Gestão
Fernando Birman é Diretor de CRM e Estratégia de TI do Grupo Rhodia, baseado em Lyon (França).
Reivindicações de 1968 recém conquistadas
A revolução causada pela Internet, que é jovem, acaba de começar, mas a rede já está mudando a cara da TI corporativa e da sociedade.
Os jovens que foram às ruas para protestar em 1968 estão hoje na faixa dos sessenta anos. Ou seja, estão se aposentando. Entre eles, políticos, empresários, profissionais liberais e, é claro, executivos de TI. O mundo mudou nos últimos cem, quarenta ou vinte anos. Entre fatos positivos e negativos, uma conquista se destaca. E não foi a partir de 68.
Em 68, uma série de movimentos estudantis espalhou-se pelo mundo, num múltiplo protesto contra o quadro político, econômico, social e cultural. Quarenta anos depois, o tema ainda é motivo de polêmica. Teria esta geração contribuído para um mundo melhor? Na dúvida, muitos políticos da nova safra fogem do assunto.
Se a quase-revolução de 68 é questionada, a revolução da Internet é líquida e certa. Enquanto os conflitos tomavam as ruas, os Estados Unidos concluíam a interligação dos primeiros computadores, constituindo o embrião da grande rede. O resto da história é conhecido por todos. Porém, é a explosão da World Wide Web dos últimos dez a quinze anos que fez a diferença, mudando a vida das pessoas.
Os números são grandiosos: 20% da população mundial já acessa a rede (estatística de dezembro 2007). O mais fascinante é perceber as mudanças individuais e coletivas que se incorporam em todos os cantos da Terra. Escrevo há quase dez anos para o Computerworld e tive o privilégio de testemunhar, comentar e viver parte desta transformação.
No universo dos negócios, uns mudaram mais rápido do que imaginávamos, outros nem tanto. Boa parte do comércio aproveitou a onda para criar um novo canal e oferecer novos serviços. Os bancos também souberam buscar produtividade e melhoria do atendimento com a nova tecnologia. Outros setores, como aqueles relacionados à mídia e à propriedade intelectual, procuram desesperadamente um novo modelo.
Se a Internet trouxe alguma prosperidade econômica, o seu maior presente para a humanidade foi um dos sonhos da geração de 68. Milhões de pessoas ganharam uma voz, por meio do acesso à informação e ao poder público, além de um insubstituível poder de expressão. Enfim, a verdadeira cidadania. O retrato mais representativo desta conquista são os blogs que escapam das muralhas virtuais da China e de outros opressores, sejam eles governos ou instituições.
No nosso quintal da TI corporativa, as coisas também mudaram bastante. Além da adoção crescente dos modelos e padrões oriundos da grande rede, é nela que depositamos parte das esperanças de uma nova TI. Aquela que conta com quase toda a sua infra-estrutura virtualizada - equipamentos, aplicações, rede e competências - proporcionando um elevadíssimo grau de compartilhamento e flexibilidade. Isto é apenas um cenário, uma opção. Afinal, bom mesmo é possuir alternativas e escolher a mais apropriada conforme as nossas necessidades.
Quem mudou a história não foram os que quiseram mudá-la, mas quem estava trabalhando discretamente nos projetos americanos e europeus dos anos 60 e 70, que convergiram para a criação da Internet. Exagero à parte, o contraste é ilustrativo.
Seja dentro ou fora do nosso ambiente profissional, temos um desafio enorme pela frente. Enquanto a geração de 68 se aposenta, os nativos digitais começam a entrar na vida adulta conquistando espaços na sociedade. Até que eles finalmente nos substituam, devemos aprender a trabalhar juntos por um planeta próspero e sustentável.


