Gestão
Área de tecnologia da GM passa longe da crise na matriz
Ao manter seu orçamento de tecnologia em 2009, Claudio Martins ignorou a os estragos causados pela crise mundial.
Por Andrea Giardino, da COMPUTERWORLD
Tricampeão do prêmio IT Leaders, o CIO da General Motors (GM) para o Mercosul, Claudio Martins, afirmava na edição de 2008 que “a TI não é algo que traz melhoria para o negócio. A TI é o negócio”. Sua visão nada mudou de um ano para cá. Ao contrário, o executivo sabe como ninguém o quanto é fundamental para a empresa projetar a área de tecnologia no mercado.
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Seu desafio foi a manutenção do suporte ao crescimento na produção que, de acordo com Martins, ao longo do ano passado bateu recordes no mercado brasileiro. “Ainda não sentíamos os reflexos da crise”, afirma. Diferente da quase quebra da companhia lá fora, no Brasil o cenário se mostrou bastante diferente.
Como resultado, vários projetos tiveram que ser criados para suportar o quadro de expansão das vendas. O principal deles visa fazer as peças chegarem na hora certa na linha de produção, processo considerado muito complexo, já que é preciso colocar à disposição da fábrica as peças vindas de centenas de fornecedores. Isso em um curto espaço de tempo.
“Passamos a produzir quase um carro por minuto, o que nos exigiu eficiência operacional em várias de nossas fábricas”, explica o CIO da GM. Em operação desde julho de 2008, o GSIP - software que controla os processos na linha de montagem da companhia no Brasil, monitora todos os itens que compõem um automóvel. A partir daí, é possível ter um detalhamento de todas as fases da fabricação e obter ganho de produtividade.
Resultados diretos
Em paralelo ao sistema GSIP, foi implantado um sistema que permite às fábricas continuarem funcionando a todo vapor, 24 x 7, enquanto o backup é realizado, sem qualquer parada na linha de produção, o que ocorre apenas para operações de manutenção. A mudança teve impacto direto no resultado do negócio, principalmente porque garante o funcionamento do sistema, dia e noite, na unidade fabril de São Caetano (SP), que agora funciona em terceiro turno.
Adotar um modelo arrojado de controle do estoque de peças das concessionárias contribuiu ainda para que, em 2008, as vendas crescessem 10% sobre o ano anterior e, também, para o melhor atendimento ao cliente. Um exemplo disso é o sistema para operação de vendas, no qual as peças são entregues diretamente do fornecedor para o cliente, permitindo reduzir o custo de estoque.
Por essa razão, o papel da Tecnologia da Informação vem ganhando importância dentro da estratégia da montadora. A cada ano são implementados cerca de 120 projetos e tudo hoje depende de controle total, além de muita agilidade para atender a demanda. A boa notícia é que muitos dos sistemas de TI desenvolvidos na subsidiária brasileira – que conta com um time de 51 funcionários e cerca de mil profissionais terceirizados - são encontrados nas fábricas da GM espalhadas pelo mundo.
Segundo o CIO, a opção por terceirizar a equipe de TI foi natural e atendia a meta de transformar a sua área em um elemento estratégico. Hoje, a principal função dos funcionários que compõem o departamento é justamente a de gerenciar terceiros e cuidar do que é necessário, além de pensar em novos projetos. Decisão que culminou em uma atuação mais forte da TI sob a perspectiva de contribuir para o negócio.
Os efeitos, claro, são bastante perceptíveis. Prova disso é a busca incessante pela eficiência, traduzida em excelência operacional e que tem por trás a estratégia de imprimir qualidade nos processos. “O Brasil é benchmarking de qualidade para outras unidades no exterior, sobretudo na Europa”, afirma Claudio Martins.
Para o executivo, ter os sistemas desenvolvidos no País comparados aos da fábrica européia é uma grande conquista. Mas estar na frente não significa que as ações param por aí. “Estamos sempre de olho no que podemos melhorar e quais as melhores práticas usadas lá fora que temos a chance de ‘importar”, diz.
Constantemente desafiada por novas referências de qualidade, preço e produtos, a TI da GM alcançou definitivamente posição estratégica dentro da empresa. Os softwares como parte integrante dos veículos a transformaram em uma ferramenta poderosa na busca por competitividade.
Mobilidade corporativa
Se a linha de produção não pode parar, o que dizer da comunicação entre os líderes e suas equipes? Tanto que outro projeto de peso recebeu atenção em 2008 e continua sendo foco da área de TI, o de voz sobre IP (VoIP). Implantado no País em 2006 nos terminais de PABX, este ano ele será estendido para Argentina, Chile, Colômbia e Venezuela.
Atualmente a GM conta com sete mil terminais no Brasil, os quais tiveram sua estrutura central substituída ano passado pela a tecnologia SIP (do inglês, Session Initiation Protocol), gerando uma economia da ordem de 4 milhões de dólares. Essa atualização no sistema de VoIP levou todo o PABX da empresa a contar com novas funcionalidades, como melhoria de desempenho, transferência de chamadas e teleconferências.
Entre os benefícios conquistados, Martins destaca a possibilidade de uso do smartphone como ramal pelos funcionários da área de TI e de nível executivo (presidência, diretoria e parte da gerência). “Basta o funcionário que estiver longe de sua mesa entrar no nosso sistema de mensagens de voz para ouvir seus recados”, diz. Outro ponto importante é a ampliação dos recursos de teleconferência. Ou seja, um número maior de pessoas consegue compartilhar o mesmo sistema.
Comunicação interna
Para facilitar a comunicação entre os 22 mil funcionários, a empresa criou uma rede de TV interna com programação própria, transmitida via internet, com previsão de atingir 60 pontos em todo o Brasil. Inicialmente, os monitores foram instalados na fábrica de São Caetano (SP), mas a meta é levar o projeto para as unidades de São José dos Campos (SP) e Gravataí (RS).
Atualmente, as TVs estão em pontos estratégicos, como no restaurante da empresa, onde há um número maior de pessoas circulando. Durante o dia inteiro, os aparelhos reproduzem a programação feita internamente. “Foi um projeto importante desenvolvido pela TI”, destaca Martins. “Principalmente por ajudar uma empresa do tamanho da nossa a trabalhar afinada. A comunicação é fundamental nesse aspecto”.
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