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Fraudes preocupam corporações e movimentam indústria

Segundo estimativa da Kroll, o setor movimentou 267 bilhões de dólares globalmente e a América Latina tem de 3 a 5 vezes mais prejuízo per capita com ações fraudulentas do que EUA e Europa Ocidental.

Rodrigo Afonso, da Computerworld

23 de julho de 2010 - 13h06
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Pesquisa recente realizada com mil empresas brasileiras pela consultoria KPMG revela que 90% das organizações reconhecem que a fraude é um problema no ambiente corporativo e 60% acreditam que ela tende a aumentar nos próximos dois anos. Segundo o levantametno, essa questão permeia todos os setores, sendo que 68% das organizações não obtiveram êxito na recuperação das perdas envolvidas.

Números globais da consultoria Kroll sobre fraudes ilustram a gravidade da situação. Segundo um levantamento, as fraudes movimentam em torno de 267 bilhões de dólares ao ano. E a consultoria estima que o prejuízo per capita causado por fraudes na América Latina é 3 a 5 vezes maior do que o contabilizado por empresas nos Estados Unidos e Europa Ocidental.

Nesse contexto, a principal preocupação da maioria das organizações (64%), de acordo com a pesquisa da KPMG, é a insuficiência de controles internos, o que pode ser entendido como falta de profissionais e ferramentas que ajudem na identificação de fraudes.

A importância da questão faz com que as soluções de detecção de fraudes da empresa de ferramentas analíticas SAS estejam entre as três mais importantes na estratégia de investimento do grupo, que teve receita global de 2,31 bilhões de dólares em 2009 e afirma injetar 23% do seu faturamento em Pesquisa e Desenvolvimento.

De acordo com o diretor de fraudes e crimes financeiros do SAS, Stu Bradley, a ênfase se justifica pelos índices de problemas apresentados nas companhias mais afetadas: nos Estados Unidos, mais de 5% dos sinistros de seguro são fraudulentos, assim como 3% a 10% de todos os atendimentos por planos de saúde e 0,1% das transações com cartão de crédito. “Em alguns setores, ele é mais difícil de identificar, o que nos leva a uma ação de educar clientes, mostrando o quanto a identificação das fraudes pode trazer de resultado”, afirma Bradley.

A abordagem da SAS para a detecção de fraudes passa pela integração de toda a companhia na força da detecção, em detrimento das ações isoladas.  A ação ideal de detecção de fraudes, segundo Bradley, passa pela implantação de uma solução híbrida, baseada em regras, anomalias em ocorrências, modelos preditivos e redes sociais.

As regras são a quebra de procedimentos que podem indicar algum comportamento fraudulento, como atrasos em pedidos baseados em sinistro de seguro, por exemplo. Anomalias são informações a respeito de alguma ocorrência que fuja dos padrões. Os modelos preditivos agem em uma coleção de ocorrências que têm um perfil típico de fraude e na análise detodo o ambiente que cerca um indivíduo, para identificar possíveis manipulações e associações com outras fraudes já reconhecidas.

Fraude em Los Angeles

Bradley citou o caso do condado de Los Angeles, que abrange a cidade e municípios da região metropolitana. O condado tinha um problema em seu departamento de serviços sociais, com o abuso dos programas de assistência social. “Por meio dessa abordagem proativa na identificação de fraudes oportunistas e organizadas, o condado chegou a uma economia estimada de 31 milhões de dólares, após aumentar em 32 vezes o número de fraudes identificadas”, relata o executivo.

Segundo Bradley, na Europa e nos Estados Unidos, as principais vítimas das fraudes são as empresas de seguro e os sistemas de saúde, além do governo. Não à toa, no Brasil, a SAS espera crescimento significativo no setor público e na vertical de finanças.

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