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Gestão
Fernando Birman é Diretor de Estratégia e Arquitetura de TI do Grupo Rhodia e trabalha em Lyon (França).
ERP: Vivo ou morto
Apesar de toda revolução da tecnologia da informação, a maior parte da economia baseia-se nos processos de negócios clássicos, que foram melhorados pela TI, mas são fundamentalmente os mesmos de décadas atrás.
Em julho de 1999, meu primeiro artigo como colunista do Computerword foi sobre ERP. O título bastante sugestivo era: "O ERP morreu, viva o ERP". Mais de uma década depois, pude constatar que ele morreu e renasceu várias vezes. Afinal, o que esse acrônimo tem de especial?
Para começar, ERP não é uma coisa só. São duas e tão ligadas que é difícil separá-las. A primeira é um modelo de negócios, um conjunto de práticas que englobam as atividades de uma empresa, desde o planejamento à execução. A segunda é a solução informatizada que suporta esse modelo. De fato, nos dias de hoje, elas são tão inseparáveis que seria inconcebível um ERP na base do lápis e papel. A primeira parte é a alma, a segunda é o corpo.
O ERP como modelo de processos, a alma, não costuma morrer. Apesar de toda revolução da tecnologia da informação, a maior parte da economia baseia-se nos processos de negócios clássicos, que foram melhorados pela TI, mas são fundamentalmente os mesmos de décadas atrás. O núcleo funcional do ERP permanece intacto para muitos.
Nem por isso ele está parado. Tem sido engordado sob vários aspectos:
1. incorporação de soluções mais completas em áreas como CRM, governança corporativa, planejamento operacional, integração com chão de fábrica, entre outras;
2. Adoção de soluções verticais, especializadas e adaptadas a determinados segmentos de mercado;
3. Ampla integração com parceiros de negócio para transações comerciais, gestão de projetos e desenvolvimento de novos produtos;
4. Maior foco na análise dos dados, na forma de melhor compartilhá-los e visualizá-los pelos diferentes tipos de usuários existentes numa organização.
A adição de tanta riqueza funcional levou nosso outrora monolítico e enxuto pacote integrado a uma complexidade sem igual, cada vez mais difícil de manter e incompatível com a realidade empresarial, que exige flexibilidade e velocidade. Daí, uma série de insatisfações com o ERP.
No lado tecnológico do ERP, o corpo, encontramos um mundo ainda mais vibrante. Com o anseio de atender às nossas expectativas e movidos pela força inovadora da informática, os criadores de ERP descartam e reconstroem seus produtos ao sabor das ondas da tecnologia. A Internet, o software livre, a arquitetura orientada a serviços e a "cloud computing" deixaram a sua marca. Este último é um dos principais eixos de evolução do conceito nos próximos anos.
SAP e Oracle, os grandes fornecedores de soluções ERP, ainda possuem grande parte da sua base de clientes na dita velha economia, muito menos dinâmica do que o mundo da TI. Dessa forma, muitos deles acabam sofrendo uma dupla pressão: a insatisfação dos seus clientes internos e o trator da renovação dos fornecedores. Em tempos de vacas gordas, as diferenças são facilmente resolvidas. Com as vacas magras, os problemas vêm à tona e tudo é questionado - custos, serviços, aspectos técnicos e funcionais.
Não posso recriminar aqueles que preferem esquecer o acrônimo. O ERP compreende um espectro de soluções bastante diversificado e complexo. As palavras pacote ou sistema mal podem retratar o que está por trás do dia a dia das transações eletrônicas de uma grande corporação atual.
O ERP não está morto, sofre de obesidade mórbida. Os assassinatos recorrentes do ERP são um mal necessário. Resta-nos acreditar e trabalhar para que as novidades tecnológicas venham para nos trazer as promessas de organizações cada vez mais ágeis e rentáveis.
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