ainda mais complexo quando esta área abrange diversos países e inclui a padronização de sistemas em nível regional, sem deixar de lado as características e demandas específicas de cada um deles.
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Foi a condução de projetos como este que trouxeram a diretora de TI da Roche para a América Latina, Vera Marques de volta ao IT Leaders. A executiva, à frente da área desde o início de 2008, é a vencedora da categoria Indústria Farmacêutica, e seu trabalho tem relação direta com os resultados da companhia.
A Roche do Brasil divulgou que, em 2008, teve crescimento acima da média do mercado. Ao longo do ano passado foram 88,1 milhões de dólares em exportações, alta de 14% em relação ao ano anterior, e vendas na casa de 1,7 bilhão de reais, crescimento de 9% em relação a 2007. Para este ano, a expectativa da companhia é aumentar suas exportações em 25%, graças a inclusão da Europa como um dos mercados consumidores da operação local.
Para chegar a esses resultados, a Roche ampliou em 12% os recursos destinados à pesquisa clínica ao longo de 2008, chegando a um total de 47,9 milhões de reais. Na área de TI,
o orçamento foi estabelecido em 1,4% das vendas da companhia, e em 2008 e 2009 este valor foi destinado a
projetos voltados à padronização de sistemas na região e ao atendimento a normas regulatórias.
Integração de sistemas
Um dos principais projetos realizados em 2008 não teve relação direta com o negócio da Roche, mas com normas regulatórias. A implantação da nota fiscal eletrônica e do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) exigiram atenção da área de TI. “O desafio aqui foi o prazo final, já que não tínhamos como negociar com o governo”, diz Vera. O setor farmacêutico foi um dos que entraram no sistema no início do ano e, de acordo com a executiva, no final de 2008 os sistemas da empresa estavam todos em conformidade.
Outro grande projeto foi a implementação do software de gestão SAP nas divisões de produtos farmacêuticos e de diagnósticos em toda a América Latina, acompanhado pela atualização de versão do sistema. Também em nível regional, a Roche iniciou o projeto de implementação da ferramenta de relacionamento com clientes (CRM, do inglês, Customer Relationship Management), fornecida pela Oracle/Siebel.
Este projeto especificamente demandou um planejamento mais detalhado, pois a ferramenta já tinha diferentes módulos em utilização em alguns países, e outros tiveram de ser instalados. Vera lembra que as unidades da Venezuela e da Costa Rica implementaram módulos como eventos e gerenciamento de contas. A subsidiária chilena também solicitou um projeto específico, este de renovação de call center. Correndo em paralelo, estes projetos representaram um desafio à parte para a equipe de TI da Roche. “É uma questão delicada. Temos que atender às necessidades de customização de cada país sem perder as funcionalidades do produto”, explica a executiva.
O próximo passo, ainda relacionado a área de relacionamento com os clientes, é um projeto que tem o Brasil como piloto e deve se estender para toda a corporação, depois que entrar em funcionamento no começo de 2010. A Roche está desenvolvendo um novo módulo de gerenciamento de investimentos em planos de marketing, que será conectado à ferramenta de CRM da companhia. Vera explica que o aplicativo vai permitir o acompanhamento das campanhas e dos recursos aplicados em cada uma delas.
Ainda na área de sistemas, a corporação homologou a solução de inteligência de negócios (BI, do inglês, Business Intelligence) da Business Objects para uso na América Latina. “Neste momento, estamos revisando toda a demanda da direção da empresa por análises de negócio. Para este projeto, acompanhamos alguns pilotos globais”, diz a executiva.
Na área de estrutura, a equipe de 130 pessoas comandada por Vera está envolvida no projeto de reestruturação global da companhia, que vai resultar na criação de uma nova plataforma e um novo modelo de processos. A iniciativa tem prazo de conclusão previsto para outubro e chega acompanhada da virtualização dos parques de servidores de todas as unidades da Roche na região.
Foco em redução
Apesar de muitos destes projetos ainda estarem em fase de conclusão, o foco de Vera tem de ser dividido com o que a Roche tem planejado para o ano que vem. Na área de infraestrutura, a companhia vai adotar uma diretriz global que prevê a redução de custos e complexidade das redes. Uma das iniciativas já definidas é a adoção de thin clients em todo o mundo. “Estamos analisando produtos que garantam redes mais leves e mais baratas, atendendo ao perfil de utilização de usuários de cada país”, explica a diretora.
Na área de sistemas, a América Latina entrará na segunda fase do projeto de marketing. Com o módulo implementado, o passo seguinte é sua conexão ao sistema SAP, mais especificamente aos módulos financeiro e de controle de marketing. A companhia também vai mudar sua plataforma de mobilidade. A solução a ser adotada ainda está em estudo, mas o objetivo é que se conecte ao Siebel e a outros sistemas da Roche.
Outro grande projeto que deve ocupar a equipe de TI na região é o que Vera chama de “delocalização”. Na prática, o departamento vai analisar todos os aplicativos locais utilizados nas subsidiárias. O objetivo é identificar os que têm potencial para serem usados em nível regional e também aqueles que não têm eficiência comprovada. Os primeiros serão expandidos, e os outros tirados do ar. “A iniciativa vai reduzir e otimizar recursos, que não devem ser investidos em plataformas obsoletas, e também limpar o volume e a complexidade dos sistemas usados hoje, permitindo que nosso orçamento seja ajustado”, diz.
Orçamento que, diga-se, deve se manter no ano que vem. De acordo com Vera, a crise não afetou os investimentos da Roche na região. “Pelo contrário, temos dois países fortes para a companhia – Brasil e México – e isso atraiu mais investimentos”.
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